GUADALAJARA 1 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisa liderada pela Universidade Complutense de Madri (UCM) atribui 40 dentes de dinossauros encontrados no sítio arqueológico de Algora (Guadalajara) à subfamília Majungasaurinae, um grupo de dinossauros terópodes predadores que habitaram Gondwana há entre 100 e 93 milhões de anos, no Cenomaniano do Cretáceo Superior. O sítio arqueológico torna-se, assim, um ponto-chave, pois representa a maior concentração de macrorrestos de vertebrados desse período no sudoeste da Europa.
Embora inicialmente esses dentes tivessem sido atribuídos a outros grupos, como os Carcharodontosauridae, esta nova análise exaustiva publicada na revista Scientific Reports os identifica como pertencentes à família Abelisauridae, especificamente à subfamília Majungasaurinae, conforme informou a UCM em comunicado à imprensa.
Os Majungasaurinae eram um grupo de dinossauros terópodes carnívoros que habitaram o hemisfério sul durante o Cretáceo Superior, há entre 100 e 66 milhões de anos. Parentes de outros abelisáuridos, esses predadores caracterizavam-se por seus crânios robustos, braços extremamente reduzidos e adaptações únicas que os tornaram alguns dos principais caçadores dos antigos ecossistemas de Gondwana, especialmente em regiões como Madagascar, Índia e América do Sul.
“A descoberta corrobora a presença dessa linhagem de abelisaurídeos na Europa a partir do Cenomaniano. Isso ajuda a compreender as transições faunísticas e as trocas entre os antigos continentes de Gondwana (sul) e Laurasia (norte)”, destacou a pesquisadora do Departamento de Geodinâmica, Estratigrafia e Paleontologia da UCM, Angélica Torices.
Além da UCM, participam do trabalho a Universidade Nacional a Distância (UNED) e a Universidade de Lisboa. Os fósseis analisados foram encontrados ao longo de várias campanhas de campo, financiadas por meio de diversas chamadas de propostas de subsídios da Junta de Comunidades de Castela-La Mancha destinadas a projetos de pesquisa do patrimônio arqueológico e paleontológico entre os anos de 2013 e 2025.
UM PERÍODO COM INFORMAÇÕES “MUITO LIMITADAS”
Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram microscopia digital para examinar a morfologia da coroa e dos dentículos, além de análises estatísticas para comparar as amostras com bancos de dados globais de terópodes. Esses dentes são comprimidos lateralmente e têm formato de lâmina com bordas serrilhadas. Foram identificados tanto dentes mesiais (da parte anterior da mandíbula) quanto laterais.
“Este estudo é fundamental para completar o registro fóssil europeu de meados do Cretáceo, um período sobre o qual se tinha informações muito limitadas em comparação com outras épocas”, destacou a pesquisadora da UCM, Mirella López, cuja tese inclui a reidentificação dos restos de Algora.
Essa descoberta não apenas reforça a importância do sítio de Algora no cenário internacional, por representar a maior concentração de macrorrestos de vertebrados do Cenomaniano, mas também “destaca o papel das novas gerações de paleontólogos da UCM na descoberta da história evolutiva dos dinossauros na Península Ibérica”, concluiu Torices.
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