Publicado 30/03/2026 08:29

Descobrem um novo mecanismo molecular que regula a inflamação vascular no diabetes

Pode se tornar um alvo terapêutico no combate à aterosclerose

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EXPERIENCEINTERIORS/ ISTOCK - Arquivo

MADRID, 30 mar. (EUROPA PRESS) -

Um estudo identificou um novo mecanismo molecular, baseado na interação entre um microRNA e uma proteína reguladora, que controla a inflamação das artérias na diabetes e que pode se tornar um futuro alvo terapêutico no combate à aterosclerose.

Os pesquisadores consideram que essa descoberta é fundamental, uma vez que a aterosclerose se manifesta como um endurecimento progressivo das artérias devido ao acúmulo de placas de gordura. Em pessoas com diabetes, essas lesões tendem a ser mais inflamatórias e instáveis, o que aumenta o risco de eventos cardiovasculares, como infarto ou AVC.

O trabalho, publicado na revista 'Cardiovascular Diabetology', é liderado por Carmen Gómez-Guerrero e tem como primeiras autoras María Kavanagh e Isabel Herrero, pesquisadoras da área de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas do CIBER (CIBERDEM) no Instituto de Pesquisa em Saúde Fundação Jiménez Díaz (IIS-FJD) e na Universidade Autônoma de Madri.

O estudo revela que, durante a progressão da aterosclerose, existe uma relação inversa entre essas duas moléculas. “Observamos que, à medida que a lesão vascular progride, os níveis do microRNA miR-155-5p aumentam, enquanto a expressão da proteína Socs1 — um potente inibidor natural da inflamação — diminui”, explicou Gómez-Guerrero.

Segundo a especialista, essa alteração do equilíbrio é especialmente relevante no diabetes. O aumento do miR-155-5p favorece a ativação inflamatória de macrófagos e células do músculo liso vascular e, ao mesmo tempo, reduz a capacidade de eliminar células mortas na placa, um processo denominado eferocitose. Como consequência, a lesão pode crescer e tornar-se mais instável, aumentando o risco de ruptura.

Para analisar o papel desse eixo molecular, a equipe realizou experimentos em camundongos diabéticos com predisposição para desenvolver aterosclerose. Nesses modelos, aplicaram duas estratégias: bloquear a ação do microRNA miR-155-5p ou aumentar os níveis de Socs1 por meio de transferência gênica.

Ambas as abordagens tiveram efeitos semelhantes. Os animais tratados apresentaram lesões ateroscleróticas menores e com características de maior estabilidade, como menor teor lipídico e maior presença de colágeno.

O trabalho também revela que esse mecanismo afeta a eferocitose, o processo pelo qual os macrófagos eliminam células mortas dentro da placa aterosclerótica. Quando esse sistema falha, os resíduos celulares se acumulam e favorecem a formação de um núcleo necrótico, o que aumenta a fragilidade da lesão.

A equipe de pesquisa constatou que o miR-155-5p interfere na função do receptor MerTK, uma molécula essencial para que essa limpeza celular ocorra corretamente. Ao inibir o microRNA, a eferocitose melhora e a expansão do núcleo necrótico é reduzida.

POSSÍVEIS IMPLICAÇÕES TERAPÊUTICAS

Os resultados identificam o eixo miR-155-5p/Socs1 como um regulador relevante da inflamação vascular associada ao diabetes e sugerem que sua modulação poderia ter interesse terapêutico. “Essas descobertas indicam que atuar sobre esse eixo molecular poderia não apenas reduzir a inflamação vascular, mas também potencializar os mecanismos naturais de reparação das artérias”, destaca Carmen Gómez-Guerrero, coordenadora do estudo.

Embora se trate de um estudo pré-clínico, a equipe de pesquisa destaca que os resultados reforçam o potencial das terapias direcionadas a microRNAs como estratégia complementar aos tratamentos atuais para prevenir doenças cardiovasculares em pessoas com diabetes.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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