Publicado 22/04/2026 10:16

A dermatite atópica causa ansiedade e estresse e afeta o desempenho profissional e pessoal, segundo o paciente

24% da população considera a dermatite atópica como "algo menor"

Archivo - Arquivo - Dermatite atópica
PRIMEIMAGES/ ISTOCK - Arquivo

MADRID, 22 abr. (EUROPA PRESS) -

A dermatite atópica (DA) é uma doença crônica que afeta “todas as áreas da vida”, desde a saúde física, com coceira e feridas, até a emocional (com ansiedade ou estresse, afetando o desempenho profissional e pessoal), segundo a paciente e presidente da Associação de Pessoas Afetadas pela Dermatite Atópica (AADA), África Luca de Tena.

Essa doença, segundo Luca de Tena, é visível para a população, mas, muitas vezes, é reduzida a “conceitos simplistas”. De fato, 72% dos espanhóis acreditam conhecê-la, mas apenas 38% acabam admitindo saber algo, segundo dados da I Pesquisa Nacional sobre Conhecimento e Percepção da Dermatite Atópica na Espanha, realizada pela Incyte. Além disso, 52% não sabiam que a dermatite atópica é uma doença crônica.

A presidente da AADA, que participou da apresentação desta pesquisa, explicou que a dermatite atópica afeta “tudo” e ressaltou que há situações em que é “impossível não coçar-se”. “É como um tsunami que te arrasa por completo. Fisicamente, você passa o dia todo sentindo sua pele. A coceira é como ter um ruído constante, que você não consegue parar e que precisa combater de alguma forma”, declarou.

DERMATITE ATÓPICA EM CRIANÇAS

O chefe de Dermatologia Pediátrica do Hospital Universitário La Paz (Madri), Raúl de Lucas, afirmou que as lesões inflamatórias acompanhadas de vermelhidão e descamação são os “principais sintomas” do início da dermatite atópica, assim como a coceira e o eczema.

Cerca de 20% das crianças têm dermatite atópica e, dessas, um terço apresenta “formas moderadas ou graves”. Essas crianças sentem coceira e podem não dormir bem, não comer e crescer menos do que as demais crianças. Ao mesmo tempo, eles têm menos concentração e, por esse motivo, seu desenvolvimento psicomotor é “mais reduzido”.

“Temos muitos pacientes subtratados e que sofrem desde os primeiros dois ou três meses de vida, que é quando a doença se manifesta”, especificou. Além disso, ele ressaltou que essa doença, embora seja comum que apareça na infância, pode surgir em qualquer idade.

De acordo com essa pesquisa, 24% das pessoas consideram a dermatite atópica como “algo menor” e acreditam que se trata “mais de uma irritação da pele do que de uma doença propriamente dita”. Também costuma ser associada a um problema temporário ou a uma reação alérgica. Nesse sentido, é importante “levar os cuidados a sério”, pois a gravidade da doença pode aumentar se os sintomas não forem controlados, alertaram os especialistas.

Por sua vez, a chefe da Unidade de Psoríase do Hospital Universitário de Toledo, Elena Martínez, afirmou que se trata de uma doença “muito heterogênea” no que diz respeito a sintomas, lesões, localizações ou impactos na qualidade de vida.

“O problema é que sabemos identificar os pacientes com quadros leves e graves, mas temos dificuldade com as formas intermediárias que podem causar grande impacto na qualidade de vida dos pacientes, mesmo que não apresentem uma patologia grave quantificável”, explicou.

NA VIDA ADULTA

Aproximadamente um terço das crianças com dermatite atópica carrega a doença por “toda a vida”. Quando essas crianças crescem, apresentam sintomas menos comuns que, a princípio, podem não ser associados a essa doença. Além disso, ele esclareceu que essa patologia também afeta o desempenho profissional e pessoal das pessoas.

“A coceira à noite resulta em falta de sono, e a falta de sono faz com que você não seja uma pessoa funcional”, comentou.

O desconhecimento dessa doença, segundo os especialistas, a banaliza e contribui para a “falta de compreensão dos pacientes”, que, além de lidar com o fardo físico da doença, precisam enfrentar o peso emocional de “se sentirem julgados ou subestimados pelo entorno”. Nesse sentido, 40% dos espanhóis reconhecem “sentir-se incomodados” diante de pessoas com sintomas de DA. Da mesma forma, 44% dos entrevistados consideram que é possível levar uma vida normal sem que isso afete “demais” o dia a dia.

A DA, especialmente nos casos moderados e graves, representa um “fardo psicológico significativo”, afetando negativamente a qualidade de vida dos pacientes. Raúl de Lucas destacou que o fardo acumulado da doença (quando a coceira é contínua durante todo o dia e todos os dias do ano) torna “muito difícil” lidar com a dermatite atópica.

“Os pacientes buscam, acima de tudo, o alívio da coceira, a melhora rápida das lesões e a possibilidade de recuperar sua vida cotidiana (dormir bem, trabalhar, interagir). Em suma, não apenas melhorar a pele, mas normalizar sua vida”, afirmou Martínez.

África Luca de Tena, por sua vez, acrescentou que os grandes desafios são mostrar que não se trata de uma doença menor, indo além do aspecto puramente estético, e que também se considere o apoio psicológico por profissionais que conheçam a patologia e o que ela implica.

A EXPERIÊNCIA EMOCIONAL DA DERMATITE ATÓPICA

A psicóloga adjunta do Serviço de Dermatologia e Reumatologia do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau (Barcelona), Sandra Ros, expôs que levar em conta a experiência emocional no tratamento desses pacientes é “fundamental”.

“A coceira persistente, a visibilidade das lesões ou a imprevisibilidade das crises geram um desgaste mental significativo, que pode se traduzir em baixa autoestima, irritabilidade e sintomas de ansiedade e depressão. Na prática clínica, não é raro identificar distúrbios de adaptação associados ao impacto da doença”, continuou ela.

Os novos tratamentos estão melhorando os sintomas, mas também estão recuperando pacientes que estavam fora do sistema e que “haviam perdido a confiança”.

Por isso, o apoio psicológico aos pacientes é “fundamental” para integrar estratégias de enfrentamento que os ajudem a conviver com uma doença “tão limitante e com tanto impacto na qualidade de vida”. Nesse sentido, incorporar de forma coordenada os cuidados dermatológicos e psicológicos permite oferecer “uma resposta mais completa e adequada às necessidades reais” das pessoas com dermatite atópica.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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