Publicado 19/01/2026 07:19

O ECDC desaconselha o uso da doxiciclina como medida populacional para prevenir infecções de transmissão sexual.

Archivo - Arquivo - Homem vai tomar um comprimido azul.
NITO100/ISTOCK - Arquivo

Trata-se de um antibiótico do grupo das tetraciclinas MADRID 19 jan. (EUROPA PRESS) -

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) desaconselhou o uso da doxiciclina como medida populacional para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (IST) bacterianas e recomenda que seu uso seja avaliado caso a caso, de acordo com o risco de infecção, sob critério médico.

Isso consta de um novo guia do ECDC que avalia o uso da profilaxia pós-exposição com doxiciclina — conhecida como doxi-PEP —, um antibiótico do grupo das tetraciclinas, para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (IST) bacterianas, em um contexto de aumento sustentado desses contágios na União Europeia e no Espaço Econômico Europeu (UE/EEE).

O ECDC explica no documento que, durante mais de uma década, se observou um aumento preocupante das IST bacterianas na UE/EEE, com um aumento drástico das notificações de gonorreia, sífilis e clamídia, afetando de forma desproporcional os homens que têm relações sexuais com homens. Em 2023, as taxas de notificação aumentaram 16% para a clamídia, 138% para a gonorreia e 53% para a sífilis, em comparação com os níveis de 2019.

O uso de doxi-PEP está se expandindo entre homens que fazem sexo com homens na UE/EEE, tanto por prescrição médica fora da indicação quanto por autoconsumo. Nesse sentido, o ECDC indica que o doxi-PEP se tornou uma possível estratégia de prevenção, que consiste em tomar uma dose única de 200 mg de doxiciclina dentro de 24 horas e, no máximo, 72 horas após uma relação sexual sem preservativo.

Além disso, ensaios clínicos demonstraram que a doxi-PEP é eficaz na redução da incidência de clamídia e sífilis em homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero com histórico de IST. No entanto, é improvável que a doxi-PEP reduza eficazmente a incidência de gonorreia na maioria dos contextos europeus, devido aos elevados níveis pré-existentes de resistência à tetraciclina nas estirpes de Neisseria gonorrhoeae que circulam atualmente na UE/EEE, que foram registados em 58,4% em 2023.

PODE AUMENTAR A RESISTÊNCIA AOS ANTIMICROBIANOS O guia avalia as evidências atuais sobre a eficácia dessa intervenção, juntamente com os possíveis riscos para a saúde pública. Uma das principais preocupações levantadas é a possibilidade de a doxi-PEP acelerar o desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos (RAM).

As evidências sugerem que seu uso generalizado poderia aumentar a resistência não apenas dos patógenos causadores de ISTs, mas também de outras bactérias, como o Staphylococcus aureus, e organismos comensais (bactérias que vivem naturalmente sobre ou dentro do corpo sem causar danos) dentro do microbioma humano. Isso, alerta o ECDC, representa um risco tanto para os usuários individuais quanto para a comunidade em geral. Por esse motivo, o organismo europeu não recomenda a doxiciclina-PEP como intervenção em nível populacional e aconselha que as decisões sobre seu uso sejam tomadas em nível individual. “Se a doxi-PEP for implementada, ela deve se concentrar principalmente na prevenção da sífilis. Deve ser direcionada especificamente aos grupos com maior risco de infecção, em vez de à população em geral”, aponta o guia. Além disso, ressalta que a doxi-PEP não deve ser uma medida isolada, mas deve ser integrada a uma estratégia abrangente de saúde sexual que inclua acesso a testes periódicos, vacinação, prevenção do HIV e serviços de notificação aos parceiros. Além disso, recomenda-se a reavaliação periódica das necessidades individuais. Por último, o ECDC recomenda informar os usuários sobre os benefícios e os possíveis riscos, incluindo a incerteza sobre a segurança a longo prazo e o possível desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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