Diego Radamés - Europa Press - Arquivo
MADRID 8 set. (EUROPA PRESS) -
O diretor geral de Saúde Pública, Pedro Gullón, enfatizou na segunda-feira a importância de combater a obesidade a partir de uma perspectiva de gênero, apesar de reconhecer que a prevalência de obesidade e sobrepeso é maior em homens do que em mulheres, e explicou que essa abordagem nos permite entender como a masculinidade e os papéis masculinos desempenham um papel na obesidade.
Embora os dados da Pesquisa de Saúde Espanhola 2023 mostrem uma prevalência de obesidade semelhante entre homens (15,2%) e mulheres (15,1%), as diferenças são acentuadas no caso do sobrepeso, em que quase metade dos homens (47,03%) está acima do peso, em comparação com 32,86% das mulheres.
"Muitas vezes, as pessoas têm uma visão muito simplista e dizem: bem, a prevalência da obesidade é maior nos homens. Então, por que temos que nos preocupar com isso do ponto de vista do gênero? Essa é uma visão muito fechada do que podemos fazer", explicou Gullón durante uma conferência organizada pela Servimedia.
Nesse sentido, Gullón enfatizou que o comportamento de risco e abusivo é "muito mais frequente" nos homens devido aos papéis de gênero, algo que "sempre" deve ser levado em consideração.
No entanto, ele ressaltou que a obesidade não tem uma única causa e que não pode ser combatida com "comer menos e fazer mais exercícios", pois também é condicionada pelos determinantes sociais da saúde, como o tempo disponível, o bairro em que se vive ou o emprego que se tem, entre outros.
Gullón também destacou que alguns determinantes, como a disponibilidade de tempo para cozinhar ou para "assumir o controle" da própria vida, o que implica ter tempo para se exercitar ou ter um sono de qualidade, afetam "mais especificamente" as mulheres, que tendem a ter um número maior de funções de cuidado, o que se traduz em menos tempo disponível.
UMA VIDA "MAIS COMPLICADA" PELO ESTIGMA
Outro ponto a ser levado em conta é que as mulheres com sobrepeso têm uma vida "mais complicada" porque precisam lidar com papéis estéticos e de beleza "muito mais complicados e exaustivos", o que leva a casos de estresse psicossocial.
Por isso, ela pediu que essa situação seja abordada sem estigmatizar os corpos e levando em conta que há situações que têm um risco maior de levar a certas doenças, levando em conta tanto os determinantes sociais da saúde quanto a perspectiva de gênero, e incluindo as diferenças biológicas entre homens e mulheres.
"O estigma em relação à obesidade agrava suas consequências sobre a saúde física e mental, gerando discriminação no trabalho, nos centros de saúde e nas instituições educacionais", acrescentou Gullón.
Para concluir seu discurso, ele insistiu na necessidade de treinar os profissionais de saúde no tratamento "respeitoso e empático", na compreensão da obesidade como uma doença crônica multifatorial, bem como em evitar atitudes de culpabilização. Ela também pediu a criação de ambientes inclusivos e protocolos contra a discriminação de peso.
RECONHECIMENTO LEGAL DA OBESIDADE COMO UMA DOENÇA
A segunda vice-presidente da Comissão de Saúde do Senado, María Dolores Flores, enfatizou que o reconhecimento legal da obesidade como uma doença, juntamente com uma perspectiva de gênero e levando em conta fatores como ansiedade, depressão e baixa autoestima, permitiria um acesso "mais justo" aos recursos sociais e de saúde.
Depois disso, ela enfatizou que a Agência Estadual de Saúde Pública já reconhece que a saúde não depende apenas do sistema de saúde, mas também leva em conta os fatores sociais, econômicos, culturais e ambientais que influenciam mulheres e homens de forma diferente. Ela também elogiou outras iniciativas do governo, como o Plano Estratégico para a Redução da Obesidade Infantil, a Estratégia para o Enfrentamento da Cronicidade no Serviço Nacional de Saúde e a lei para garantir que a merenda escolar seja saudável, nutritiva e sustentável.
"Legislar com medidas de gênero significa atender não apenas ao corpo, mas também aos contextos e às vidas das pessoas, para que todos tenham as mesmas oportunidades de crescer, de viver com saúde e dignidade", acrescentou.
A porta-voz do Grupo Parlamentar Plurinacional Sumar na Comissão de Saúde do Congresso dos Deputados, Alda Recas Martín, falou na mesma linha, defendendo as ações do Ministério da Saúde quando se trata de colocar os determinantes sociais "em todos os lugares".
Recas também enfatizou a importância de criar políticas de conciliação, especialmente para famílias monoparentais, referindo-se ao fato de que a maioria dos cuidados recai sobre as mulheres, como forma de combater a obesidade.
A porta-voz do Grupo Parlamentar Basco na Comissão de Saúde do Senado, Nerea Ahedo Ceza, também concordou que a inclusão do enfoque de gênero é "fundamental" para combater essa patologia, que em "muitas ocasiões" não é considerada como tal, apesar de ser a doença metabólica mais prevalente.
Durante seu discurso, Ahedo falou sobre algumas iniciativas realizadas no País Basco que tentaram incluir um enfoque de gênero, mas que não foram "específicas" para a obesidade.
Ela destacou uma estratégia de saúde comunitária na qual se busca o "empoderamento" dos cidadãos em termos de saúde, trabalhando "de forma muito próxima" e envolvendo a administração.
"Trabalhar com a comunidade e entender que os serviços de saúde são fundamentais, mas não resolvem tudo. E, no caso da obesidade, se abordarmos o problema apenas com os serviços de saúde, acho que estamos fadados ao fracasso", concluiu.
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