Publicado 04/03/2026 08:18

O eixo microbiota-intestino-cérebro, fundamental para entender por que nem todos respondem da mesma forma aos agonistas GLP-1

Archivo - Arquivo - Microbioma intestinal. Microbiota
OLEKSANDRA TROIAN/ISTOCK - Arquivo

MADRID 4 mar. (EUROPA PRESS) -

Os agonistas do receptor GLP-1 tornaram-se uma das ferramentas terapêuticas mais potentes para o tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade; no entanto, a sua eficácia e tolerância podem depender do eixo microbiota-intestino-cérebro, explica a Dra. Mar Sánchez Somolinos, chefe da Unidade de Microbiota da Neogenia.

Na Espanha, o uso desses medicamentos tem experimentado um crescimento exponencial. Uma microbiota equilibrada favorece a produção de ácidos graxos de cadeia curta, que estimulam a secreção natural de GLP-1 e potencializam a ação do medicamento. Por outro lado, uma microbiota alterada pode aumentar a inflamação sistêmica e piorar os efeitos adversos digestivos”, aponta a especialista.

Conforme descrito em estudos recentes, a composição da flora bacteriana não só influencia a resposta ao tratamento, mas também pode modular o aparecimento dos temidos efeitos colaterais digestivos: náuseas, vômitos, diarreia, constipação ou mau hálito, que afetam entre 40% e 70% dos pacientes.

A especialista enfatiza a importância de realizar um estudo da microbiota antes de iniciar qualquer tratamento com agonistas do GLP-1. “Antes de iniciar a medicação, seria recomendável analisar o estado da microbiota intestinal. Se for detectada uma disbiose, podemos agir sobre ela com probióticos específicos para equilibrá-la. Isso não só pode melhorar a resposta ao medicamento, mas também prepara o intestino para tolerar melhor o tratamento, reduzindo a probabilidade de sofrer efeitos colaterais graves desde o início”, destaca Sánchez Somolinos.

A especialista alerta que “em pacientes com disbiose prévia, esses medicamentos podem até favorecer o aumento de bactérias potencialmente patogênicas, o que reforça a necessidade de abordar o estado da microbiota antes e durante o tratamento. Nem todos os pacientes partem do mesmo ponto, e a microbiota pode marcar a diferença entre o sucesso e o abandono terapêutico”. Além de seu papel preventivo, os probióticos também podem ser de grande ajuda uma vez iniciado o tratamento, especialmente em pacientes que já apresentam efeitos colaterais digestivos significativos. Em pacientes que apresentam náuseas persistentes, diarreia ou constipação grave associadas ao uso de GLP-1, é mais eficaz incorporar probióticos, por exemplo, formulações multicepa que incluem lactobacilos e bifidobactérias, que podem restaurar o equilíbrio microbiano, reduzir a inflamação intestinal e aliviar esses sintomas.

A especialista da Neogenia conclui que “nos próximos anos, a medicina personalizada baseada no estudo do microbioma será um pilar fundamental para otimizar os resultados dos tratamentos contra a obesidade”.

POR QUE ALGUNS PACIENTES TOLERAM PIOR O TRATAMENTO? É possível identificar alguns motivos pelos quais os pacientes que iniciam o tratamento com agonistas GLP-1 apresentam efeitos colaterais mais acentuados ou menor eficácia, alerta a especialista.

Por exemplo, uma baixa diversidade microbiana ou a presença de disbiose prévia podem condicionar uma pior resposta ao medicamento e uma maior incidência de efeitos adversos digestivos. Uma dieta inadequada durante o tratamento também pode influenciar; o consumo de alimentos gordurosos, fritos, picantes, ultraprocessados ou bebidas carbonatadas pode exacerbar os desconfortos gastrointestinais.

“Os pacientes devem estar cientes de que o que comem influencia diretamente a forma como toleram a medicação”, esclarece a especialista em microbiota da Neogenia. Além disso, ela lamenta que uma alta porcentagem da população desconheça que a saúde intestinal pode condicionar a eficácia dos tratamentos.

“Mais uma prova de que é preciso educar a população sobre os cuidados com a microbiota como parte fundamental da saúde geral, não apenas nos processos digestivos”, acrescenta, lembrando a importância de realizar estratégias complementares, por exemplo, a suplementação com probióticos específicos poderia ajudar a restaurar o equilíbrio microbiano e melhorar a tolerância, “mas ainda é uma opção pouco conhecida entre os pacientes”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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