Publicado 29/10/2026 12:22

Dois séculos de evolução para comemorar o Dia Mundial da Programação: de Ada Lovelace ao “vibe-coding” com IA

Archivo - Arquivo - 1981 - IBM, programa de aprendizagem de programação, programador, desktop, disco rígido, impressora, interface, DOS
Keystone Pictures USA / Zuma Press / Europa Press

MADRID 29 out. (Portaltic/EP) -

Nesta quinta-feira, comemora-se o Dia Mundial da Programação, em um momento de profunda transformação da programação, que passou por marcos como os fundamentos teóricos formulados por Turing no século XX, o movimento do “software” livre no final do mesmo século ou o surgimento da Inteligência Artificial (IA), que representou um passo em direção à democratização da programação, aproximando-a de pessoas sem conhecimentos técnicos.

Os Estados-membros da UNESCO designaram o dia 29 de outubro como o Dia Mundial da Programação em 2024 para reconhecer o papel que a programação tem desempenhado no mundo digital atual, no qual um celular permite, por meio da linguagem natural com IA, criar aplicativos móveis ou experiências de usuário — algo que, há apenas alguns anos, não era possível.

Na Entelgy, The BusinessTech Consultancy, analisaram as origens e a evolução da programação desde as primeiras linguagens — quando, no século XIX, Ada Lovelace, a matemática e escritora britânica considerada a primeira programadora de computadores da história, concebeu um dos primeiros algoritmos destinados a serem executados por uma máquina — até o impacto que o uso da linguagem natural da IA está causando atualmente na programação. Um exemplo recente é o da Epic Games, criadora do Fortnite, que confirmou que utiliza o “vibe-coding” no Unreal Engine.

“Nossa dependência da tecnologia digital é absoluta. Cada aplicativo, cada transação bancária e cada infraestrutura crítica depende do código”, destaca o chefe de Tecnologia e IA da Entelgy, Jorge Herrero, para em seguida esclarecer que “o futuro do desenvolvimento de software não passa apenas por torná-lo mais acessível por meio da IA, mas por garantir que seja robusto, ético e seguro desde sua concepção”.

DE TURING ÀS PRIMEIRAS LINGUAGENS DE PROGRAMAÇÃO

Se, nas décadas seguintes às bases teóricas de Turing, formuladas em 1936, as primeiras linguagens de programação e os avanços na tradução de instruções em código permitiram desenvolver aplicações científicas com mais facilidade, foi na década de 1960 que essa disciplina se consolidou para se expandir além do âmbito científico e lançar as bases para a posterior revolução digital.

As décadas de 1960 e 1970 foram essenciais para que as linguagens de programação permitissem codificar instruções mais estruturadas, com exemplos como a linguagem C, que, somada à expansão dos computadores pessoais no início dos anos 80, contribuiu para que cada vez mais pessoas se iniciassem na programação.

O surgimento da internet foi outro dos motivos que levaram à expansão do aprendizado dessa disciplina e impulsionou, sobretudo, o movimento do “software” livre, que, graças à sua essência de compartilhar o código-fonte para que uma comunidade de desenvolvedores pudesse modificar e compartilhar programas, promoveu uma nova forma, mais colaborativa, de desenvolver “software”.

A colaboração entre desenvolvedores conectados pela internet, graças a ferramentas como o Git, projetado por Linus Torvalds (criador do Linux), colocou o verbo “colaborar” em destaque, principalmente por ser o motor central que, a partir dos anos 2000, fez com que a “nuvem” (cloud) começasse a se tornar conhecida como a computação em nuvem para armazenar dados, usar aplicativos e desenvolver serviços pela internet.

A NUVEM, O “STREAMING” E OS CELULARES

O software livre foi a base para que a própria nuvem AWS da Amazon, lançada em meados dos anos 2000, estabelecesse os alicerces do gigante que a empresa norte-americana é hoje, principalmente no aspecto financeiro, já que surgiu com base no Linux e em outras tecnologias de código aberto para reduzir os custos de seus centros de dados.

Hoje, o Linux suporta 90% da carga de trabalho da nuvem pública. Ou seja, o setor de “cloud” não teria sido economicamente viável se as grandes empresas tivessem que pagar por licenças de “software” proprietário.

Há outro ator importante na história da programação: o Spotify, um dos grandes exemplos de plataforma de streaming para distribuição digital, ao resolver o desafio da latência em 2008 com sua arquitetura híbrida P2P, e estabeleceu as bases operacionais para a distribuição em massa de dados, enquanto a Netflix levava a engenharia de streaming um passo adiante com a migração para a nuvem e a distribuição adaptativa de vídeo.

Essas tecnologias aproveitaram a chegada dos dispositivos móveis, das redes sociais e dos serviços digitais para consolidar a presença do “software” na vida cotidiana de milhões de pessoas em todo o mundo. Um salto no qual o iOS e o Android foram fundamentais como sistemas operacionais móveis: o primeiro, de código fechado e lançado com o primeiro iPhone em 2007, e o segundo, que surgiu em 2008 com base no kernel do Linux e como um projeto de código aberto.

Isso não significa, porém, que a rápida evolução do mundo digital tenha ocorrido sem os riscos envolvidos pelo “software” malicioso, como o Stuxnet em 2010, e a vulnerabilidade Heartbleed em 2014, o que fez com que termos como “phishing” e “malware”, entre outros, passassem a fazer parte da vida das pessoas em todas as formas possíveis de ataques cibernéticos.

A IA DEMOCRATIZA A PROGRAMAÇÃO

Por fim, se a IA representou uma mudança de paradigma na programação, devido principalmente ao uso da linguagem natural que a torna acessível a qualquer pessoa, no âmbito profissional e industrial ela representou um avanço evolutivo que reduziu os tempos de “debugging”, detecção de “bugs” e otimização do sistema.

Uma mudança que se reflete na capacidade da Microsoft de resolver mais de 1.400 vulnerabilidades de segurança em seus produtos na última atualização lançada em outubro deste ano, quando, até alguns anos atrás, corrigia, em média, entre 60 e 80 falhas por mês; ou no fato de a Epic ter confirmado que utiliza o “vibe-coding” para desenvolver código e recursos do Unreal Engine, um dos motores de jogos mais difundidos e utilizado por alguns dos estúdios de videogames mais importantes do setor.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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