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MADRID 25 set. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe internacional de pesquisadores, liderada pelo Centro Severo Ochoa de Biologia Molecular (CBM-CSIC-UAM), um centro conjunto do CSIC, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, e da Universidade Autônoma de Madri (UAM), identificou um novo composto com grande potencial como medicamento antiviral contra o vírus herpes simplex.
Inspirado em um medicamento já usado contra a gripe, o novo candidato, chamado LN-7, bloqueia o processo pelo qual o vírus empacota seu material genético, uma etapa essencial para formar novas partículas virais e se espalhar pelo corpo. O novo composto funciona até mesmo contra cepas que desenvolveram resistência aos tratamentos atuais, que apenas controlam os surtos sem eliminar o vírus.
A descoberta, publicada na revista Advanced Scienc'e, representa um avanço significativo na busca de tratamentos alternativos para essa infecção persistente e, em muitos casos, resistente a medicamentos.
O novo candidato, chamado LN-7, pertence a uma família de moléculas inspiradas na estrutura do baloxavir marboxil, um medicamento contra a gripe aprovado em vários países. Diferentemente dos antivirais clássicos, como o aciclovir, que tem como alvo a DNA polimerase viral, o LN-7 bloqueia um processo diferente e crítico, ou seja, a atividade da nuclease envolvida no empacotamento do genoma viral em partículas infecciosas.
Esse mecanismo torna o LN-7 um antiviral "de primeira classe", já que nunca antes havia se mostrado eficaz contra esse alvo terapêutico no contexto de infecções por herpesvírus. De acordo com os autores, essa estratégia não apenas amplia as opções de tratamento, mas também pode ajudar a combater o problema crescente da resistência aos medicamentos antivirais convencionais.
De acordo com os pesquisadores, "os resultados são promissores", pois o LN-7 apresentou atividade antiviral em células infectadas e também em modelos animais (camundongos) com infecção por HSV-1. Ele também demonstrou eficácia contra cepas resistentes ao aciclovir, ressaltando seu potencial como tratamento de segunda linha ou em combinação com outros antivirais.
"Nossos resultados mostram que o LN-7 não só é eficaz contra infecções pelo vírus herpes simplex, como também o faz por um mecanismo completamente novo", diz o pesquisador do CBM e coordenador do estudo, Dr. Luis Menéndez-Arias.
"Ao bloquear o empacotamento do genoma viral, abrimos a porta para uma nova classe de antivirais que poderia complementar ou substituir os tratamentos atuais em casos de resistência ou toxicidade. Isso representa um importante avanço conceitual na luta contra os herpesvírus", diz ele.
A próxima etapa será estudar melhor a toxicidade, a biodisponibilidade e a eficácia em modelos mais complexos antes de considerar a realização de testes clínicos em humanos. Mesmo assim, eles afirmam que "a descoberta representa um marco na nova pesquisa antiviral e abre a possibilidade de projetar terapias que tenham como alvo o empacotamento do genoma viral, um alvo até então inexplorado".
LIMITAÇÕES DOS TRATAMENTOS ATUAIS
O vírus do herpes simplex, tanto o tipo 1 (HSV-1) quanto o tipo 2 (HSV-2), causa infecções crônicas que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Embora medicamentos como aciclovir, valaciclovir ou famciclovir sejam amplamente usados e eficazes no controle dos sintomas e na capacidade de reduzir os surtos, eles não eliminam o vírus do corpo. Além disso, o uso prolongado, especialmente em pacientes imunocomprometidos, pode estimular o surgimento de cepas resistentes.
Nos casos em que os antivirais de primeira linha não funcionam, são usadas opções de segunda linha, como o cidofovir ou o foscarnet. Entretanto, esses medicamentos têm efeitos colaterais graves que limitam seu uso. Daí a urgência de explorar novas moléculas com mecanismos de ação diferentes e perfis de segurança mais favoráveis.
Um futuro candidato a medicamento, o LN-7, representa uma oportunidade única de diversificar o arsenal terapêutico contra o herpes simplex. Sua eficácia em estudos pré-clínicos sugere que ele poderia ser útil tanto em monoterapia quanto em terapia combinada com outros antivirais, o que aumentaria a probabilidade de sucesso clínico e reduziria o risco de resistência.
O trabalho foi liderado pelo Dr. Menéndez-Arias e contou com a participação dos grupos do Dr. José Antonio López-Guerrero (CBM-CSIC-UAM), Dr. Federico Gago (Universidade de Alcalá) e pesquisadores da Universidade de Shandong em Jinan (China). Essa colaboração internacional possibilitou o compartilhamento de conhecimentos em biologia molecular, virologia estrutural e design de medicamentos.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático