Publicado 14/03/2026 04:11

Duas semanas de ofensiva no Irã: a guerra se intensifica e se estende até o Estreito de Ormuz

Archivo - Arquivo - 30 de dezembro de 2022, Irã, Estreito de Ormuz: Soldados da Marinha iraniana participam do exercício militar anual na zona costeira do Golfo de Omã e nas proximidades do estratégico Estreito de Ormuz. Foto: Gabinete do Exército Iranian
Iranian Army Office/ZUMA Press W / DPA - Arquivo

MADRID 14 mar. (EUROPA PRESS) -

A guerra no Irã, iniciada pela ofensiva surpresa dos Estados Unidos e de Israel, completa sua segunda semana em plena intensificação dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra meios navais no Irã, enquanto Teerã, já sob a liderança de Mojtaba Jamenei, reforçou os ataques contra países vizinhos e transferiu o teatro de guerra para a estratégica passagem de Ormuz.

Quatorze dias após os ataques iniciais que decapitaram a República Islâmica, o Pentágono afirma ter atacado mais de 6.000 alvos em solo iraniano, perseguindo sua ideia de dizimar a capacidade de lançar mísseis e drones com bombardeios contra diferentes ramos do Exército iraniano e da Guarda Revolucionária. De qualquer forma, nos últimos dias a ofensiva aérea transferiu-se para o meio marítimo, com ataques contra mais de 90 meios navais iranianos. Agora Washington insiste que a estratégia “prioritária” passa agora pela destruição de meios navais, desde navios minadores até bases navais. “Eles perderam sua Marinha, perderam sua Força Aérea, não têm antiterrorismo. Não têm radar, seus líderes desapareceram, e poderíamos ser muito piores”, alertou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nos últimos dias vem repetindo que cada dia é o mais “intenso” nos ataques contra Teerã.

Por outro lado, a República Islâmica levou a guerra a uma dezena de países, incluindo mísseis que foram interceptados pelas baterias antiaéreas da OTAN na Turquia, e o conflito já cobrou sua primeira vítima europeia, o sargento-mor Arnaud Frion, que perdeu a vida no ataque contra uma base militar em Erbil, na região semiautônoma do Curdistão iraquiano.

As baixas americanas subiram para dez após a confirmação da morte dos seis ocupantes do avião-tanque americano que caiu no Iraque, em um incidente que, segundo o Exército dos EUA, “não foi causado” por disparos contra a aeronave.

ESTREITO DE ORMUZ, NOVO CENÁRIO DE GUERRA De qualquer forma, o conflito já se transferiu para um novo teatro de operações nos últimos dias: o estreito de Ormuz. Este é o novo cenário de guerra que atrai a atenção internacional depois que o Irã atacou, no âmbito de suas represálias, navios mercantes e petroleiros que transitam pela zona, colocando em risco a navegação por uma via fundamental para o comércio mundial, a ponto de transformar em alvo qualquer instalação ligada à região, como demonstrou o ataque norte-americano nesta madrugada na ilha de Jark.

Um dos principais pontos de estrangulamento para o comércio, por onde passa cerca de um quinto dos suprimentos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, registrou seis ataques contra navios mercantes em apenas 48 horas, embora o total de cargueiros atingidos por projéteis seja de 18 desde o início da guerra no Irã.

Os ataques foram reivindicados pela Guarda Revolucionária, que insiste que “os agressores americanos e seus parceiros não têm o direito de passar” e exige que “se obtenha permissão do Irã” para transitar por esta zona onde se encontra a estratégica ilha de Jark, um dos epicentros da indústria petrolífera do Irã. E, em plena escalada pela passagem estratégica, o presidente do Parlamento do Irã, Mohamed Baqer Qalibaf, advertiu que Teerã “tingirá de sangue dos invasores” o Golfo Pérsico se ocorrerem ataques contra ilhas sob soberania iraniana no estreito.

A crescente militarização da zona fica evidente com o alerta do Comando Central do Exército dos Estados Unidos para que civis evitem as instalações portuárias utilizadas pelo Irã, avisando que esse tipo de estrutura será "alvo legítimo" se for empregada para fins militares.

Da mesma forma, tem-se especulado que o Irã poderia ter começado a minar a passagem fluvial, embora o próprio Trump tenha afirmado não dispor de dados que comprovem que Teerã tenha dado esse passo após tê-lo sinalizado anteriormente; nem a França nem a Alemanha endossaram as acusações. “Se o Irã colocou minas no Estreito de Ormuz, e não temos informações de que o tenha feito, queremos que as retirem imediatamente”, afirmou Trump, depois que Washington informou ter destruído mais de uma dezena de navios minadores do Irã.

Diante dessa situação e com o barril de Brent ultrapassando a marca dos 100 dólares, os Estados Unidos, apesar de considerarem escoltar navios diante das manobras do Irã, reconheceram que a Marinha americana “ainda não está pronta” para realizar essas operações no estreito, onde o tráfego foi reduzido ao mínimo.

Enquanto as potências europeias, lideradas pela França, trabalham em uma possível mobilização naval para garantir o comércio de petróleo na região, o plano conta, por enquanto, com mais dúvidas do que certezas, e países como Espanha ou Alemanha já se distanciaram da iniciativa. Diante da crescente incerteza, os Estados Unidos enviam sinais contraditórios, com seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, insistindo que “não há com o que se preocupar”, já que os Estados Unidos “não permitirão que a zona permaneça em disputa” ou que “o fluxo do comércio” marítimo seja interrompido.

Aos olhos de Washington, os ataques do Irã na região são uma demonstração do “absoluto desespero” da República Islâmica, que, sob a liderança do recém-nomeado líder supremo Mojtaba Jamenei, filho do falecido Ali Jamenei, tem insistido que Ormuz é um elemento-chave na resposta à agressão dos americanos e israelenses.

Em sua primeira mensagem à nação, um texto publicado por seu gabinete nas redes sociais — já que não surgiram vídeos nem gravações do novo líder —, Jamenei (sobre quem já pesa uma recompensa norte-americana de nove milhões de euros) prometeu “vingar o sangue dos mártires”, em particular o ataque que deixou mais de 160 estudantes mortos na escola de Minab, no sul do Irã. Sobre o bloqueio em Ormuz, o novo líder iraniano destacou que se trata de uma “alavanca” que o Irã “deve continuar usando”, em uma clara demonstração de apoio a essa tática.

SEM PRAZOS PARA ENCERRAR A GUERRA Sem entrar em muitos detalhes operacionais e com mensagens vagas, Trump insiste que a guerra está avançando “muito bem” nas duas semanas de ofensiva conjunta com Israel, embora continue enviando sinais contraditórios sobre o prazo previsto para concluir a ofensiva e reitere que ordenará o fim quando “sentir isso nos ossos”.

O governo americano evita a todo custo dar a impressão de se atolar em uma guerra cujo fim não se vislumbra e, em todos os momentos, nega as semelhanças com a invasão do Iraque em 2003.

Por outro lado, alguns parceiros internacionais, como a França ou a Alemanha, que inicialmente apoiaram a ofensiva contra o Irã, estão demonstrando dúvidas em relação ao “roteiro” de Washington. Assim, o chanceler alemão, Friedrich Merz, lamenta que não haja um plano claro para encerrar o conflito e lamenta as consequências econômicas que pode acarretar um conflito no qual não estão envolvidos.

“A Alemanha não faz parte desta guerra e também não queremos fazer parte dela”, sublinhou, enquanto as autoridades francesas, sempre segundo a versão do Irã, mantiveram contatos com a República Islâmica “para impedir a guerra”.

Do lado da Itália, a primeira-ministra, Giorgia Meloni, aliada de destaque de Trump, manteve-se neutra em relação a uma ofensiva que considera “à margem do Direito Internacional”, mas que atribui a uma crise do sistema internacional que faz com que “as ameaças se tornem cada vez mais assustadoras e se multipliquem as intervenções unilaterais”. Ela insiste que o país não participa nem participará da ofensiva e se recusou a ser “cúmplice das decisões de outros”, no que diz respeito a ataques como o da escola de Minab, sobre o qual se manifestou de forma muito crítica.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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