Publicado 14/01/2026 06:58

Detectam pela primeira vez nas águas do Mediterrâneo peninsular uma microalga produtora de ciguatoxinas

Imagem de 'Gambierdiscus australes' em microscópio óptico invertido
UA

ALICANTE 14 jan. (EUROPA PRESS) - Uma equipe de pesquisa do Instituto Multidisciplinar para o Estudo do Meio Ambiente Ramón Margalef (IMEM) da Universidade de Alicante (UA), em colaboração com pesquisadores da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria (ULPGC), confirmou pela primeira vez a presença do gênero 'Gambierdiscus' na costa peninsular espanhola, concretamente no litoral de Dénia e Xàbia, ao norte da província de Alicante, após detectar pela primeira vez em águas do Mediterrâneo peninsular uma microalga produtora de ciguatoxinas.

A descoberta, que se soma à de 2017 nas águas das Ilhas Baleares por uma equipe do Instituto de Pesquisa e Tecnologia Agroalimentar (IRTA), ocorreu no âmbito das amostragens rotineiras de fitoplâncton realizadas pelo Laboratório Marinho UA-Dénia, pertencente ao IMEM.

Lá foi identificada a espécie 'Gambierdiscus australes', uma microalga do grupo dos dinoflagelados marinhos que produz ciguatoxinas, um conjunto de toxinas que provocam uma intoxicação alimentar associada ao consumo de peixes que acumularam um excesso dessas toxinas em seus tecidos, conhecida como ciguatera, conforme explicou a UA em um comunicado.

Recentemente, a revista Harmful Algae News, boletim editado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (IOC) da UNESCO e que trata especificamente de algas tóxicas e proliferações de algas, ecoou esta descoberta do grupo de investigação da UA.

A equipe é composta por César Bordehore, professor do Departamento de Ecologia da UA e pesquisador do IMEM; Eva Fonfría Subirós e John Yañez Dobson, ambos do IMEM, e Emilio Soler Onís, do Grupo de Ecologia Marinha EOMAR e do Observatório Canário de Algas Nocivas da ULPGC. ESTUDO

O estudo foi desenvolvido a partir de duas campanhas de amostragem realizadas em março e setembro de 2023 em 12 estações distribuídas em seis zonas do litoral, tanto em pontos próximos à costa (250 metros) quanto distantes (um quilômetro de distância).

Os resultados revelam a presença de Gambierdiscus australes em 75% das amostras coletadas em março e em 100% das amostras coletadas em setembro, com abundâncias que variam entre 20 e 140 células por litro.

De acordo com a UA, o gênero Gambierdiscus é composto por microalgas que geram ciguatoxinas que se acumulam em grandes tamanhos de determinadas espécies de peixes e seu consumo pode causar problemas de toxicidade em humanos.

No entanto, o investigador principal do estudo, César Bordehore, sublinha que, apesar da importância da descoberta, “o consumidor pode ficar tranquilo”, uma vez que as concentrações de células de fitoplâncton tóxico encontradas na península “não são alarmantes” e a espécie austral, dentro do género 'Gambierdiscus', “não é das mais tóxicas”.

“Sabemos como evitar uma possível intoxicação alimentar”, afirmou o pesquisador, que ressalta que “existem medidas de prevenção para evitar a entrada no mercado de peixes com altos níveis de toxinas, baseadas em uma análise prévia, de modo que o peixe distribuído é completamente seguro”.

Segundo Bordehore, a presença deste género de microalgas nas águas do Mediterrâneo pode estar relacionada com o aumento da temperatura do mar, uma vez que a sua origem é em águas tropicais quentes e o aumento da temperatura do Mediterrâneo facilita esta expansão geográfica de muitas espécies marinhas.

“É preciso estar atento a esse acompanhamento, nossa função é informar as autoridades competentes, como já fizemos, e tomar as medidas necessárias a cada momento para manter a segurança alimentar”, afirma o pesquisador.

E acrescenta: “Para uma espécie marinha, o aumento de um grau de temperatura é um mundo e pode ser a diferença necessária para poder colonizar novas áreas que antes eram impossíveis devido às águas demasiado frias”. MONITORAMENTO DE LONGO PRAZO

Os especialistas também destacam a importância dos estudos de acompanhamento a longo prazo. Neste sentido, Bordehore lembra que são realizados “diferentes estudos, tanto aplicados a algo concreto como estudos de base”, onde “de forma recorrente” são analisados diferentes parâmetros físico-químicos e de composição biológica.

“Desde 2010, analisamos mais de 40 quilômetros da costa norte da província de Alicante e, graças a isso, amostras biológicas conservadas há mais de uma década nos serviram para reanalisá-las e verificar que, há 15 anos, o gênero 'Gambierdiscus' não estava na área de estudo”, esclarece.

Portanto, de acordo com a UA, “este trabalho confirma a expansão da distribuição do 'Gambierdiscus' nas águas mediterrâneas da Península Ibérica e reforça a necessidade de manter programas específicos de monitoramento do fitoplâncton bentônico potencialmente tóxico, a fim de antecipar possíveis riscos ambientais e garantir a segurança alimentar”.

A investigação foi realizada no âmbito do projeto OBSERMAR-CV, financiado pelo programa Thinkinazul do Ministério da Ciência e Inovação, com fundos da União Europeia (UE) Next Generation e da Generalitat Valenciana.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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