Publicado 22/09/2025 07:59

O desmatamento explica muito menos chuvas na Amazônia

Uma vista da torre de pesquisa Atto da floresta amazônica em um dia claro e através de uma densa nuvem de fumaça em 2023, quando uma seca extraordinária prevaleceu e vários incêndios eclodiram.
SEBASTIAN BRILL

MADRID 22 set. (EUROPA PRESS) -

O desmatamento local é a principal causa da diminuição das chuvas na região amazônica durante a estação seca em quase 8% desde 1985.

Pesquisadores do Brasil e do Instituto Max Planck de Química da Alemanha quantificaram, com essa conclusão, os diferentes impactos do desmatamento local e da mudança climática global no clima da região amazônica. O estudo foi publicado na Nature Communications.

A floresta amazônica é a maior floresta tropical do planeta e desempenha um papel fundamental no sistema climático global. No entanto, mudanças significativas nos ciclos de água, carbono e energia foram observadas na região amazônica nas últimas décadas, influenciando, por exemplo, os níveis de precipitação.

No entanto, estudos anteriores não conseguiram diferenciar quantitativamente a contribuição dos dois principais fatores: o aumento da temperatura global causado pelas emissões de gases de efeito estufa e o aumento do desmatamento local.

Luiz Machado, pesquisador do clima da Universidade de São Paulo e autor do novo estudo, afirma: "O desmatamento explica quase 75% da diminuição da precipitação (da estação seca). Portanto, mesmo pequenas mudanças na precipitação durante a estação seca podem ter um impacto desproporcional na saúde da vegetação". Na estação seca, ocorre apenas 26% da precipitação média, com um total de 281 milímetros, em comparação com 1.097 milímetros durante a estação chuvosa.

RESILIÊNCIA AMEAÇADA PELO DESMATAMENTO

De acordo com os pesquisadores, o desmatamento também é responsável por aproximadamente 16% do aumento de temperatura de 2 graus Celsius. No entanto, uma proporção muito maior, aproximadamente 84% do aumento da temperatura, pode ser atribuída à mudança climática global. O estudo também indica que o clima da Amazônia não responde linearmente ao desmatamento, com as mudanças climáticas mais severas ocorrendo no início do processo, especialmente quando 10 a 40% da floresta é perdida.

"É importante parar o desmatamento para preservar a resiliência climática da região amazônica", acrescenta Luiz Machado, que também trabalha como cientista visitante no Instituto Max Planck de Química em Mainz.

Em seu estudo, os pesquisadores analisaram dados de 29 regiões da Amazônia brasileira, coletados nos últimos 35 anos (1985 a 2020) usando satélites e medições atmosféricas. Usando dados de longo prazo e técnicas estatísticas especializadas (parametrização), eles conseguiram distinguir os impactos do desmatamento dos impactos da mudança climática global. A equipe brasileiro-alemã concluiu que mais de 99% do aumento dos gases de efeito estufa, como o metano e o dióxido de carbono, se deve às mudanças climáticas globais. Entretanto, o desmatamento é responsável por uma pequena proporção do aumento de 0,3% no CO2.

O estudo também examina o clima futuro da região amazônica em 2035. Christopher Pöhlker, do Instituto Max Planck de Química, diz: "Se o desmatamento continuar no ritmo atual, nossos dados indicam que podemos esperar um aumento adicional de temperatura de cerca de 0,6 °C e uma diminuição significativa na precipitação de cerca de sete milímetros durante a estação seca, em comparação com o que ocorre hoje. Isso, sem dúvida, exercerá pressão adicional sobre a floresta.

Pöhlker e seus colegas observam que a Amazônia está passando por uma transformação crítica, que provavelmente será acelerada por eventos extremos, como a seca extraordinária de 2023. No entanto, as complexas interações entre as mudanças climáticas e o desmatamento dificultam a especificação de um nível exato de desmatamento que levaria ao colapso de todo o ecossistema da floresta amazônica.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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