MADRID 31 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe liderada por um pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer da Espanha (CNIO) desenvolveu um teste que pode detectar tumores sólidos em estágio inicial a partir de uma simples amostra de sangue, além de obter informações relevantes para a escolha do tratamento.
O estudo, liderado por Gonçalo Bernardes, chefe do Grupo de Biologia Química Translacional do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer da Espanha (CNIO), foi publicado na revista científica Nature Communications.
Para conseguir a detecção precoce, a equipe concentrou o teste não nos marcadores emitidos pelo tumor, mas na reação defensiva do corpo ao câncer. Desde o século XIX, sabe-se que o aparecimento de células cancerosas causa alterações no sistema imunológico, e também se sabe que essas alterações são mais intensas nos estágios iniciais do câncer. Mas elas nunca haviam sido usadas para diagnóstico. O novo estudo se concentra nelas, especificamente nas alterações nas proteínas do sangue que ocorrem quando o câncer perturba o sistema imunológico.
"Nossa abordagem demonstrou ser particularmente eficaz na detecção de tumores em estágio inicial, o que é crucial porque, se os detectarmos cedo, poderemos tratar muitos tipos de câncer", diz Bernardes.
Ao desenvolver essa abordagem, a equipe se deparou com um problema: o sangue humano contém mais de 5.000 proteínas, o que o torna extremamente difícil de analisar. Assim, eles usaram a análise de bioinformática e restringiram o escopo do estudo a cinco aminoácidos: lisina, triptofano, tirosina, cisteína e cisteína não ligada a ligações dissulfeto.
Em seguida, eles submeteram a amostra a reações que emitem fluorescência quando a luz é aplicada a elas - reações fluorogênicas - e revelaram a concentração exata de cada um desses aminoácidos no plasma. Usando a ferramenta de inteligência artificial "aprendizado de máquina", eles identificaram padrões nessas concentrações que poderiam ser traduzidos em sinais de diagnóstico.
OUTRAS DOENÇAS E RESPOSTA AO TRATAMENTO
As amostras estudadas até agora não pertenciam exclusivamente a pessoas com câncer: "É muito importante observar que, ao analisar amostras de pacientes com outras doenças, descobrimos que os sinais são diferentes. Por exemplo, os sinais imunológicos de uma pessoa com SARS-Covid são diferentes dos sinais de uma pessoa com câncer, assim como os sinais de diferentes tipos de câncer e até mesmo de câncer em diferentes estágios. Podemos identificar tudo isso com nosso teste", disse Bernardes.
Os sinais exclusivos de cada tipo de câncer também fornecem outras informações de interesse para a prática clínica: se o paciente responderá ou não a determinados tratamentos. O artigo descreve que o teste estava correto em 100% das previsões de que um paciente não responderia ao tratamento antimetastático. Quando previu que ela responderia, a precisão foi de 87%. Portanto, eles dizem que o teste também poderia ser usado para a medicina de precisão na escolha de tratamentos.
Uma amostra de 170 pacientes foi suficiente para chegar até aqui, mas o pesquisador reconhece que são necessários muito mais dados para concluir o desenvolvimento comercial do teste. Para isso, dois ensaios clínicos já estão em andamento no Reino Unido - financiados pelo sistema nacional de saúde do país - e vários outros ensaios estão em andamento em países como os EUA e a China. Uma vez desenvolvida, espera-se que a plataforma seja comercializada por meio de uma empresa spin-off em Cambridge chamada Proteotype Ltd, que Bernardes co-fundou com outros autores.
Conforme explicam no artigo publicado, eles aplicaram a técnica a amostras de 170 pacientes e conseguiram identificar 78% dos cânceres com uma taxa de falso positivo de 0%.
Bernardes também destaca que o teste é fácil de usar, exigindo apenas uma pequena amostra de sangue e o uso de reagentes simples que podem ser encontrados em qualquer hospital. Para fazer o diagnóstico, a equipe de Bernardes, que também é professor da Universidade de Cambridge (Reino Unido), está desenvolvendo uma plataforma que analisará os dados.
O projeto recebeu financiamento da Proteotype Ltd (Reino Unido), da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal) e do Social Sciences Data Lab (Portugal).
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