MADRID, 24 fev. (EUROPA PRESS) - Pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder e do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (Estados Unidos) desenvolveram uma forma de identificar remotamente um dispositivo móvel. O método pode ajudar a garantir que um telefone não tenha sido alterado durante a sua fabricação, reduzindo assim o risco de espionagem. Como lembram na sua publicação na revista “AIP Advances”, da AIP Publishing, com o aumento dos ciberataques e vazamentos de dados governamentais, um dos dispositivos mais importantes que devemos manter seguros é aquele que todos carregamos no bolso: os smartphones. O problema é que é difícil verificar se um smartphone não foi manipulado sem correr o risco de danificá-lo acidentalmente. Quando os smartphones se comunicam com uma torre de telefonia móvel, eles emitem um conjunto de ondas eletromagnéticas. Por meio de cartões SIM especializados e um equipamento emulador de estação base que atende aos padrões de rádio celular, os pesquisadores ordenaram que um conjunto de celulares “confiáveis” (dispositivos que sabemos que não foram modificados) transmitissem exatamente os mesmos sinais, o que lhes permitiu criar um banco de dados de como esses sinais realmente se parecem para diferentes modelos de telefone, que servem como impressões digitais do modelo.
“Imagine como se cada telefone tivesse a mesma música. Embora cantem as mesmas notas, cada modelo apresenta diferenças minúsculas e microscópicas em seu hardware interno”, exemplifica a autora Améya Ramadurgakar, da referida universidade. “Nosso sistema é sensível o suficiente para detectar essas diferenças vocais sutis”.
Ao comparar os sinais emitidos por um dispositivo desconhecido com o banco de dados, os pesquisadores podem determinar se o dispositivo foi alterado, ou seja, se seus sinais não correspondem a nenhuma das impressões digitais confiáveis. Os pesquisadores testaram esse processo em vários smartphones de última geração disponíveis comercialmente, dos principais fabricantes que lideram o mercado nacional, com uma precisão superior a 95%. Esses resultados foram repetíveis e estáveis ao longo do tempo. Como seu método se concentra no comportamento eletromagnético fundamental do hardware, ele não se limita às redes móveis 4G e 5G atuais e será extensível a futuras gerações de tecnologias celulares. Ramadurgakar afirma que esse método estabelece as bases para a estrutura de testes do Instituto Nacional de Metrologia. Para formalizar essa solução, os pesquisadores precisam ampliar sua biblioteca de fontes confiáveis que levem em consideração possíveis pequenas variações entre lotes de fabricação, desenvolver condições de teste padronizadas e desenvolver um processo mais automatizado.
“Este trabalho demonstra uma abordagem fundamental para obter uma impressão digital de alta definição, confiável e estável de um smartphone disponível no mercado, a fim de verificar se ele não foi manipulado ou comprometido antes de sua implementação”, conclui Ramadurgakar. “Prevejo que isso será usado para validar o hardware móvel antes de sua entrega a usuários de alta segurança, como a cadeia de comando militar ou altos funcionários do governo”.
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