Publicado 26/05/2026 13:26

Descobrem como estimar a idade dos anfíbios para compreender melhor a dinâmica populacional deles

Filhotes de sapo-corredor (Epidalea calamita), indivíduos que passaram pela metamorfose há poucas semanas e que terão um crescimento significativo nos próximos meses de vida até atingirem a maturidade sexual.
GREGORIO SÁNCHEZ MONTES

MADRID 26 maio (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores descreveram um sistema confiável que permite estimar a relação entre o tamanho corporal e a idade dos anfíbios, especialmente durante os primeiros anos da vida adulta, conforme informou nesta terça-feira o Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN). Ele combina técnicas de captura, marcação e recaptura com modelos de crescimento e dados biométricos de indivíduos jovens, permitindo conhecer a estrutura etária das populações, um aspecto “muito relevante” para sua conservação.

Este sistema, publicado na revista 'Integrative Zoology', baseia-se na análise dos dados obtidos ao longo de 17 anos de acompanhamento de populações de dez espécies de anfíbios na Comunidade de Madri. Participaram de sua elaboração pesquisadores do MNCN, mas também do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados (IMEDEA), da Universidade Autônoma de Madri (UAM), da Associação Herpetológica Espanhola e da Universidade Nacional Autônoma do México.

Conforme explicou o pesquisador do MNCN Gregorio Sánchez-Montes, para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram conjuntamente os padrões de crescimento de indivíduos adultos marcados e identificados, mas de idade desconhecida, com a medição de centenas de juvenis recém-metamorfoseados, cujo tamanho foi registrado novamente em sua primeira aparição como adultos reprodutores.

“Essa abordagem inovadora permitiu à equipe validar os modelos e estabelecer estimativas consensuais de tamanho em diferentes idades para oito das dez espécies analisadas”, acrescentou a instituição.

Íñigo Martínez-Solano, também pesquisador do MNCN, acrescentou que, por meio desse método, eles comprovaram que, pelo menos em várias espécies, é possível distinguir com bastante confiabilidade os indivíduos de um e dois anos de idade a partir de seu tamanho.

“Isso abre uma nova oportunidade para estudar o recrutamento e a dinâmica das populações e nos mostra que os programas de monitoramento de longo prazo contêm muitas informações que podem ser utilizadas para aprimorar nosso conhecimento e planejar, com base científica sólida, a conservação das populações de anfíbios”, explicou.

Identificar a idade dos indivíduos quando chegam pela primeira vez às lagoas para se reproduzir permite conhecer sua idade de maturação sexual, um dos parâmetros demográficos “mais importantes” para compreender a dinâmica populacional dos anfíbios, nas palavras de Carlos Caballero-Díaz, pesquisador da UAM.

"A partir desse momento, o crescimento desacelera bastante, embora sem chegar a parar. Os programas de monitoramento que conseguem identificar os indivíduos em seu primeiro ano de reprodução podem determinar com precisão sua idade e, assim, conhecer a estrutura etária em escala populacional", indicou.

Esse indicador — a estrutura etária — é “especialmente sensível” no que diz respeito ao estado de conservação de uma espécie, pois revela processos-chave como a idade de maturidade sexual, a taxa de renovação geracional e a resiliência das populações diante de secas, perda de habitat ou mudanças climáticas.

Levando tudo isso em conta, os autores destacaram que essa abordagem não requer técnicas invasivas adicionais, como a cronologia esquelética (baseada na análise de padrões de crescimento ósseo), mas valoriza os dados já existentes provenientes de programas de monitoramento contínuo.

Sánchez-Montes destacou como o estudo de uma população ao longo dos anos oferece uma ampla perspectiva, uma vez que registraram várias gerações de indivíduos e detectaram os fatores que estão ameaçando sua sobrevivência.

"Por exemplo, as lagoas temporárias que sustentam núcleos reprodutivos de anfíbios estão sofrendo secas precoces de forma recorrente, o que provoca o fracasso reprodutivo total em alguns anos. Como consequência, a população não se renova, embora ainda haja muitos indivíduos. Estudar a estrutura etária funciona como um sistema de alerta precoce, que nos permite agir se a população estiver envelhecendo, antes que seja tarde demais”, explicou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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