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MADRID 30 set. (EUROPA PRESS) -
O uso combinado de pemafibrato e telmisartan, dois medicamentos já utilizados em todo o mundo para tratar o risco cardiovascular, poderia ajudar a tratar a doença hepática metabólica (MASLD), a patologia hepática mais comum, de acordo com um estudo liderado pela Universidade de Barcelona, que trabalhou com modelos animais.
As descobertas, publicadas na Pharmacological Research, abrem as portas para o desenvolvimento de tratamentos mais seguros e eficazes para essa doença hepática, que atualmente tem opções terapêuticas muito limitadas.
De acordo com os pesquisadores, até agora, a maioria dos novos compostos estudados para o tratamento da doença hepática metabólica fracassou em testes clínicos por vários motivos, incluindo questões de segurança. Portanto, para esse estudo, eles optaram por reutilizar medicamentos com um perfil de efeitos adversos conhecido e aceitável em humanos.
Eles usaram o pemafibrato e o telmisartan, já comercializados - o primeiro apenas no Japão - para o tratamento de hiperlipidemia e hipertensão, respectivamente. Para confirmar sua eficácia e explorar seu mecanismo de ação na MASLD em estágio inicial, eles os aplicaram em um modelo de rato da doença e, posteriormente, em um modelo de zebrafish larval.
Os resultados mostram que a combinação dos dois medicamentos reverte o acúmulo de gordura no fígado induzido por uma dieta rica em gordura e frutose. Além disso, no modelo de rato, a administração combinada de meia dose de pemafibrato e meia dose de telmisartana foi considerada tão eficaz quanto uma dose completa de qualquer um dos medicamentos na redução do acúmulo de gordura.
"A terapia combinada com medicamentos que atuam em diferentes vias patogênicas pode ser uma estratégia melhor do que a monoterapia, graças aos possíveis efeitos sinérgicos e à redução da toxicidade relacionada ao uso de doses menores de cada medicamento", disse Marta Alegret, professora da Faculdade de Farmácia e Ciências da Alimentação da UB e líder da equipe de pesquisa.
A combinação desses dois medicamentos seria benéfica não apenas para a doença hepática, mas também porque "reduz a pressão arterial e os níveis de colesterol, e tudo isso resultaria em um menor risco cardiovascular", disse ela.
DIFERENTES MECANISMOS DE REDUÇÃO DE LIPÍDIOS
O estudo também constatou que cada medicamento funciona por mecanismos diferentes e descreve, pela primeira vez, o papel fundamental da proteína PCK1 na redução de lipídios hepáticos derivada do telmisartan. "O telmisartan é um fármaco que foi usado em outros modelos de MASLD, mas principalmente em estágios mais avançados da doença, e seus efeitos benéficos foram atribuídos principalmente a efeitos anti-inflamatórios e antifibróticos. Mas nos estágios iniciais da doença ainda não há inflamação ou fibrose, apenas acúmulo de lipídios", explica ela.
Os pesquisadores descobriram que, nos fígados de animais com MASLD, a quantidade de proteína PCK1 estava reduzida e que o tratamento com telmisartan restaurou seus níveis ao normal. "Esse aumento da PCK1 desvia o fluxo de metabólitos da síntese de lipídios para a síntese de glicose. Esse aumento na produção de glicose poderia ser negativo se a glicose fosse exportada e acumulada no sangue, pois poderia levar ao diabetes, mas vimos que esse não é o caso", disse Alegret.
No entanto, os pesquisadores ressaltaram que, para aplicar esses resultados a pacientes humanos com MASLD, ainda são necessários estudos clínicos para mostrar que os benefícios observados em modelos animais também ocorrem em humanos.
De qualquer forma, os resultados levantam novas questões, como, por exemplo, se os medicamentos serão igualmente eficazes em estágios mais avançados da doença, quando a fibrose está presente. Por esse motivo, a equipe de pesquisa já está trabalhando em novos estudos com modelos animais de fibrose hepática induzida por dieta e desenvolverá um modelo duplo com fibrose hepática e doença cardiovascular para verificar se também é observada uma redução na aterosclerose.
A pesquisa foi realizada por uma equipe liderada por Marta Alegret, professora da Faculdade de Farmácia e Ciências da Alimentação da UB, do Instituto de Biomedicina da mesma universidade (IBUB) e da Área de Fisiopatologia da Obesidade e Nutrição do CIBER (CIBEROBN). O trabalho foi realizado em colaboração com pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, do Hospital Clínic de Barcelona, da Área de Doenças Cardiovasculares do CIBER (CIBERCV) e da Universidade de Uppsala (Suécia).
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