MADRID, 29 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe liderada por pesquisadoras do Jardim Botânico Real do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (RJB-CSIC), em colaboração com pesquisadores das universidades Rey Juan Carlos (URJC) e de Bayreuth (Baviera, Alemanha), desenvolveu uma nova ferramenta genômica capaz de reconstruir com grande precisão a história evolutiva de um importante grupo de plantas de distribuição tropical e boreal: as plantas clusioides, que compreendem cerca de 2.200 espécies distribuídas em cinco famílias.
O trabalho, publicado na revista “Molecular Ecology Resources”, abre novas possibilidades para investigar a origem e a diversificação de inúmeras espécies de interesse tanto econômico — como o mangostão e o mamey (frutas), a erva-de-são-joão (medicinal e ornamental) ou as calófilas (madeiras nobres) — quanto ecológico —, por exemplo, as plantas aquáticas da família das Podostemaceae que caracterizam as corredeiras tropicais, como o tapete vermelho que se observa ao percorrer o leito do rio Caño Cristales, na Colômbia.
Dada sua importância e diversidade, é surpreendente que as relações evolutivas desse grupo ainda não tenham sido esclarecidas, apesar dos avanços tecnológicos das últimas décadas.
Para enfrentar esse desafio, as autoras do trabalho desenvolveram uma nova ferramenta genômica que permite a captura direcionada e simultânea de centenas de marcadores nucleares (genes de cópia única) para a reconstrução das relações evolutivas das espécies de plantas clusioides.
Graças a essa abordagem, as pesquisadoras recuperaram cerca de 600 genes por espécie e construíram uma das árvores evolutivas mais completas obtidas até o momento para as clusioides. Assim, essa nova árvore da vida das clusioides permite esclarecer, pela primeira vez, as relações entre muitas de suas espécies.
“Vale destacar que essa técnica pode ser implementada tanto a partir de material fresco, ou a partir de tecido obtido de coleções históricas, como folhas de herbário, o que possibilita a obtenção de amostragens completas para conjuntos de espécies que habitam regiões remotas e de difícil acesso”, explica Irene Villa Machío, pesquisadora pós-doutoranda da URJC e primeira autora da publicação.
Além disso, essa ferramenta proporcionou uma maior compreensão dos complexos processos biológicos que têm dificultado a elucidação das relações evolutivas nas plantas clusioides.
“Processos como a hibridização, a duplicação completa do genoma ou a divisão incompleta de linhagens, que frequentemente ocorrem após uma diversificação explosiva, como a que caracteriza algumas hipéricas das Américas”, acrescenta Andrea Sánchez Meseguer, pesquisadora do RJB-CSIC que coordenou o estudo.
Além de ajudar a esclarecer a evolução das clusioides, as autoras destacam que a metodologia proposta pode ser facilmente adaptada a outros grupos de plantas com flores.
“Os resultados evidenciam o potencial das ferramentas de captura em massa de alvos genômicos para a reconstrução da história evolutiva dos organismos e para uma melhor compreensão dos processos que resultaram na extraordinária diversidade de plantas que atualmente existem na Terra”, conclui a pesquisadora do RJB-CSIC Lisa Pokorny, que também faz parte do trabalho.
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