Publicado 06/08/2026 08:05

É desenvolvida uma técnica minimamente invasiva para aliviar a dor crônica em mulheres com insuficiência venosa pélvica

Archivo - Arquivo - Mulher, massagem, fisioterapia, assoalho pélvico, barriga, pelve.
GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / KONSTANTIN POSTUMITENKO

MADRID 6 ago. (EUROPA PRESS) -

Especialistas em Cirurgia Vascular, Radiologia e Ginecologia da Clínica Universidade de Navarra (CUN) desenvolveram uma técnica minimamente invasiva para tratar, por meio de esclerose guiada (ou escleroterapia) por ultrassom transvaginal, certas formas complexas de insuficiência venosa pélvica e aliviar a dor crônica que ela causa.

A técnica, publicada no “Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders”, utiliza espuma de polidocanol guiada por ultrassom transvaginal e controle fluoroscópico para oclusão seletiva das veias afetadas, permitindo o acesso direto a reservatórios venosos periuterinos e pericervicais difíceis de tratar por meio de abordagens convencionais, conforme detalhado pela Clínica Universidade de Navarra.

A equipe de especialistas validou a técnica em um estudo realizado com 23 mulheres tratadas no hospital entre 2023 e 2025, no qual obteve 100% de sucesso técnico. Após um ano de acompanhamento, as pacientes apresentaram uma melhora significativa e sustentada dos sintomas, sem que fossem detectadas complicações graves ou recidivas nas veias tratadas.

A insuficiência venosa pélvica é uma doença subdiagnosticada e relacionada a alterações na drenagem venosa da pelve, que pode causar dor pélvica crônica, sensação de peso, desconforto durante as relações sexuais ou agravamento dos sintomas durante a menstruação.

As principais afetadas são mulheres jovens e de meia-idade e, embora possa passar despercebida por anos, estima-se que até 30% dos casos de dor pélvica crônica não cíclica possam ter origem venosa.

O especialista do Serviço de Cirurgia Vascular da Clínica José María Hípola, primeiro autor do trabalho, destacou a importância dessa nova técnica, já que muitas pacientes continuam apresentando dor e sintomas mesmo após embolizações anteriores, devido à existência de pequenos reservatórios venosos profundos que não podem ser alcançados adequadamente por meio das técnicas endovasculares habituais.

TRATAMENTO AMBULATORIAL

“Essa abordagem transvaginal nos permite chegar diretamente a essas veias e tratá-las de forma muito mais precisa e direcionada”, explicou ele, ao mesmo tempo em que detalhou que o procedimento dura cerca de 35 minutos e é realizado em regime ambulatorial, de modo que as mulheres podem voltar para casa no mesmo dia e retomar suas atividades habituais no dia seguinte.

O estudo também destaca que essa técnica pode beneficiar especialmente mulheres com anatomias venosas complexas ou com varizes periuterinas que não dependem diretamente das veias ovarianas, o que limita a eficácia de alguns tratamentos tradicionais.

“Essa abordagem complementa as técnicas endovasculares atuais e abre novas possibilidades para pacientes que, até agora, tinham opções terapêuticas muito limitadas”, afirmou Hípola, que destacou que o objetivo dos especialistas é “oferecer tratamentos cada vez mais precisos, menos invasivos e com menor impacto sobre a qualidade de vida”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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