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MADRID 20 jan. (EUROPA PRESS) - Pesquisadores da área de Bioengenharia, Biomateriais e Nanomedicina do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBER-BBN) e da área de Doenças Infecciosas (CIBERINFEC) do Hospital Clínico Universitário de Valladolid (Castela e Leão) aplicaram um modelo de inteligência artificial explicável (XAI) para identificar e priorizar as informações genéticas que aumentam o risco de desenvolver sepse após uma intervenção cirúrgica. A sepse é uma complicação grave causada por uma resposta descontrolada do organismo a uma infecção, geralmente de origem bacteriana. É a forma mais grave de infecção e apresenta uma mortalidade que oscila entre 10 e 20 por cento, chegando a atingir 40 por cento nos casos de choque séptico. A nível mundial, a sepse provoca cerca de 11 milhões de mortes por ano, das quais cerca de 17.000 ocorrem em Espanha.
O trabalho, publicado na revista Frontiers, analisou dados de uma análise de associação do genoma completo (GWAS) que incluiu informações genéticas de 753 pacientes que desenvolveram sepse após uma cirurgia e de 3.500 controles populacionais. Por meio de um modelo de IA explicável, os pesquisadores não apenas conseguiram prever o risco de desenvolvimento de sepse, mas também priorizar as variantes genéticas com maior contribuição para esse risco. Graças a essa abordagem, o estudo identificou variações genéticas nos genes PRIM2, RBSN e SYNPR com implicações funcionais, regulatórias e clínicas. Além disso, foram detectados genes relacionados a processos biológicos essenciais, como a regulação da expressão gênica, a replicação do DNA, a sinalização celular, a proliferação celular e a disfunção cardíaca.
Segundo os pesquisadores, determinar essas variantes genéticas por meio de análises de sangue pré-operatórias pode se tornar uma ferramenta útil para melhorar a estratificação do risco em pacientes cirúrgicos, facilitar a detecção precoce da sepse pós-operatória e orientar intervenções clínicas mais personalizadas, com o objetivo de melhorar os resultados clínicos e a sobrevivência dos pacientes.
O estudo ressalta que serão necessárias mais pesquisas, incluindo análises in vitro e in vivo, bem como estudos complementares em coortes que incluam pacientes com e sem sepse submetidos a cirurgias de grande porte, a fim de avaliar de maneira ideal os fatores genéticos que contribuem para a predisposição à sepse e fornecer uma validação externa das descobertas exploratórias.
O trabalho contou com a participação de pesquisadores do CIBER de Doenças Respiratórias (CIBERES), do CIBER de Doenças Raras (CIBERER), da Universidade de Valladolid e da Universidade de Leicester, no Reino Unido, entre outras instituições.
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