YEBES (GUADALAJARA), 12 (Do correspondente especial da EUROPA PRESS, Alfonso Herrero)
O eclipse total de Sol mergulhou, nesta quarta-feira, 12 de agosto, mais da metade do país em uma escuridão profunda e histórica, já que é o primeiro desse tipo na Península Ibérica há mais de 100 anos; mais especificamente, o último ocorreu em 1912.
A faixa de totalidade do eclipse — o primeiro dos três que ocorrerão na Espanha entre 2026 e 2028 — atravessou treze comunidades autônomas: Galícia, Astúrias, Castela e Leão, Comunidade de Madri, Castela-La Mancha, Cantábria, La Rioja, País Basco, Navarra, Aragão, Catalunha, Comunidade Valenciana e Ilhas Baleares.
Durante o eclipse solar total, a Lua posicionou-se diretamente em frente ao Sol, bloqueando a maior parte de sua luz e permitindo observar a atmosfera solar. Trata-se de um espetáculo excepcional, visível pela última vez na Europa continental em 2006.
A Espanha foi o melhor lugar do mundo para apreciar o evento, com o Sol abaixo do horizonte no momento da totalidade. A faixa de escuridão entrou pelo noroeste da Península Ibérica e atravessou o país de oeste a leste.
Como o fenômeno coincidiu com o pôr do sol, a visibilidade não dependia apenas de estar dentro da faixa de totalidade, mas também era necessário ter um horizonte desobstruído em direção ao oeste.
Assim, os primeiros a mergulhar em uma escuridão impressionante foram os galegos, e os últimos a ver o eclipse total foram os habitantes das Ilhas Baleares. A maior duração do eclipse total foi registrada em uma faixa que inclui Oviedo, León, Palência, Burgos, Soria e zonas do sul de Aragão, onde a totalidade girará em torno de um minuto e 40 segundos.
Em La Coruña, a duração do eclipse total foi das 20h27min35s às 20h28min50s, e o ponto máximo do eclipse ocorreu às 20h28min13s, enquanto em La Palma ocorreu entre 20h31min13s e 20h32min49s, e o ponto máximo do eclipse foi às 20h32min01s.
Outras cidades que puderam apreciar esse evento histórico foram Bilbao, onde o ponto máximo do eclipse ocorreu às 20h27min30s; León, às 20h29min07s; Burgos, às 20h29min12s; Saragoça, às 20h29min38s; Castellón, às 20h31min58s; e Valência, às 20h32min54s.
Em cidades como Madri ou Barcelona, foi possível observar um eclipse parcial quase completo, entre 80% e 90%, mas não chegou à escuridão total.
O ECLIPSE A PARTIR DO OBSERVATÓRIO DE YEBES, PONTO OFICIAL
A sede oficial para o acompanhamento do eclipse solar total escolhida pelo governo foi o Observatório de Yebes, em Guadalajara. Trata-se do maior observatório do IGN, localizado a 80 quilômetros de Madri e a 930 metros de altitude, que sediou a transmissão ao vivo com especialistas do Instituto Geográfico Nacional, do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) e da Agência Espacial Espanhola (AEE), além dos astronautas espanhóis da Agência Espacial Europeia (ESA), Pablo Álvarez e Sara García.
Os astronautas se mostraram emocionados com o eclipse. “Que legal não ficar olhando para o celular e aproveitar algo único!”, comemorou Sara García, que destacou que, na sociedade, “há poucas ocasiões” em que todos os cidadãos estejam “entusiasmados com algo tão único”.
Por sua vez, Pablo Álvarez afirmou que, quando tinha onze anos, já havia marcado no calendário este dia 12 de agosto de 2026 para poder ver o eclipse total de Sol. “Fiquei pesquisando e marquei essa data desde então porque o eclipse passaria por cima da minha cidade, León”, afirmou.
O evento oficial contou com a presença de diversas autoridades, como a ministra da Ciência, Inovação e Universidades, Diana Morant; o ministro do Interior, Fernando-Grande Marlaska; o ministro da Política Territorial e da Memória Democrática, Ángel Víctor Torres; ou o ministro da Transformação Digital e da Função Pública, Óscar López, bem como o diretor da Agência Espacial Espanhola, Juan Carlos Cortés.
“HÁ MUITO TEMPO” TRABALHANDO NA PREPARAÇÃO DO ECLIPSE
Do Observatório de Yebes, a ministra Morant mostrou-se “superanimada” com o eclipse e lembrou que há “muito tempo” que o governo vem trabalhando para este eclipse: “Não para que ele aconteça — não temos essa capacidade —, mas para aproveitar esse privilégio”.
Nesse sentido, ela destacou que é “um privilégio” que a NASA esteja na Espanha para estudar o eclipse. “Somos afortunados”, ressaltou. Além da astronomia, Morant enfatizou que se trata de um evento “científico e social” e explicou que a humanidade “sempre buscou respostas para a vida olhando para o céu”.
Por sua vez, o presidente da Comissão Interministerial para o Trio de Eclipses e secretário de Estado da Ciência, Inovação e Universidades, Juan Cruz Cigudosa, destacou que o eclipse solar total é “a Copa do Mundo da Astronomia”.
“Hoje é a final. A Espanha está disputando a final. Está liderando a final; na verdade, não há competição possível”, destacou Cigudosa nesta quarta-feira em declarações à imprensa.
O “número 2” da Ciência reconheceu o “problema logístico” gerado pela chegada de “milhões de visitantes para observar o eclipse”, o que exigiu do governo “uma coordenação extraordinária”.
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