Publicado 23/06/2026 13:10

Eles destacam o “papel essencial” dos redemoinhos e meandros oceânicos na regulação do clima

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M. Dylan - Europa Press - Arquivo

PALMA 23 jun. (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados (Imedea) participaram de um estudo que destaca o “papel essencial” dos redemoinhos e meandros nos oceanos, com influência direta nos ecossistemas marinhos e na regulação do clima terrestre.

Essa pesquisa aprimora a compreensão sobre como a energia cinética se move e se distribui nos oceanos do planeta, uma grandeza que mede a intensidade do movimento da água e constitui um fator “chave” para entender tanto a dinâmica marinha quanto o clima global.

Em um comunicado à imprensa, o centro de pesquisas destacou que essa energia se divide entre aquela associada a correntes relativamente estáveis — como a Corrente do Golfo ou a Corrente Circumpolar Antártica — e aquela ligada a estruturas mais variáveis, como redemoinhos e meandros. Estas últimas têm grande importância no transporte de calor, sal, nutrientes e carbono pelo oceano.

O trabalho, publicado na revista científica “Geophysical Research Letters”, confirma o papel dominante dos redemoinhos e meandros oceânicos na circulação global e revisa as estimativas feitas até agora sobre sua contribuição para a energia cinética total do oceano.

Em particular, reavalia os cálculos realizados há mais de duas décadas pelo oceanógrafo Carl Wunsch, recentemente agraciado com o Prêmio Fronteiras do Conhecimento da Fundação BBVA, com base em observações de satélite muito mais limitadas do que as disponíveis atualmente.

O estudo foi liderado por Diego Cortés-Morales e contou com a participação das pesquisadoras do Imedea, Bàrbara Barceló-Llull e Ananda Pascual, juntamente com Laura Gómez-Navarro, do Institut de Ciències del Mar (ICM-CSIC).

Para realizá-lo, a equipe analisou 23 anos de observações obtidas por meio de altimetria por satélite, provenientes de múltiplas missões simultâneas. Essa técnica permite medir a altura da superfície do mar e extrair informações sobre as correntes oceânicas.

Cortés-Morales explicou que as limitações tecnológicas e a menor cobertura de satélite resultaram em estimativas “menos precisas” em análises anteriores. Agora, graças à combinação de pelo menos três missões de satélite ativas simultaneamente por mais de duas décadas, foi possível obter uma visão “mais precisa e robusta” da circulação oceânica global.

“Isso permitiu determinar que a contribuição real dos redemoinhos é menor do que se pensava anteriormente, embora continue sendo claramente dominante em escala global”, afirmou

O novo estudo conclui que aproximadamente 72% da energia cinética total do oceano está associada a estruturas variáveis de mesoescala —fenômenos com tamanhos superiores a 100 km e com duração aproximada entre 10 e 100 dias—, como redemoinhos e meandros oceânicos. Essa distribuição de energia difere das estimativas anteriores, segundo as quais essas estruturas poderiam chegar a concentrar cerca de 90% da energia cinética oceânica.

Além do número específico, este estudo mostra que a compreensão do oceano melhora à medida que se dispõe de observações mais abrangentes e precisas, o que ressalta a importância de manter e reforçar as redes de observação oceânica, por meio da combinação de satélites, medições “in situ” e modelos numéricos.

O estudo também destaca a necessidade de aprimorar os modelos climáticos atuais, já que muitos deles ainda não possuem resolução suficiente para representar corretamente os redemoinhos oceânicos, apesar de serem responsáveis por “boa parte do transporte de calor e carbono no oceano”. Os autores ressaltaram que a incorporação desses processos permitirá realizar projeções climáticas “mais confiáveis” nas próximas décadas.

Nesse contexto, novas missões, como o satélite SWOT — cujos dados são utilizados em diferentes projetos do Imedea —, permitirão observar estruturas oceânicas ainda menores e estudar com mais detalhes como a energia é transferida entre diferentes escalas do oceano.

Este trabalho se insere em diversas iniciativas europeias e programas de excelência científica ligados ao monitoramento da dinâmica oceânica e seu impacto sobre o sistema climático global, reforçando o papel deste centro como “referência internacional” em oceanografia física e observação satelital do oceano.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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