SANTANDER, 5 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe internacional de astrônomos, liderada pelo astrônomo Andrew Newman, da Carnegie Institution for Science, e da qual fazem parte os pesquisadores do Grupo de Cosmologia Observacional e Instrumentação do Instituto de Física da Cantábria (IFCA, CSIC-UC), José María Diego e Ana Acebrón, conseguiu medir a massa de um enorme buraco negro localizado em uma galáxia muito distante, que se originou quando o universo começava a se formar.
Embora esse tipo de “gigantes” supermassivos seja estudado porque devora matéria e emite enormes quantidades de energia, este caso é diferente para a equipe de pesquisa porque o buraco negro está “adormecido”, ou seja, não absorve grandes quantidades de matéria, explicou a Universidade da Cantábria (UC).
Graças às poderosas capacidades do telescópio espacial James Webb (JWST), a equipe de pesquisa conseguiu calcular seu tamanho observando como ele afeta as estrelas que orbitam ao seu redor. Os resultados foram publicados na revista Science.
Diego Acebrón colaborou no estudo de um dos modelos de lente desse aglomerado. “Inicialmente, o modelo foi criado para explicar as supernovas Refsdal e Encore, mas, no fim das contas, ele nos ajudou a descobrir que existe um objeto massivo no centro da galáxia”, explicou
BURACOS NEGROS GIGANTES: OS QUASARES
Durante décadas, os astrônomos localizaram buracos negros gigantes observando objetos muito brilhantes chamados quasares. Eles são como faróis cósmicos alimentados por buracos negros muito ativos. No entanto, o objeto que foi estudado pertence a outra categoria muito mais difícil de identificar: um buraco negro muito silencioso e apagado.
Além disso, sabe-se que o colosso se encontra em uma galáxia de grandes dimensões, chamada MRG-M0138, que formou a maioria de suas estrelas há cerca de 13 bilhões de anos. Hoje, essa galáxia quase não produz novas estrelas e seu buraco negro central também permanece inativo.
Até poucos anos atrás, medir a massa de buracos negros tão distantes era praticamente impossível. Agora, nesta nova descoberta, a equipe analisou o movimento coletivo das estrelas da galáxia MRG-M0138. E é que essa espécie de “dança estelar” permitiu calcular o peso do buraco negro, usando os dados do James Webb e com a ajuda do fenômeno natural conhecido como lente gravitacional, que amplifica a luz de objetos muito distantes e facilita sua observação.
“Agora podemos detectar esse tipo de buraco negro inativo mesmo quando o universo tinha apenas 10 bilhões de anos”, explicou Newman. “A combinação da nitidez que o James Webb nos proporciona, somada ao efeito de ampliação das lentes gravitacionais, torna isso possível”, concluiu.
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