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MADRID 2 jun. (EUROPA PRESS) -
O setor de saúde espanhol enfrenta desafios como a digitalização, a falta de profissionais, a revisão do modelo de seguro e a necessidade de inovação constante e o surgimento de terapias personalizadas, de acordo com o relatório "Capital privado no setor de saúde: chaves para gerar valor em um setor de alto potencial", elaborado pela empresa de consultoria EY.
Os autores do relatório destacam que a digitalização e a incorporação de tecnologia no setor de saúde estão transformando o acesso e a gestão dos serviços de saúde. "A adoção de ferramentas tecnológicas, como a telemedicina, dispositivos vestíveis e plataformas digitais, facilita o monitoramento contínuo e personalizado da saúde", afirmam.
Para os autores, essa transformação melhora a qualidade do atendimento e também impulsiona o crescimento do setor, "oferecendo novas oportunidades de inovação na área da saúde".
Por outro lado, o documento destaca as longas listas de espera e a escassez de profissionais no setor público: um total de 848.340 pacientes estavam na lista de espera para cirurgia no Sistema Nacional de Saúde (NHS) até o primeiro semestre de 2024, o que representa um aumento de 3,46% em relação ao mesmo período do ano passado.
O relatório destaca que a Espanha tem um dos níveis mais baixos de enfermeiros por habitante: 6,2 por mil habitantes, em comparação com uma média de 8,4 na União Europeia. "O problema é agravado pela falta de planejamento adequado por parte das autoridades de saúde. Além disso, há cada vez mais médicos em exercício dedicados exclusivamente à prática privada (estimados em quase 30% atualmente)", argumentam.
Como solução, eles propõem um maior ecossistema de saúde privada, bem como uma maior colaboração público-privada por meio de acordos.
A ESPANHA É O QUARTO PAÍS DA EUROPA QUE MAIS INVESTE EM SAÚDE
O relatório também destaca que a Espanha é o quarto país da Europa que mais investe em saúde, com 134.000 milhões de euros, superada pela Alemanha (489 bilhões), França (313 bilhões) e Itália (176 bilhões).
O documento destaca que, nos últimos quatro anos, os gastos públicos e privados em saúde cresceram anualmente mais de 7% na Espanha, chegando a aproximadamente 99 bilhões de euros em saúde pública (7,4% do PIB) e 35 bilhões em gastos privados (2,6% do PIB).
Assim, o gasto público equivale a 7,4% do PIB, o que coloca a Espanha em décimo lugar na União Europeia, em termos relativos. Essa porcentagem se traduz em um gasto médio de 2.079 euros por habitante, um valor inferior ao de outras economias comparáveis.
Os gastos com saúde pública estão concentrados nas áreas de serviços hospitalares e especializados, que recebem a maior parte do orçamento público, com 60,7%, farmácia, que responde por 14,7%, e serviços de atenção primária, que recebem 14,3%.
"O setor de saúde tem uma saúde sólida e espera-se que cresça nos próximos anos, com um forte foco em pesquisa. É fundamental acompanhar seus movimentos e antecipar oportunidades. O crescente investimento em saúde, tanto público quanto privado, é um bom presságio para o futuro da saúde na Espanha. A colaboração entre os dois setores é fundamental para maximizar os recursos e enfrentar os desafios", disse Borja Sangrador, sócio responsável pelo setor de Saúde e Ciências da Vida da EY.
Esse setor gerou mais de 23 bilhões de euros em receitas e criou mais de 54.000 empregos diretos e 210.000 empregos indiretos. Nesse contexto, os aumentos anuais nos setores público e privado estão em torno de 4%. Em termos de gastos farmacêuticos per capita, a Espanha está na faixa média-alta, com 477 euros por habitante, acima da média europeia, embora ainda abaixo de países líderes como a Alemanha (629 euros/habitante) e a Bélgica (761 euros/habitante).
No campo da tecnologia de saúde, o faturamento anual combinado ultrapassa 11 bilhões de euros, sendo que as exportações representam 44% desse total. Esse setor gerou mais de 32.000 empregos diretos e cerca de 100.000 empregos indiretos. Ele conta com 300 empresas que representam mais de 80% do mercado nacional.
TENDÊNCIAS DE INVESTIMENTO EM PRIVATE EQUITY
Os autores do estudo destacam que mais de 80% dos fundos de private equity priorizam o setor de saúde e ciências da vida. Setenta e cinco por cento desses fundos aceitariam um prêmio de avaliação, e até 42% pagariam de 20 a 30% a mais.
Quanto aos motivos pelos quais o setor é atraente para se investir, de acordo com os especialistas, a demografia favorável se destaca para 92% dos entrevistados, enquanto o crescimento sustentado (75%) e as margens atraentes (58%) também são fatores importantes.
Além disso, em 2024, foi observado um aumento no tamanho das transações na área de saúde, impulsionado pela busca de ativos estratégicos e uma demanda crescente por soluções inovadoras. Globalmente, a Biopharma e a MedTech continuam a crescer, embora com menos transações, enquanto a Healthcare IT recuperou a atividade após um pico em 2023. "Apesar do ambiente econômico complexo, os fundos do mercado intermediário mantiveram os volumes de transações, concentrando-se em serviços de saúde e tecnologia", disse o relatório.
Na Espanha, entre 2019 e 2024, 61% das transações se concentraram em 2021-2023, sendo 2022 o ano com o maior número de negócios. Os setores mais relevantes foram os prestadores de cuidados especializados; hospitais e apoio à saúde; e "empresas farmacêuticas, que representaram aproximadamente 48,9% do total.
O interesse em produtos OTC e tecnologia de RNA aumentou, com o setor de idosos e dependentes respondendo por 9% das transações. Além disso, o relatório observa que a escassez de pessoal médico na Espanha, com 6,4 enfermeiros para cada 1.000 pessoas, contribui para o fato de que os setores com uso intensivo de pessoal respondem por quase metade de todas as transações.
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