MADRID 21 jul. (EUROPA PRESS) -
A Terra completará uma rotação completa em um tempo um pouco menor do que o normal na terça-feira, 22 de julho, tornando esse um dos dias mais curtos já registrados.
A diferença será de apenas 1,34 milissegundos a menos do que as 24 horas padrão, mas faz parte de uma estranha tendência no comportamento rotacional da Terra que vem se desenvolvendo nos últimos anos. Se ela continuar, talvez seja necessário subtrair um segundo dos relógios atômicos por volta de 2029 - o chamado segundo bissexto negativo, algo nunca visto antes, informa o Space.com.
A velocidade de rotação da Terra não é fixa. Há muito tempo, um dia era muito mais curto do que as 24 horas (ou 86.400 segundos) com as quais estamos acostumados. De acordo com um estudo de 2023, um dia na Terra durava aproximadamente 19 horas durante grande parte de sua história inicial, devido ao equilíbrio entre as marés atmosféricas solares e as marés oceânicas lunares. Entretanto, com o passar do tempo, um dia na Terra tem se tornado consistentemente mais longo. O principal culpado foi o atrito da maré lunar, que gradualmente a afastou da Terra. À medida que se afasta, a Lua absorve a energia rotacional da Terra, o que desacelera sua rotação e prolonga os dias.
Desde o início dos registros (com a invenção do relógio atômico) em 1973 até 2020, o dia mais curto já registrado foi de 1,05 milissegundos a menos que 24 horas, de acordo com o Timeanddate.com. Mas desde 2020, a Terra tem quebrado repetidamente seus próprios recordes de velocidade. O dia mais curto já medido ocorreu em 5 de julho de 2024, quando a rotação da Terra foi concluída 1,66 milissegundos mais rápido do que o normal.
Em relação a 2025, os cientistas previram que 9 e 22 de julho e 5 de agosto poderiam ser os dias mais curtos do ano. No entanto, novos dados sugerem que 10 de julho se tornou o dia mais curto até o momento em 2025, com 1,36 milissegundos a menos do que 24 horas. Em 22 de julho, espera-se que a Terra complete seu giro 1,34 milissegundos antes, ficando em segundo lugar. Se as previsões atuais se confirmarem, 5 de agosto será aproximadamente 1,25 milissegundo mais curto do que o normal, deixando 22 de julho como o segundo dia mais curto do ano.
DEGELO POLAR
Há indicações de que a aceleração pode estar diminuindo. A taxa de diminuição da duração do dia parece estar diminuindo, mas a causa subjacente das recentes mudanças rotacionais permanece incerta.
Um estudo de 2024 sugere que o derretimento do gelo polar e o aumento do nível do mar podem estar influenciando a rotação da Terra. Entretanto, em vez de impulsionar a aceleração, essa redistribuição de massa pode estar moderando-a. Um fator mais provável está bem abaixo de nossos pés: a desaceleração do núcleo líquido da Terra, que pode estar redistribuindo o momento angular de modo que o manto e a crosta estejam girando um pouco mais rápido.
"A causa dessa aceleração não é explicada", disse Leonid Zotov, especialista em rotação da Terra da Universidade Estadual de Moscou, ao Timeanddate.com. "A maioria dos cientistas acredita que seja algo interno à Terra. Os modelos oceânicos e atmosféricos não explicam essa enorme aceleração."
Zotov prevê que a rotação da Terra poderá se desacelerar novamente em breve. Se ele estiver certo, essa aceleração repentina pode ser apenas uma anomalia temporária na tendência de longo prazo do planeta em direção a uma rotação mais lenta e dias mais longos.
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