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MADRID 16 jul. (EUROPA PRESS) -
O Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) alertou nesta quinta-feira sobre o aumento dos casos de gonorreia resistente aos medicamentos neste continente, já que um número crescente de países da União Europeia detectou cepas gonocócicas resistentes ao antibiótico ceftriaxona.
Segundo o órgão, que especificou que a ceftriaxona é “o medicamento de primeira linha para tratar a infecção por gonorreia”, a essa informação soma-se “a evidência crescente da disseminação local dessas cepas” nos últimos dois anos. Tudo isso “representa um desafio significativo para as futuras opções de tratamento de uma das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) mais comuns em todo o mundo”, explicou.
“A transmissão local da gonorreia resistente à ceftriaxona na Europa é um sinal de alerta que não devemos ignorar”, afirmou a esse respeito o especialista em microbiologia do ECDC, Csaba Ködmön, que acrescentou que “embora o risco para a população em geral seja atualmente baixo, a resistência crescente reduz a eficácia das terapias”.
Na opinião dele, “se cepas altamente resistentes aos medicamentos se estabelecerem e continuarem a se propagar, as opções de tratamento poderão ficar cada vez mais limitadas”. “O reforço da prevenção, a ampliação dos testes antimicrobianos e a promoção do diagnóstico oportuno são, portanto, essenciais para detectar cepas resistentes precocemente, limitar a propagação e manter a gonorreia como uma doença tratável”, afirmou.
Nesse contexto, e com base na avaliação de riscos sobre o assunto publicada por essa entidade, a mesma destacou que o referido aumento de casos de gonorreia resistente aos medicamentos na Europa foi comparado com dados de 2022 e com base em relatórios de 11 países. Assim, esse risco, embora seja baixo em geral, “é maior entre as pessoas que mantêm relações sexuais sem preservativo ou outros meios de proteção com parceiros casuais ou novos”, afirma o documento.
Esse risco também está aumentando entre “pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou que trocam de parceiros com frequência, profissionais do sexo e seus clientes, e entre aqueles que viajam para regiões com alta prevalência de cepas de gonorreia resistentes aos medicamentos”, prosseguiu, para acrescentar que “as detecções precoces de casos resistentes à ceftriaxona na Europa têm sido associadas à importação de áreas com maior circulação dessas cepas resistentes, particularmente do sudeste asiático”, que “continua sendo a principal via de introdução na Europa”.
UMA DAS ISTS MAIS COMUNS
A esse respeito, o EDCD lembrou que a gonorreia “é uma das infecções bacterianas de transmissão sexual (ISTs) mais comuns em nível mundial, com uma estimativa de 82 milhões de infecções relatadas a cada ano”. “Em 2024, foram confirmados mais de 106.000 casos de gonorreia em toda a União Europeia (UE)/Espaço Econômico Europeu (EEE), o maior número de notificações desde o início da vigilância da UE, em 2009”, destacou.
Nesse sentido, informou que, se essa infecção não for tratada, “pode causar complicações graves, como doença inflamatória pélvica, infertilidade e gravidez ectópica”. Por isso, ela enfatizou que a prevenção “continua sendo simples com o uso correto e consistente de preservativos ou outros métodos de barreira durante as relações sexuais”.
Além disso, fez um apelo para a realização de exames regularmente, “especialmente após ter relações sexuais com parceiros novos, casuais ou múltiplos, e procurar fazer exames após uma possível exposição”. Por sua vez, dirigindo-se às autoridades, defende a “vigilância contínua da resistência aos antimicrobianos gonocócicos, testes de suscetibilidade aos antimicrobianos, manejo clínico eficaz e medidas de prevenção específicas para limitar a propagação”.
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