BURGOS 5 jun. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores da Cátedra de Otoacústica Evolutiva e Paleoantropologia da HM Hospitales e da Universidade de Alcalá, com a participação de pessoal do Laboratório de Evolução Humana da Universidade de Burgos e da Universidade de León, descobriram na Galeria do Sílex, na Serra de Atapuerca, uma necrópole infantil da época calcolítica, considerada a única conhecida até o momento dessa época na Península Ibérica.
A descoberta forneceu a primeira prova direta que corrobora a hipótese de que crianças pequenas recebiam um tratamento funerário diferenciado e eram depositadas em locais distintos dos adultos durante a Idade do Cobre, evidenciando o carinho e a importância que aquelas populações atribuíam aos menores.
O estudo dos restos mortais recuperados nesta cavidade revelou que a maioria dos indivíduos localizados corresponde a menores de seis anos. Especificamente, os pesquisadores identificaram um total de onze indivíduos com menos de seis anos e três entre sete e nove anos, contra apenas dois adultos, detalha a Fundação Atapuerca em seu site, conforme divulgado pela Europa Press.
Esse perfil demográfico contrasta com o restante dos sítios calcolíticos peninsulares, datados entre 5.000 e 4.500 anos atrás, onde quase não haviam sido recuperados restos de crianças menores de seis anos.
A Galeria do Sílex é uma cavidade singular com 500 metros de extensão que foi descoberta em 1972 pelo grupo de espeleologia de Burgos Edelweiss. A galeria permaneceu intacta desde o final da Idade do Bronze devido a um desmoronamento que a selou, o que permitiu conservar um solo repleto de ossos humanos, restos de fauna e centenas de fragmentos de cerâmica, além de mais de 50 painéis de pinturas e gravuras rupestres em suas paredes, com cerca de 4.000 anos de idade.
Este sítio faz parte do conjunto de sítios holocênicos da Serra de Atapuerca, que abrangem desde o Neolítico até o final da Idade do Bronze. A serra também é reconhecida por seu registro pleistocênico, sendo o único local do continente europeu com fósseis de todas as espécies humanas que o habitaram desde há 1,4 milhão de anos.
No novo estudo arqueológico, publicado na revista “Childhood in the Past”, participaram também pesquisadores do Laboratório de Evolução Humana da Universidade de Burgos e da Universidade de León.
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