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MADRID 18 set. (EUROPA PRESS) -
O chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Universitário La Luz, de Madri, David Andrés Pérez Martínez, destacou que o tratamento da doença de Alzheimer está passando por uma “dupla transformação”, com ferramentas diagnósticas mais precisas e tratamentos inovadores capazes de retardar a progressão da doença em determinados casos.
No âmbito do Dia Mundial do Alzheimer, Pérez Martínez, presidente da Fundação Alzheimer Espanha, explicou que um dos principais avanços mais recentes está no desenvolvimento de biomarcadores capazes de detectar alterações biológicas relacionadas à doença.
Um dos marcadores que mais desperta interesse é a proteína p-tau217, útil na detecção de alterações associadas à doença de Alzheimer. O especialista destacou que um teste automatizado baseado nessa proteína recebeu recentemente a marcação CE, o que representa um avanço para facilitar sua incorporação à prática clínica.
Embora os biomarcadores plasmáticos representem uma “mudança muito importante”, Pérez ressaltou que esses exames não substituem a avaliação médica. “Os resultados sempre devem ser interpretados no contexto da avaliação neurológica, cognitiva e clínica do paciente e, quando necessário, em conjunto com outros exames complementares”, explicou.
Além disso, ele destacou que essa inovação no diagnóstico pode ser especialmente útil à medida que os tratamentos modificadores da doença são incorporados ao arsenal terapêutico, uma vez que uma identificação mais precisa dos pacientes e do estágio da doença permite avaliar melhor as diferentes opções.
ÁREA TERAPÊUTICA
Em segundo lugar, o neurologista destacou a transformação no âmbito terapêutico, após a autorização na União Europeia das primeiras terapias anti-amiloides, que atuam sobre um dos mecanismos biológicos relacionados à doença para retardar o deterioramento cognitivo e funcional em determinados pacientes em fases iniciais.
“Pela primeira vez, contamos com tratamentos que não se limitam a aliviar determinados sintomas (...). É um avanço muito relevante, mas devemos transmiti-lo com rigor: não estamos falando de uma cura nem de recuperar o que foi perdido, mas de tentar preservar por mais tempo as capacidades e a autonomia”, precisou ele.
Conforme explicou Pérez, o uso dessas terapias deve ser precedido por uma seleção cuidadosa dos pacientes, que leve em conta critérios clínicos, diagnósticos e de segurança, além de ser acompanhado por um acompanhamento especializado.
Nesse ponto, o especialista pediu “prudência”, pois os novos tratamentos, embora tenham fundamentação científica, precisam comprovar sua eficácia e segurança, ao mesmo tempo em que é preciso identificar quais pacientes podem obter um benefício real com eles.
PESQUISA E CUIDADOS CEREBRAIS
David Andrés Pérez destacou que esses avanços ocorrem paralelamente a uma intensa atividade de pesquisa centrada em novos alvos biológicos, novos tratamentos e estratégias destinadas a intervir cada vez mais precocemente no curso da doença.
Além disso, ele destacou que as medidas de prevenção e as intervenções não farmacológicas continuam sendo essenciais na abordagem integral da doença de Alzheimer, incluindo exercícios físicos adaptados, alimentação saudável baseada na dieta mediterrânea, estimulação cognitiva e relações sociais.
Na mesma linha, ele se referiu ao controle de fatores de risco vasculares, como hipertensão arterial, diabetes e colesterol. “Os avanços farmacológicos são uma parte muito importante dessa nova etapa, mas não substituem todo o resto”, ressaltou.
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