NISH NIZAR; MUSEUMS VICTORIA
MADRID 23 jul. (EUROPA PRESS) -
Os invertebrados das profundezas do mar migraram silenciosamente por oceanos inteiros durante milhões de anos, conectando ecossistemas da Islândia à Tasmânia.
Publicado na Nature, um novo estudo baseado na análise de DNA de milhares de espécimes coletados em centenas de viagens de pesquisa e preservados em museus de história natural em todo o mundo mapeou a distribuição global e as relações evolutivas das estrelas quebradiças (Ophiuroidea), os antigos animais espinhosos encontrados desde águas costeiras rasas até as planícies abissais mais profundas, e do equador aos polos.
Esse conjunto de dados sem precedentes oferece novas percepções convincentes sobre como a vida marinha evoluiu e se dispersou pelos oceanos nos últimos 100 milhões de anos.
"Você pode pensar que o mar profundo é remoto e isolado, mas para muitos animais do fundo do mar, ele é na verdade uma superestrada conectada", disse o Dr. Tim O'Hara, curador sênior de invertebrados marinhos do Museums Victoria Research Institute e principal autor do estudo.
"Ao longo do tempo, as espécies de águas profundas expandiram suas áreas de distribuição em milhares de quilômetros. Essa conectividade é um fenômeno global que passou despercebido, até agora."
Este é o estudo mais abrangente do gênero, usando o DNA de 2.699 espécimes de estrelas frágeis mantidos em 48 museus de história natural em todo o mundo. Esses animais, que vivem na Terra há mais de 480 milhões de anos, são encontrados em todos os fundos oceânicos, mesmo em profundidades de mais de 3.500 metros.
DISSEMINAÇÃO GLOBAL SEM NADADEIRAS E SEM ASAS
Ao contrário da vida marinha de águas rasas, que é restrita por limites de temperatura, os ambientes de águas profundas são mais estáveis e permitem que as espécies se dispersem por grandes distâncias. Muitas estrelas do mar produzem larvas ricas em gema que podem viajar ao longo das correntes oceânicas profundas por longos períodos, o que lhes permite colonizar grandes regiões.
"Esses animais não têm nadadeiras ou asas, mas mesmo assim conseguiram atravessar oceanos inteiros", disse o Dr. O'Hara. "O segredo está em sua biologia: suas larvas podem sobreviver por muito tempo em águas frias, movendo-se em correntes lentas e profundas.
A pesquisa mostra que as comunidades do fundo do mar, especialmente em latitudes temperadas, estão mais intimamente relacionadas entre regiões do que suas contrapartes de águas rasas. Por exemplo, os animais marinhos do sul da Austrália compartilham laços evolutivos estreitos com os do Atlântico Norte, do outro lado do planeta.
Entretanto, as profundidades marinhas não são uniformes. Embora as espécies possam se expandir amplamente, fatores como extinções, mudanças ambientais e geografia criaram uma diversidade de biodiversidade no fundo do mar.
"É um paradoxo. O mar profundo é muito conectado, mas também é incrivelmente frágil", disse o Dr. O'Hara. Compreender como a vida se distribui e se move por esse vasto ambiente é essencial para protegê-lo, especialmente diante das crescentes ameaças da mineração em alto-mar e das mudanças climáticas.
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