LA LAGUNA (TENERIFE), 24 (EUROPA PRESS)
O Prêmio Nobel de Física de 2019, Didier Queloz, destacou em uma conferência realizada no Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC) os limites das técnicas de detecção atuais - como trânsitos e velocidades radiais - e a necessidade de avançar para métodos de imagem direta e análise atmosférica.
"Temos que passar para a geração direta de imagens; não há outra maneira", enfatizou ele, destacando que o futuro da astrofísica planetária dependerá de instrumentação óptica avançada e de telescópios de nova geração.
Queloz também abordou a busca por exoplanetas, destacando a diversidade planetária e a noção de um "universo generoso".
"O universo tem sido generoso conosco porque nunca imaginamos a enorme diversidade de planetas que existiriam", disse ele, ressaltando que essa variedade não implica que a Terra seja única, mas que há vários caminhos possíveis para a formação planetária.
Nesse sentido, ele defendeu a ideia de que a vida pode ser uma consequência natural do universo, desde que as condições planetárias sejam favoráveis por tempo suficiente.
"A busca pela vida não é mais apenas astronômica, é também geofísica e química. Um dia faremos uma imagem direta de outro planeta como a Terra, e será um momento histórico para a humanidade", explicou.
O pesquisador visitou o IAC para supervisionar a instalação de um novo espectrógrafo de alta estabilidade no Telescópio Isaac Newton (INT) no Observatório Roque de los Muchachos, em La Palma.
Esse equipamento faz parte do projeto Terra Hunting Experiment (THE), cujo foco principal é a detecção e a caracterização de exoplanetas do tipo terrestre em torno de estrelas do tipo solar.
No contexto dessa colaboração, Queloz realizou reuniões com pesquisadores do Laboratory for Innovation in Opto-Mechanics (LIOM) para discutir o progresso no desenvolvimento de tecnologias ópticas e a integração de instrumentação avançada.
Durante sua visita, Queloz realizou uma reunião de trabalho com a equipe do LIOM no IAC, onde foram discutidas possíveis sinergias em instrumentação avançada, especialmente em áreas como óptica adaptativa, interferometria de cancelamento, fotônica e inteligência artificial aplicada ao controle de telescópios.
PEQUENO TELESCÓPIO ELF
A reunião coincidiu com os preparativos para a chegada do protótipo do telescópio Small ELF, um instrumento de 3,5 metros desenvolvido pelo LIOM para testar tecnologias que possibilitarão, no futuro, a observação direta de atmosferas de exoplanetas e a busca de biomarcadores.
Durante sua interação com a equipe técnica, o professor Queloz demonstrou grande interesse nos desafios associados à instrumentação, levantando questões relevantes sobre o alinhamento dos espelhos do telescópio.
Nesse contexto, ele se referiu ao projeto SELF/ELF como uma "grande aventura científica" e desejou sucesso à equipe responsável pelo seu desenvolvimento.
Didier Queloz recebeu o Prêmio Nobel de Física em 2019, juntamente com Michel Mayor, pela descoberta do 51 Pegasi b, o primeiro planeta detectado fora do nosso sistema solar orbitando uma estrela do tipo solar.
Essa descoberta, feita em 1995 usando a técnica de velocidade radial e graças à criação de um espectrógrafo de precisão desenvolvido durante seu doutorado, inaugurou uma nova era na astronomia moderna: a ciência dos exoplanetas, informa uma nota do IAC.
Desde então, mais de 6.000 mundos foram identificados, transformando radicalmente a visão do cosmos e o lugar da Terra nele.
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