Publicado 20/05/2026 07:23

Detectam um aumento de até 70% nas doenças neurodegenerativas na Cantábria nos últimos 30 anos

Dr. Javier Riancho
UC

Equipe de pesquisa identifica novos fatores ambientais fundamentais na ELA e abre caminho para futuras terapias

SANTANDER, 20 maio (EUROPA PRESS) -

Um estudo da equipe de pesquisa de doenças neurodegenerativas da Universidade da Cantábria (UC) e do Instituto de Pesquisa Sanitária de Valdecilla (IDIVAL) revelou um aumento de até 70% nos casos dessas patologias, especialmente da esclerose lateral amiotrófica (ELA), nos últimos 30 anos na Cantábria.

Isso ocorreu no âmbito de uma pesquisa que identificou novos fatores ambientais-chave na ELA, abrindo caminhos para futuras terapias.

A equipe, liderada pelo Dr. Javier Riancho, avançou no estudo da ELA com uma linha de trabalho centrada no papel que os fatores ambientais poderiam desempenhar no desenvolvimento da doença, e constatou

A ELA é uma doença neurodegenerativa que afeta os neurônios motores, as células responsáveis por transmitir os comandos de movimento do cérebro para os músculos. Trata-se da terceira doença degenerativa mais frequente e é caracterizada por uma perda progressiva de força. Embora cerca de 10% dos casos tenham origem genética, a grande maioria é esporádica e é atribuída a uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais e o envelhecimento.

Nesse contexto, a equipe liderada por Riancho, membro do grupo de Doenças Neurodegenerativas do IDIVAL, professor associado da UC e neurologista do hospital Sierrallana, e pela Dra. Ana Santurtún, professora da UC, vem investigando há mais de uma década o impacto do ambiente no desenvolvimento da doença.

Nessa linha, seus estudos revelaram um aumento de até 70% nos casos de ELA nos últimos 30 anos na Cantábria, sem alterações significativas na base genética da população, o que reforça a hipótese de que os fatores ambientais desempenham um papel determinante.

“Levando em conta que, em nossa população, não houve uma grande mudança no nível dos fatores genéticos, o aumento deve-se a mudanças nos fatores ambientais que, além de serem muito interessantes para nós, seriam mudanças potencialmente modificáveis e que poderiam levar a estratégias de prevenção da doença”, destaca Riancho.

Conforme ele explica, os fatores ambientais incluem desde fatores externos, como a poluição, a qualidade do ar ou a exposição a diversos tóxicos, até fatores internos, como ter um determinado estilo de vida ou sofrer de uma doença.

Além disso, os pesquisadores identificaram pela primeira vez aglomerados geográficos de alta incidência de ELA, especialmente no norte e nordeste do país. O aprofundamento posterior desses aglomerados permitiu propor associações inovadoras entre a frequência da doença e fatores como a altitude acima do nível do mar e o tipo de solo agrícola, abrindo novas linhas de investigação sobre os mecanismos potencialmente envolvidos.

A equipe também estudou a exposição a diferentes substâncias tóxicas e encontrou concentrações urinárias mais elevadas de substâncias como chumbo e cobre em pacientes com ELA. Esses resultados, segundo Riancho, reforçam a necessidade de continuar aprofundando a possível relação entre poluentes ambientais e doenças neurodegenerativas.

Também inserida no estudo do papel dos fatores ambientais, outra linha de pesquisa em andamento concentra-se na qualidade do ar no interior das residências, um campo pouco explorado até agora, apesar de as pessoas passarem boa parte do tempo em casa. O objetivo é analisar se esse ambiente doméstico pode estar relacionado ao desenvolvimento ou à evolução da ELA.

MECANISMOS BIOLÓGICOS

Riancho indica que os resultados de suas pesquisas no âmbito epidemiológico são complementados e validados por experimentos em laboratório. Após identificar possíveis fatores ambientais, a equipe os transfere para culturas de neurônios motores para verificar se essas exposições podem induzir degeneração celular e descobrir quais mecanismos biológicos estão envolvidos. Essa abordagem permitiria, além disso, abrir novos caminhos terapêuticos.

“Basicamente, estamos trabalhando para conhecer melhor a doença e poder implementar estratégias preventivas que ajudem os pacientes a não desenvolvê-la e, por outro lado, identificar novos alvos terapêuticos, novos medicamentos que possam ajudar os pacientes que já a sofrem a viver da melhor maneira possível”, afirma Riancho, que se mostra otimista com as pesquisas que estão sendo desenvolvidas em todo o mundo sobre essa doença.

“O conhecimento sobre a doença na última década cresceu exponencialmente; há muitos medicamentos sendo testados tanto para as formas genéticas quanto para as esporádicas. Nesse sentido, existe um medicamento direcionado a uma forma específica de ELA genética (SOD1) que melhora o curso natural da doença”, destaca o neurologista.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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