ANIS exige uma estratégia nacional contra a desinformação na área da saúde
MADRID, 14 maio (EUROPA PRESS) -
Um relatório da Associação Nacional de Informadores da Saúde (ANIS) alerta que a desinformação na área da saúde pode afetar a adesão aos tratamentos, aumentar o risco de doenças e até mesmo de morte, além de gerar um elevado custo econômico e um forte impacto emocional.
“As mudanças na produção, no consumo e na distribuição da informação têm favorecido a desinformação, o que constitui um grave problema de saúde pública”, indicou a vice-presidente da ANIS, Susana Fernández, durante a apresentação do ‘Relatório ANIS 2026: sobre Desinformação em Saúde na Espanha’.
Segundo os jornalistas da área da saúde, a desinformação em saúde deixou de ser uma “anecdota” para se tornar uma “ameaça real e sistêmica”, algo que, em sua opinião, se consolidou após a pandemia da COVID-19.
O trabalho, no qual participaram jornalistas, associações de pacientes, profissionais de saúde e representantes da indústria farmacêutica, identifica o câncer, as vacinas, a nutrição e a saúde mental como as áreas mais expostas à desinformação.
Além disso, destaca que a desinformação cresceu nos últimos anos graças ao avanço da digitalização e à diminuição do consumo e da confiança nos meios de comunicação tradicionais, em favor de novos canais sem filtros editoriais.
Nesse contexto, o relatório ressalta que a inteligência artificial (IA) representa um novo desafio, pois facilita a criação e a difusão em massa de conteúdo falso, incluindo “deepfakes” e desinformação automatizada.
RECONHECER A DESINFORMAÇÃO COMO UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
Para a ANIS, as autoridades de saúde devem reconhecer a desinformação como um problema de saúde pública e tomar medidas para combatê-la. Os informantes consideram que a confiança na informação verdadeira, na ciência e nos cientistas, nos profissionais de saúde e nos jornalistas não pode ser perdida, pois “o conteúdo falso chega mais rápido à população do que a notícia verdadeira”.
Além disso, o relatório reúne as 12 iniciativas impulsionadas pelo Governo da Espanha e as 64 ações desenvolvidas pelas comunidades autônomas para combater a desinformação, muitas delas, segundo a ANIS, implementadas de forma independente e sem coordenação entre si.
Por isso, reivindicam o reforço da comunicação institucional, o avanço na regulamentação das plataformas digitais e a promoção de planos de formação em saúde que impulsionem a cidadania e os pacientes como agentes ativos contra a desinformação. Da mesma forma, consideram prioritária a implementação de uma Estratégia Nacional contra as Campanhas de Desinformação.
MELHORIAS NA COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL SOBRE O HANTAVÍRUS
Por sua vez, o vice-presidente da Associação Nacional de Informadores de Saúde (ANIS), Javier Granda, destacou a melhoria na comunicação institucional durante o gerenciamento do surto de hantavírus registrado no cruzeiro “MV Hondius”, ao assinalar que se agiu “desmentindo rapidamente as notícias falsas”. No entanto, acrescentou que alguns responsáveis políticos “não gerenciaram adequadamente a comunicação”.
Em seguida, o jornalista especializado em verificação Guillermo Infantes alertou para os riscos que as notícias falsas representam em situações como o atual surto de hantavírus. Nesse sentido, ele explicou que as notícias falsas encontram um terreno propício para se espalhar porque as pessoas reagem com maior intensidade a conteúdos emocionais, enquanto as plataformas digitais tendem a premiar e amplificar as mensagens que geram mais interação.
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