MADRID 21 maio (EUROPA PRESS) -
Uma equipe internacional liderada pelo Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC) publicou na revista Scientific Data, da Nature, o banco de dados de acesso aberto MEGA14C, um recurso que reúne 11.715 registros fósseis de grandes mamíferos (megafauna) da Europa, Ásia e América do Norte, a região holártica.
Essa base de dados documenta o tratamento químico aplicado a cada fóssil para sua datação por radiocarbono, o que permite utilizá-la para analisar quando as diferentes espécies de megafauna do hemisfério norte se extinguiram ou foram domesticadas nos últimos 50.000 anos.
Esse período é fundamental para compreender os efeitos das mudanças climáticas e a expansão das populações humanas da África para o resto do mundo. Analisar o passado ajuda a enfrentar a atual crise da biodiversidade, uma vez que a perda de grandes herbívoros e carnívoros tem efeitos profundos sobre o funcionamento dos ecossistemas.
O MEGA14C inclui dados de 133 espécies e 78 gêneros de mamíferos. De todos esses registros, 27% correspondem a espécies extintas, entre as quais se encontram ícones da megafauna como os mamutes (Mammuthus), os rinocerontes-lanudos (Coelodonta), os bisões (Bison), os veados-gigantes (Megaloceros) ou os ursos (Ursus).
Para construir o banco de dados, os autores revisaram milhares de publicações científicas e entraram em contato com centenas de equipes de pesquisa, laboratórios de geocronologia e museus para recuperar informações metodológicas que não constavam nos artigos originais. Esse trabalho levou 7 anos e mais de 100.000 comunicações com especialistas. Um trabalho indispensável para separar as datações realmente confiáveis daquelas potencialmente errôneas.
As 11.715 datações contidas no MEGA14C foram obtidas por meio de espectrometria de massa com acelerador (AMS) e aplicando protocolos químicos de purificação do colágeno, a proteína mais abundante em chifres, dentes e ossos de animais vertebrados.
“O radiocarbono é como um relógio. Quando um animal morre, perde metade do seu radiocarbono a cada 5.000 anos, aproximadamente. Portanto, medindo o radiocarbono que ainda resta em um fóssil hoje, podemos estimar a data em que o animal morreu”, explica Salvador Herrando-Pérez, pesquisador do MNCN.
Um acelerador conta átomos de radiocarbono, mas não distingue a quantidade de radiocarbono que pertence ao fóssil da quantidade de radiocarbono que o fóssil incorporou dos sedimentos e águas nos quais esteve enterrado ou submerso durante séculos e milênios desde que o animal morreu.
"Esse radiocarbono ambiental, se não for eliminado quimicamente, pode causar grandes erros na datação dos fósseis", indica Herrando Pérez.
O MEGA14C inclui apenas fósseis cujo colágeno foi purificado por ultrafiltração, purificação com resinas XAD ou separação do aminoácido hidroxiprolina por cromatografia líquida, considerados os padrões mais rigorosos.
“A idade dos fósseis nos permite saber em que tipo de ecossistema um animal viveu, o que comeu, que clima experimentou e se coexistiu no espaço e no tempo com seres humanos. Um erro de um milênio na datação coloca uma espécie em habitats e climas errados, e qualquer interpretação feita será equivocada”, contextualiza Herrando-Pérez.
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