Publicado 09/04/2026 15:04

Descobrem o primeiro ovo de um ancestral dos mamíferos

MADRID 9 abr. (EUROPA PRESS) -

Uma nova e extraordinária descoberta da Universidade de Witwatersrand (África do Sul) revelou a história do primeiro ancestral dos mamíferos e como ele nasceu de um ovo. Essa descoberta está lançando luz sobre uma das maiores histórias de sobrevivência da história da Terra e resolvendo um mistério científico que permanecia sem solução há décadas.

O Lystrosaurus, um mamífero herbívoro e resistente, ganhou destaque após a extinção em massa do Permi-Triássico, há cerca de 252 milhões de anos, o evento de extinção mais devastador que nosso planeta já experimentou. Enquanto inúmeras espécies desapareceram, o Lystrosaurus não apenas sobreviveu, mas prosperou em um mundo marcado por extrema instabilidade ambiental, calor intenso e secas prolongadas.

Esta pesquisa pioneira publicada na revista 'Plos ONE' revela uma descoberta que transforma a compreensão sobre esse sobrevivente icônico. A equipe internacional liderada pelo professor Julien Benoit e pela professora Jennifer Botha (ambos do Instituto de Estudos Evolutivos da Universidade de Witwatersrand, África do Sul), em colaboração com o Dr. Vincent Fernandez (ESRF - Sincrotrão Europeu, França), identificou, pela primeira vez, um ovo contendo um embrião de Lystrosaurus, com cerca de 250 milhões de anos.

Este fóssil extraordinário representa o primeiro ovo descoberto de um ancestral dos mamíferos, respondendo finalmente à questão de se os ancestrais dos mamíferos botavam ovos. Os pesquisadores sugerem que esses ovos provavelmente tinham casca mole, o que explica por que permaneceram ocultos por tanto tempo.

Ao contrário dos ovos duros e mineralizados dos dinossauros, que se fossilizam facilmente, os ovos de casca mole raramente se conservam, o que torna essa descoberta excepcionalmente rara. Mas as implicações vão muito além da reprodução.

“Esse fóssil foi descoberto durante uma excursão que eu conduzi em 2008, há quase 17 anos. Meu preparador e excepcional descobridor de fósseis, John Nyaphuli, identificou um pequeno nódulo que, a princípio, mostrava apenas minúsculos fragmentos de osso. À medida que preparava cuidadosamente o espécime, ficou claro que se tratava de uma cria de Lystrosaurus perfeitamente enrolada. Já naquela época eu suspeitava que ele tivesse morrido dentro do ovo, mas naquele momento simplesmente não tínhamos a tecnologia para confirmar isso”, relata o professor Botha.

Com a chegada da tomografia computadorizada de raios X de síncrotron avançada e dos raios X brilhantes do ESRF, os pesquisadores finalmente conseguiram decifrar as últimas peças do quebra-cabeça.

Assim, Fernández descreveu a experiência como particularmente emocionante: “Compreender a reprodução nos ancestrais dos mamíferos tem sido um enigma de longa data, e este fóssil fornece uma peça-chave para resolvê-lo. Era fundamental escanear o fóssil com a precisão necessária para capturar o nível de detalhe exigido para observar ossos tão pequenos e delicados”.

As tomografias revelaram uma pista crucial. “A mandíbula, a mandíbula inferior, é formada por duas metades que devem se fundir antes que o animal possa se alimentar. O fato de essa fusão ainda não ter ocorrido demonstra que o indivíduo teria sido incapaz de se alimentar sozinho”.

O estudo revela que o Lystrosaurus botava ovos relativamente grandes para seu tamanho corporal. Em animais modernos, os ovos maiores geralmente contêm mais gema, fornecendo todos os nutrientes de que um embrião precisa para se desenvolver de forma independente, sem a necessidade de alimentação parental após a eclosão.

Isso sugere fortemente que o Lystrosaurus não produzia leite para seus filhotes, ao contrário dos mamíferos modernos. Os ovos grandes também oferecem outra vantagem crucial: são mais resistentes à desidratação. No ambiente árido de seca que se seguiu à extinção, essa teria sido uma característica fundamental para a sobrevivência.

As descobertas sugerem ainda que as crias do Lystrosaurus provavelmente eram precoces, nascendo em um estágio avançado de desenvolvimento. Esses animais jovens teriam sido capazes de se alimentar sozinhos, escapar de predadores e atingir a maturidade reprodutiva rapidamente. Em outras palavras, o Lystrosaurus teve sucesso graças ao seu ritmo de vida acelerado e à sua rápida reprodução.

Em um mundo à beira do abismo, essa estratégia provou ser imbatível. Essa descoberta não apenas fornece a primeira evidência direta da oviposição nos ancestrais dos mamíferos, mas também oferece uma explicação convincente de como o Lystrosaurus chegou a dominar os ecossistemas pós-extinção.

À medida que os cientistas continuam a desvendar a biologia dos antigos sobreviventes, uma coisa fica evidente: resiliência, adaptabilidade e estratégia reprodutiva foram fundamentais para sobreviver ao capítulo mais sombrio da Terra, e o Lystrosaurus dominava todas elas.

"Esta pesquisa é importante porque fornece a primeira evidência direta de que os ancestrais dos mamíferos, como o Lystrosaurus, punham ovos, resolvendo assim uma incógnita sobre as origens da reprodução dos mamíferos. Além dessa descoberta fundamental, ela revela como as estratégias reprodutivas podem influenciar a sobrevivência em ambientes extremos: ao produzir ovos grandes e ricos em vitelo, e filhotes precoces, o Lystrosaurus conseguiu prosperar nas condições adversas e imprevisíveis após a extinção em massa do Permiano.

No contexto atual, este trabalho tem grande impacto porque oferece uma perspectiva de longo prazo sobre a resiliência e a adaptabilidade diante das rápidas mudanças climáticas e da crise ecológica. Compreender como os organismos do passado sobreviveram à convulsão global ajuda os cientistas a prever melhor como as espécies atuais poderiam responder ao estresse ambiental atual, o que torna essa descoberta não apenas um avanço na paleontologia, mas também uma peça-chave para os desafios atuais de biodiversidade e clima, como explica Julien Benoit.

Em mais de 150 anos de paleontologia sul-africana, nenhum fóssil havia sido identificado de forma conclusiva como um ovo de terápode. “Esta é a primeira vez que podemos afirmar, com segurança, que os ancestrais de mamíferos como o Lystrosaurus botavam ovos, o que representa um verdadeiro marco neste campo”, conclui o especialista.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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