Publicado 01/09/2026 07:37

O diagnóstico precoce da síndrome ovariana metabólica poliendócrina pode proteger a fertilidade, segundo uma ginecologista

Archivo - Arquivo - Ginecologista, trompas de Falópio
GERENME/ ISTOCK - Arquivo

Estima-se que possa afetar uma em cada oito mulheres

MADRID, 1 set. (EUROPA PRESS) -

A ginecologista Elena Troncoso, do Ginemed Sevilla, destacou que o diagnóstico precoce da síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP) pode proteger a fertilidade e a saúde a longo prazo.

Estima-se que a SOMP, conhecida até agora como síndrome dos ovários policísticos (SOP), afete uma em cada oito mulheres. No entanto, muitas só recebem o diagnóstico quando tentam engravidar. Os especialistas alertam que a detecção precoce da síndrome pode melhorar o tratamento de suas implicações reprodutivas e metabólicas ao longo da vida.

Segundo Troncoso, os primeiros sintomas são mais frequentes do que parece. Assim, ela destaca que ciclos menstruais irregulares, acne persistente ou excesso de pelos acompanham muitas mulheres durante anos, sem que elas os associem a um distúrbio hormonal que pode ter consequências reprodutivas e metabólicas.

Nos últimos meses, a comunidade científica propôs substituir o termo “síndrome dos ovários policísticos” por “síndrome ovárica metabólica poliendócrina”. Para a especialista, a nova denominação reflete melhor a complexidade de uma doença que não afeta apenas o ovário, mas também envolve alterações endócrinas e metabólicas, como o hiperandrogenismo ou a resistência à insulina, que podem influenciar tanto a função ovariana quanto a saúde reprodutiva da mulher.

O que mais condiciona a fertilidade na SOMP é que o desenvolvimento e a maturação dos óvulos não seguem um padrão regular: a ovulação pode ocorrer de forma imprevisível ou desaparecer por meses. A isso somam-se, em muitos casos, níveis elevados de hormônios masculinos e alterações metabólicas, como a resistência à insulina, que também podem afetar o funcionamento dos ovários.

“O principal sinal de alerta é a irregularidade menstrual persistente: ciclos muito longos, poucas menstruações por ano ou períodos prolongados de amenorreia. Também são frequentes manifestações de hiperandrogenismo, como hirsutismo, acne persistente ou alopecia androgênica”, afirma Troncoso.

Para a ginecologista, o fundamental é não normalizar, ao longo dos anos, menstruações persistentemente irregulares ou sinais de hiperandrogenismo. “Um diagnóstico precoce permite avaliar a saúde reprodutiva e metabólica, prevenir as consequências de períodos prolongados de anovulação e realizar um acompanhamento adequado desde a juventude”, ressaltou.

A SOMP NÃO É SINÔNIMO DE INFERTILIDADE

A especialista destaca que uma das principais mensagens para a população em geral é que a SOMP não equivale automaticamente à infertilidade. “A SOMP não é sinônimo de infertilidade. É uma síndrome muito heterogênea: algumas mulheres mantêm ovulações regulares e conseguem engravidar espontaneamente, enquanto outras apresentam oligoovulação ou anovulação”, esclarece a médica.

Além disso, ela lembra que a fertilidade depende também de variáveis como a idade, a reserva ovariana, a permeabilidade tubária ou o fator masculino; por isso, a abordagem deve ser individualizada desde a primeira consulta.

Além da avaliação médica, o estilo de vida pode desempenhar um papel importante no manejo da síndrome e na saúde reprodutiva. Troncoso destaca que uma alimentação saudável, a prática regular de exercícios e evitar o sedentarismo constituem pilares fundamentais. Em mulheres com excesso de peso, uma redução moderada do peso pode favorecer a regularidade menstrual e aumentar a probabilidade de ovulação, com impacto tanto na fertilidade quanto em uma futura gravidez.

OPÇÕES DE TRATAMENTO

Quando há desejo de gravidez e a principal causa de infertilidade é a anovulação, o primeiro objetivo clínico geralmente é restabelecer a ovulação por meio de tratamentos de indução da ovulação. “Muitas pacientes conseguem engravidar dessa forma. Quando esses tratamentos não são suficientes ou existem outros fatores de infertilidade, dispomos de outras etapas terapêuticas, incluindo a fertilização ‘in vitro’ quando indicada”, explica Troncoso.

A especialista insiste em uma ideia central para evitar alarmes desnecessários: nem sempre é necessário recorrer à reprodução assistida, e muitas mulheres com SOMP conseguem uma gravidez espontânea ou com tratamentos simples.

Uma vez alcançada a gravidez, a médica lembra que nem todas as mulheres necessitam de um acompanhamento obstétrico diferenciado de forma sistemática, mas podem apresentar maior probabilidade de complicações metabólicas e obstétricas.

Por isso, ela recomenda otimizar a saúde metabólica antes da gestação e prestar atenção especial ao controle glicêmico e da pressão arterial durante a gravidez, individualizando o acompanhamento de acordo com os fatores de risco de cada paciente.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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