MADRID 29 jul. (EUROPA PRESS) -
Várias equipes da área de Doenças Cardiovasculares do CIBER (CIBERCV) da Fundação Jiménez-Díaz e do Centro Nacional de Pesquisa Cardiovascular Carlos III (CNIC) sugerem que altos níveis de imunoglobulina A2 estão associados ao desenvolvimento acelerado de aneurisma da aorta abdominal (AAA).
O AAA, caracterizado pela dilatação da aorta abdominal, é uma patologia assintomática que é difícil de diagnosticar precocemente e pode progredir para a ruptura da artéria, um evento fatal na maioria dos casos. A busca por biomarcadores que contribuam para o diagnóstico precoce e melhorem o monitoramento e o prognóstico da doença é um importante desafio de pesquisa.
Um novo estudo publicado no Journal of Translational Medicine demonstrou a presença de níveis elevados de imunoglobulina A em pacientes com aneurisma da aorta abdominal (AAA). "Nosso estudo sugere que os níveis desses anticorpos podem ter valor potencial para o diagnóstico e prognóstico da patologia e sugere que a inibição de seu receptor pode ser um mecanismo de proteção para o desenvolvimento da doença", explicou Jose Luis Martín, pesquisador do Instituto de Investigaciones Sanitarias de la Fundación Jiménez Díaz, da área de Doenças Cardiovasculares do CIBER (CIBERCV) e um dos coordenadores do estudo.
O AAA é geralmente caracterizado pelo acúmulo de células imunológicas na parede da aorta, principalmente na camada adventícia. Em particular, estudos anteriores mostraram a presença de células B e altos níveis de imunoglobulinas G e E em amostras de tecido de AAA, sugerindo a ativação dessas células nos vasos.
O novo estudo, apoiado pela Fundação La Caixa e pela Comunidade de Madri, concentrou-se em investigar a presença de imunoglobulina A (IgA) em pacientes com AAA e sua possível associação com as características clínicas dessa doença. Para isso, tecidos de pacientes diagnosticados com AAA e controles saudáveis foram analisados por meio de estudos proteômicos.
As equipes do CIBER, da IIS Fundación Jiménez Díaz e do Centro Nacional de Investigaciones Cardiovasculares (CNIC) detectaram a presença de níveis elevados de IgA na parede arterial de pacientes com AAA. "Isso sugere uma resposta imune na parede aneurismática como um dos mecanismos de progressão dessa doença", diz Isabel Cerro, pesquisadora da FJD e primeira autora do artigo. Além disso, o bloqueio do receptor de imunoglobulina polimérica em células hematopoiéticas reduziu o desenvolvimento de AAA em um modelo pré-clínico.
"Por outro lado, demonstramos níveis elevados de imunoglobulina A2 (IgA2) em pacientes com AAA, independentemente dos fatores de risco. Esses níveis elevados foram capazes de prever a evolução de pacientes com AAA", explica o pesquisador. Ambos os resultados apontam para o valor potencial desse indicador como um biomarcador para o diagnóstico e o prognóstico dessa doença vascular.
Quanto à sua utilidade como biomarcador, José Luis Martín diz que "a presença desses anticorpos pode fornecer pistas adicionais para entender a estratificação de risco nesses pacientes, o que é um aspecto fundamental no gerenciamento clínico".
Por sua vez, Jesús Vazquez, pesquisador do CNIC e do CIBERCV, destaca que "a detecção de IgA2 é uma técnica relativamente simples, objetiva, reprodutível e viável na maioria dos hospitais, o que facilitaria sua implementação na clínica em um curto período de tempo".
No entanto, os pesquisadores apontam a necessidade de mais estudos nesse campo: "Do ponto de vista clínico, mais pesquisas são necessárias para elucidar o papel exato da IgA2 como um biomarcador para estratificação de pacientes e gerenciamento clínico, bem como sua contribuição para os mecanismos do aneurisma da aorta abdominal", concluem.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático