Publicado 02/04/2025 07:16

Dieta rica em gordura aumenta o risco de metástase do câncer de mama, segundo estudo com ratos

Imagem de uma célula tumoral cercada por plaquetas.
MARTA HERGUETA / CNIO

MADRID 2 abr. (EUROPA PRESS) -

Um grupo de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer da Espanha (CNIO) descobriu em modelos animais que uma dieta rica em gordura ativa mecanismos que facilitam a metástase no câncer de mama.

O estudo, liderado pelo chefe do Grupo de Microambiente e Metástase do CNIO, Héctor Peinado, foi realizado em modelos animais de câncer de mama triplo-negativo que desenvolvem metástase no pulmão. Nesta quarta-feira, o estudo foi publicado na revista "Nature Communications".

A obesidade está associada a um maior risco de desenvolver câncer de mama e a uma maior propensão de o câncer se espalhar para outros órgãos e desenvolver metástases. Mas as causas dessa associação ainda não são bem compreendidas.

Para que o câncer se espalhe para outros órgãos, muitas células tumorais precisam deixar o tumor primário, viajar pela corrente sanguínea, aninhar-se e proliferar em outro órgão. Às vezes, o tumor primário envia moléculas que modificam o órgão-alvo com antecedência, preparando o equivalente a um ninho para as células tumorais: o chamado "nicho pré-metastático", no qual a célula tumoral pode criar raízes e desenvolver metástases.

Em seu novo estudo, o grupo do CNIO mostra que, em camundongos obesos devido à ingestão excessiva de gordura, ocorrem mudanças que facilitam a criação do nicho pré-metastático, nesse caso nos pulmões. Especificamente, a ativação das plaquetas e a capacidade de coagulação do sangue aumentam; além disso, a fibronectina, a proteína que conecta as células do tecido pulmonar, é ativada.

UMA ARMADURA DE PLAQUETAS

É um fato estabelecido que a obesidade promove a coagulação do sangue, um processo que depende de células sanguíneas chamadas plaquetas. De fato, conforme observado pela pesquisadora do CNIO e primeira autora do estudo, Marta Hergueta, em animais alimentados com uma dieta rica em gordura, as células eliminadas do tumor primário são cercadas por mais plaquetas durante sua jornada pelo sangue do que em camundongos com uma dieta normal.

Uma hipótese é que as plaquetas podem estar dificultando a detecção das células cancerosas pelas defesas do organismo: as plaquetas formam "uma armadura em torno das células tumorais, impedindo que o sistema imunológico as reconheça e as elimine", explica Peinado.

Além de influenciar as plaquetas, o grupo do CNIO descobriu que a dieta com alto teor de gordura aumenta a expressão da proteína fibronectina no tecido pulmonar, onde as células tumorais se transformam em metástase.

A fibronectina constrói o tecido que conecta as células nos pulmões, facilitando assim a criação do nicho pré-metastático que hospeda a célula tumoral. Ela também permite que a célula tumoral interaja de forma mais eficiente com as plaquetas.

"Vimos que a interação da célula tumoral com o endotélio pulmonar e com a plaqueta é regulada pela fibronectina", diz Peinado.

A combinação de ambos os fatores pela dieta gordurosa - maior ativação plaquetária e maior expressão de fibronectina - aumenta o número de possíveis metástases e facilita sua progressão. Embora o estudo tenha se concentrado no câncer de mama triplo-negativo, Peinado acredita que "esse mecanismo poderia ser extrapolado para outros tipos de tumores e outros órgãos".

ESTUDO EM PACIENTES

Para estudar as implicações desses resultados em pacientes humanos, a Unidade de Pesquisa Clínica de Câncer de Mama do CNIO, dirigida por Miguel Ángel Quintela, participou do estudo.

Após a análise de amostras de sangue de pacientes com câncer de mama triplo-negativo, obtidas antes da cirurgia e após a quimioterapia, não foi possível verificar se a obesidade representava um risco adicional para a geração de metástase. No entanto, descobriu-se que as pacientes com coagulação sanguínea aumentada - com tempo de protrombina mais curto - tinham um risco maior de recidiva em cinco anos.

Essas descobertas "poderiam ajudar a identificar fatores de risco adicionais em pacientes com câncer de mama em tratamento, contribuindo para um melhor gerenciamento clínico da doença", diz Peinado.

A METÁSTASE FOI REDUZIDA QUANDO A DIETA RICA EM GORDURA FOI ELIMINADA

O trabalho, realizado em colaboração com outras unidades do CNIO e outros centros na Espanha e no Canadá, também explorou os caminhos iniciais para a aplicação clínica dos resultados. Uma delas foi a modificação da dieta em modelos animais. Quando a dieta rica em gordura foi retirada e os camundongos perderam peso, o comportamento das plaquetas e da coagulação voltou aos níveis normais. Como resultado, a metástase foi reduzida.

"Acredito que esses resultados, juntamente com estudos clínicos de outros grupos, apresentam um futuro no qual a intervenção dietética ou as mudanças na dieta, juntamente com o controle da atividade plaquetária, podem aumentar a eficiência de determinados tratamentos antitumorais. Eles não vão constituir um tratamento em si, mas podem complementá-los", concluiu Peinado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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