Publicado 03/06/2026 08:20

A “dieta anticâncer” não existe, mas está claro que a alimentação tem muito a ver com o câncer, segundo um especialista

Archivo - Arquivo - Frutas e vegetais crus variados, comida vegana
MEDITERRANEAN/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 3 jun. (EUROPA PRESS) -

O pesquisador da Universidade Rockefeller (EUA), Kivanç Birsoy, alertou que a “dieta anticâncer” não existe, mas está claro que a nutrição tem muito a ver com o câncer; “você nunca vai conseguir curar um câncer apenas com dieta, isso não vai acontecer”, enfatizou o pesquisador turco.

Portanto, a “dieta anticâncer” não existe, conforme apontado por ele e por outros participantes de um congresso recente no Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO), líderes internacionais nessa área.

No entanto, eles destacaram que não há dúvida de que a nutrição tem muito a ver com o câncer. Nos últimos anos, ficou claro que o que se come e quanto se come “é importante”. A obesidade está associada a um risco maior de desenvolver 13 tipos de câncer e a uma maior probabilidade de metástase. O que falta agora é compreender os detalhes de uma relação que é extremamente complexa.

Em seu grupo de pesquisa, analisa-se a dependência que o câncer tem de aminoácidos específicos e lipídios. Recentemente, descobriram que, em determinadas condições, alguns antioxidantes que atuam dentro dos compartimentos celulares podem favorecer o câncer. Especificamente, o glutationa ajuda as células cancerosas a metastatizar, pois permite que elas sobrevivam em condições de baixo oxigênio.

Mas é uma área de pesquisa recente, que, segundo Birsoy, ainda não chega ao paciente. “Faltam entre 5 e 10 anos para que a dieta possa complementar o tratamento do câncer, mas chegaremos lá”, diz ele. “Já temos tecnologia para aprender a relacionar a genética de cada paciente com nutrientes e tipos específicos de câncer. Mas precisamos de mais pesquisa básica, como a que é feita em centros como o CNIO, e de ensaios clínicos”, afirmou.

A DIETA PODERIA SER UM POTENTE COMPLEMENTO AO TRATAMENTO

A dieta poderia ser um potente complemento ao tratamento, já que existem nutrientes específicos que potencializam um determinado tratamento ou reduzem seus efeitos colaterais. Seria o que Eileen White, do Rutgers Cancer Institute (EUA), chama de “devolver o poder ao paciente”.

Durante o encontro, destacaram que a genômica, a proteômica e a metabolômica — além da computação e da IA, para extrair as informações relevantes do big data gerado por todas essas tecnologias — permitem investigar como nunca antes a relação entre nutrição e câncer.

O pesquisador do CNIO e também coorganizador, Nabil Djouder, colocou o foco na obesidade, cuja relação com o câncer e outras doenças é cada vez mais clara, mas ainda mal compreendida. Para começar, “nem todas as pessoas com obesidade têm maior risco de câncer; há pessoas com alto índice de massa corporal que não apresentam as patologias associadas à obesidade. Precisamos entender isso muito bem”, acrescentou Djouder.

Em uma revisão recente sobre o uso da dieta nos tratamentos contra o câncer, Djouder explicou que as dietas podem atuar diretamente no metabolismo do câncer, privando o tumor dos nutrientes de que ele precisa. No congresso, ele apresentou um de seus resultados mais recentes, sobre como a falta de uma proteína favorece o aparecimento de fibrose hepática, um passo decisivo na progressão para a cirrose e o câncer de fígado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado