Publicado 13/07/2026 12:19

Detectam pela primeira vez açúcar em uma região interestelar próxima ao centro da Via Láctea

Imagem do centro galáctico obtida a partir de observações realizadas com diversos telescópios. / Ashley Barnes/Izaskun Jiménez-Serra/Juan García de la Concepción
CSIC

MADRID 13 jul. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe internacional liderada pelo Centro de Astrobiologia (CAB), centro conjunto do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e do Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial (INTA), detectou pela primeira vez açúcar no meio interestelar, a região do espaço situada entre as estrelas dentro de uma galáxia.

Trata-se, especificamente, da eritrulose, que na Terra é encontrada em framboesas e outras frutas vermelhas ou como aditivo em cosméticos autobronzeadores; e que, no espaço, foi encontrada em uma nuvem molecular próxima ao centro da Via Láctea.

Os resultados, publicados na revista *Nature Astronomy*, sugerem que os açúcares podem ter chegado à Terra primitiva vindos do espaço há cerca de 4 bilhões de anos para contribuir para a síntese dos primeiros ácidos nucleicos e, portanto, para dar origem às primeiras formas de vida.

Essa descoberta é especialmente relevante, pois, embora já tivessem sido encontrados açúcares como a ribose ou a glicose em meteoritos e asteróides, nunca havia sido detectado um açúcar no meio interestelar.

“Nosso trabalho mostra que os açúcares podem se formar naturalmente no espaço”, explica Izaskun Jiménez Serra, pesquisadora do CAB (CSIC-INTA) e primeira autora do estudo.

Os monossacarídeos, ou açúcares simples, dividem-se em duas grandes famílias: cetosas e aldosas. A eritrulose é a única cetose que possui quatro átomos de carbono. Além disso, como um desses átomos está ligado a quatro grupos químicos diferentes, trata-se de uma molécula quiral, ou seja, que não pode se sobrepor à sua imagem espelhada, assim como ocorre com nossas mãos esquerda e direita.

A detecção desse açúcar foi realizada na nuvem molecular G+0,693-0,027, localizada nas proximidades do centro da nossa galáxia. A identificação foi possível graças a varreduras espectroscópicas ultrassensíveis e de banda larga obtidas com o radiotelescópio de 40 metros de diâmetro do Observatório de Yebes (Guadalajara) e do radiotelescópio de 30 metros de diâmetro do Instituto de Radioastronomia Milimétrica (IRAM), no Pico Veleta (Granada).

Neste trabalho, os autores relatam a detecção de doze sinais que coincidem com o espectro da eritrolose medido no laboratório da Universidade do País Basco. O estudo revela que esse açúcar é pelo menos oito vezes mais abundante do que os dois únicos açúcares existentes com três átomos de carbono (gliceraldeído e dihidroxiacetona), que não foram detectados nem nessa mesma região nem nas regiões estudadas anteriormente por outros pesquisadores.

“Esse resultado foi inesperado, já que a ideia mais aceita na astroquímica é que as moléculas interestelares aumentam de tamanho pela adição consecutiva de átomos de carbono. Por isso, precisávamos continuar investigando”, destaca Izaskun Jiménez-Serra.

Foi então que, em colaboração com especialistas em química das Universidades da Extremadura e de Radboud (Holanda), a equipe do CAB descobriu que a eritrulose pode se formar em gelos interestelares a partir de álcoois e aldeídos — compostos orgânicos — mais simples, com apenas dois átomos de carbono.

Levando em conta a quantidade de eritrulose medida na nuvem G+0,693-0,027, a equipe estimou que entre 0,5 e 50 milhões de toneladas desse açúcar poderiam ter atingido a superfície da Terra durante o Bombardeio Intenso Tardio, um período em que nosso planeta sofreu o impacto de meteoritos e cometas há entre 4.100 e 3.800 milhões de anos.

Portanto, a presença de eritrulose no espaço interestelar oferece uma fonte alternativa de açúcares com os quais, em corpos planetários ou em seus satélites, a vida pode ter dado seus primeiros passos para obter energia (processos metabólicos) e para se multiplicar (processos replicativos).

“A detecção de eritrulose em uma nuvem molecular é uma descoberta empolgante, pois abre a possibilidade de identificar no meio interestelar açúcares maiores, como a ribose, que faz parte do RNA, e outras moléculas relevantes para a origem da vida”, afirma Carlos Briones, coautor do trabalho e também pesquisador do CAB.

OS AÇÚCARES NA TERRA PRIMITIVA

Os açúcares são biomoléculas essenciais para os seres vivos, uma vez que fazem parte da estrutura fundamental dos ácidos nucleicos (DNA e RNA) e desempenham um papel fundamental nos processos metabólicos. Portanto, elas foram essenciais para a origem da vida em nosso planeta e, talvez, em outros.

Apesar disso, uma das questões mais importantes nesse campo é como se formaram os primeiros açúcares na Terra, já que experimentos de laboratório mostram que eles não são gerados facilmente em condições pré-biológicas, antes da existência da vida.

Açúcares como a ribose, de cinco átomos de carbono, e a glicose, com seis, foram detectados em meteoritos e em amostras coletadas diretamente de asteróides, o que sugere que alguns desses compostos podem ter se originado na nuvem molecular original que deu origem ao nosso sistema solar há aproximadamente 4,5 bilhões de anos.

“No entanto, até agora, nenhum açúcar havia sido detectado diretamente no meio interestelar”, concluem os pesquisadores do estudo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado