Publicado 19/03/2025 14:03

Descoberta de um tipo de célula que fortalece fisicamente a pele para evitar infecções

Archivo - Arquivo - Dermatologista examinando pintas. Melanoma.
ISTOCK - Arquivo

MADRID 19 mar. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares da Espanha (CNIC) descobriu que o sistema imunológico não apenas combate infecções, mas também fortalece fisicamente a pele para evitá-las.

Isso é demonstrado em um estudo publicado na 'Nature', no qual a equipe, liderada pelo Dr. Andrés Hidalgo, descobriu um tipo especial de neutrófilo na pele que produz matriz extracelular, ajudando a manter sua resistência e integridade.

Os neutrófilos são células imunológicas do sangue que penetram na pele para gerar colágeno e outras proteínas, fortalecendo a barreira da pele. Essa descoberta abre novos caminhos para a compreensão do sistema imunológico e pode inspirar tratamentos para doenças de pele, inflamação, diabetes e envelhecimento.

Tradicionalmente conhecidos por seu papel na defesa contra infecções, o trabalho revela uma função inesperada para os neutrófilos: a geração e a remodelação da matriz extracelular da pele. "Essa matriz é essencial para manter a estrutura e a função da pele e de outros tecidos, atuando como uma barreira à entrada de microorganismos e substâncias nocivas", diz Hidalgo.

A pesquisa, diz o primeiro autor Tommaso Vicanolo, mostrou que esses neutrófilos reforçam a pele em condições normais e reagem ativamente a lesões, formando estruturas protetoras ao redor das feridas para impedir a entrada de bactérias e toxinas.

Além disso, o estudo revela que essa função estrutural dos neutrófilos é regulada pela via de sinalização do TGF. Ao desativar esse mecanismo, os pesquisadores observaram uma diminuição na formação da matriz extracelular, resultando em uma pele mais frágil e permeável.

"Isso sugere que a interação entre o sistema imunológico e os componentes estruturais do corpo é mais complexa do que se pensava", explica Hidalgo.

Outro resultado da pesquisa é que esses neutrófilos agem de forma circadiana, regulando a produção de matriz extracelular de acordo com o ritmo biológico do corpo, de modo que, em camundongos, a pele é mais resistente à noite do que durante o dia, graças à ação dos neutrófilos.

"Essa descoberta abre novas possibilidades para investigar como os ritmos internos do corpo influenciam a regeneração e o reparo dos tecidos", dizem os pesquisadores.

Para Hidalgo, atualmente na Escola de Medicina da Universidade de Yale (EUA), a descoberta de neutrófilos que produzem matriz extracelular não apenas amplia nosso conhecimento sobre a imunidade inata, mas também levanta novas estratégias para o tratamento de doenças de pele e distúrbios imunológicos.

Em particular, "é provável que essas descobertas tenham implicações para o desenvolvimento de terapias que fortaleçam a barreira da pele em pacientes com doenças inflamatórias ou distúrbios imunológicos, incluindo pacientes com diabetes ou indivíduos idosos".

Essa descoberta, resultado da colaboração de várias equipes do CNIC com laboratórios da Alemanha, Estados Unidos, Cingapura e China, "representa uma mudança na forma como percebemos o papel do sistema imunológico na proteção do corpo", acrescentam os pesquisadores.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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