Publicado 09/07/2026 07:37

Está em andamento um estudo intergeracional sobre a microbiota e a alergia às proteínas do leite de vaca

Archivo - Arquivo - Hospital Materno-Infantil do Gregorio Marañón
HOSPITAL GREGORIO MARAÑÓN - Arquivo

MADRID 9 jul. (EUROPA PRESS) -

A Unidade de Alergia Infantil do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón participa do primeiro estudo que analisa a microbiota intestinal em três gerações — bebês, mães e avós maternas — com o objetivo de identificar possíveis padrões associados ao risco de alergia às proteínas do leite de vaca (APLV).

Embora essa pesquisa intergeracional descarte uma herança direta da microbiota, ela identifica diferenças bacterianas e fatores familiares que influenciam o desenvolvimento de doenças alérgicas em bebês.

Coordenada por Paula Cabrera, especialista da Unidade de Alergia Infantil do Serviço de Alergologia do Marañón, e realizada em colaboração com a Universidade CEU San Pablo e o Hospital Infantil Universitário Niño Jesús, é considerada a análise mais completa já realizada até o momento nessa área.

Especificamente, ela integra dados clínicos e epidemiológicos com técnicas avançadas de sequenciamento, proteômica e metabolômica. O estudo incluiu 148 participantes: 50 bebês, 34 com APLV confirmada e 16 controles saudáveis, juntamente com suas mães e avós maternas.

Assim, foram coletadas amostras de fezes de todos eles e, em particular, as amostras fecais dos bebês, coletadas entre quatro e seis meses de vida, foram analisadas por meio da sequenciamento do gene 16S rRNA, técnica que permite caracterizar com precisão a composição bacteriana intestinal.

O centro hospitalar explicou que os resultados mostraram que mães e avós apresentam maior diversidade e riqueza microbiana do que os bebês, o que confirma a evolução natural e progressiva da microbiota com a idade.

No entanto, o estudo não encontrou uma “assinatura bacteriana” herdada entre gerações que explique o desenvolvimento da alergia; o que foi observado, sim, foram diferenças significativas entre bebês saudáveis e alérgicos na abundância de famílias bacterianas como Prevotellaceae e Acidaminococcaceae, bem como uma influência marcante do tipo de alimentação sobre o perfil bacteriano do bebê.

“A microbiota do bebê é fortemente condicionada por fatores ambientais e alimentares, especialmente durante os primeiros meses de vida”, explicou Paula Cabrera, alergologista do Marañón e também coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Microbiota do Comitê de Alergia Infantil da Sociedade Espanhola de Alergologia e Imunologia Clínica.

Além disso, a pesquisa identifica fatores maternos e familiares associados a um maior risco de alergia às proteínas do leite de vaca, como histórico familiar de alergia e o tabagismo da mãe ou da avó.

“Este trabalho demonstra que, embora não exista uma herança microbiana direta entre gerações (bebês, mães e avós maternas), há elementos familiares e comportamentais que modulam a composição bacteriana intestinal e poderiam influenciar o surgimento da alergia alimentar”, destacou Paula Cabrera.

O centro hospitalar destacou as “informações essenciais” que o estudo traz para compreender como a microbiota se estabelece nos primeiros meses de vida e quais fatores podem influenciar o desenvolvimento de doenças alérgicas. Os pesquisadores indicaram que essas descobertas reforçam a importância de estudar a microbiota como um possível biomarcador precoce de risco e abrem novos caminhos para futuras estratégias de prevenção.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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