Publicado 04/08/2025 06:05

Descoberto mecanismo celular que altera a microbiota intestinal e aumenta o aparecimento de várias doenças

Microscopia do intestino, com os núcleos corados em azul e a rede de proteínas de barreira em vermelho.
MANUEL MONTERO GÓMEZ DE LAS HERAS, CBM

MADRID 4 ago. (EUROPA PRESS) -

Uma pesquisa liderada pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha (CSIC) descobriu que a perda da função dos linfócitos T CD4 altera a microbiota intestinal e, como resultado, acelera o envelhecimento celular, contribui para a inflamação crônica e aumenta o risco de várias doenças.

Com a idade, o sistema imunológico se torna menos eficaz e menos responsivo a novas infecções e vacinas, além de gerar inflamação descontrolada, um processo conhecido como "inflamação". Estudos anteriores já demonstraram que o mau funcionamento das células T contribui para a inflamação e a multimorbidade.

O novo estudo do CSIC, publicado na "Science Immunology", investigou como o envelhecimento desses linfócitos afeta especificamente a saúde intestinal, destacando a função que essas células do sistema imunológico desempenham na manutenção da barreira intestinal, uma linha de defesa que impede a passagem de bactérias e toxinas do intestino para o resto do corpo.

"Usando modelos de camundongos envelhecidos, observamos que as células T CD4 perderam sua capacidade de controlar a inflamação e proteger a flora intestinal, o que levou a uma microbiota alterada, danos à barreira intestinal e à disseminação de bactérias para o resto do corpo. Tudo isso acelerou o envelhecimento e aumentou o risco de várias doenças", explicou o pesquisador do CSIC no Centro Severo Ochoa de Biologia Molecular (CBM-CSIC-UAM), Manuel Montero Gómez de las Heras.

Surpreendentemente, quando eliminaram as bactérias intestinais usando antibióticos, os pesquisadores disseram que evitaram a deterioração da barreira intestinal, a inflamação e o aparecimento de doenças, o que prolongou a vida útil dos camundongos.

TERAPIA CELULAR

Com esses resultados, a equipe tentou transplantar células T CD4 jovens e funcionais para os camundongos idosos, o que restaurou o equilíbrio intestinal, evitou a inflamação crônica, protegeu os tecidos do envelhecimento e reduziu o aparecimento de várias doenças.

Além disso, os cientistas obtiveram os mesmos benefícios ao transferir apenas o subtipo regulador dessas células, conhecido como "Tregs", destacando seu importante papel na manutenção da saúde intestinal.

"Esses resultados apoiam a teoria do ganhador do Prêmio Nobel Elie Metchnikoff, que foi pioneiro na sugestão de que o declínio da saúde durante o envelhecimento era causado pela inflamação sistêmica devido à quebra da barreira intestinal e à disseminação descontrolada de produtos bacterianos por todo o corpo", disse Montero Gómez de las Heras.

Em suma, esse trabalho abre novas possibilidades de terapias para fortalecer o sistema imunológico intestinal com o objetivo de promover um envelhecimento mais saudável e prevenir doenças relacionadas à idade.

O estudo, liderado por uma equipe de pesquisa do Centro de Biología Molecular Severo Ochoa, foi realizado em colaboração com a equipe da Universidade de Michigan (EUA) e do Food Science Research Institute (CIAL, CSIC-UAM) e recebeu financiamento da União Europeia por meio do Conselho Europeu de Pesquisa (ERC) e do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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