MADRID 19 jun. (EUROPA PRESS) -
Um grupo de pesquisadores conseguiu filmar como um embrião de peixe-zebra com poucos dias de vida se defende contra uma possível infecção por bactérias, refletindo sua capacidade de eliminar infecções bacterianas antes de formar seu sistema imunológico.
Isso é demonstrado pela pesquisa liderada pelo Instituto de Biologia Molecular de Barcelona (IBMB) do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (CSIC) e pelo Instituto de Pesquisa Biomédica de Bellvitge (IDIBELL).
O estudo, publicado na revista "Cell Host and Microbe", mostrou como os embriões de peixe-zebra usam células presentes em sua superfície, conhecidas como células epiteliais, para ingerir e destruir bactérias por meio de um processo chamado fagocitose, semelhante ao realizado pelos glóbulos brancos. O trabalho descobriu que essa capacidade de matar bactérias também está presente em embriões humanos.
Usando técnicas de microscopia de última geração, a pesquisa mostra como as células capturam bactérias como a Escherichia coli e a Staphylococcus aureus por meio de pequenas saliências de sua membrana, nas quais a proteína actina está envolvida.
"Nossa pesquisa mostra que, no início do desenvolvimento - antes da implantação no útero e antes da formação de órgãos - os embriões já têm um sistema de defesa que lhes permite eliminar infecções bacterianas", diz o pesquisador e líder da pesquisa do IBMB-CSIC e do IDIBELL, Esteban Hoijman.
Esse processo, explica a pesquisa, funciona como um mecanismo de fagocitose, ativa genes de imunidade nessas células, elimina bactérias de forma eficaz e contribui para o desenvolvimento embrionário adequado em caso de infecção. "Esse sistema pode representar a origem da imunidade. O estudo revela a primeira interação entre o organismo recém-formado e seu microambiente biológico", acrescenta Hoijman, chefe do laboratório de Bioimagem de Células Embrionárias.
A pesquisa envolveu pesquisadores do Centro de Regulação Genômica (CRG) em Barcelona, da Universidade Pompeu Fabra (UPF), do Instituto de Bioengenharia da Catalunha (IBEC), da Universidade de Barcelona (UB), do Hospital Universitário Dexeus e do ICREA.
PREVENÇÃO DE MALFORMAÇÕES E APRIMORAMENTO DE TERAPIAS REPRODUTIVAS
Os pesquisadores explicam que, no início do desenvolvimento, os embriões são expostos a várias mudanças em seu ambiente que podem representar uma ameaça, pois ainda não desenvolveram o sistema imunológico que os protege.
No útero, as infecções têm uma alta incidência e estão associadas à infertilidade. No entanto, até agora não se sabia como um embrião reage quando encontra bactérias. Esse trabalho revela que a capacidade imunológica do embrião começa muito antes da existência dos glóbulos brancos e "pode nos ajudar no futuro a melhorar a fertilidade, evitar malformações embrionárias e desenvolver novas terapias reprodutivas", explica Hoijman.
Nesse sentido, a descoberta também levanta a necessidade de entender mais detalhadamente a população de bactérias que podem colonizar o útero, diferenciando os invasores (e possíveis patógenos) das bactérias residentes em potencial que poderiam ter efeitos benéficos sobre a fisiologia reprodutiva.
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