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MADRID 27 ago. (EUROPA PRESS) -
A depressão em crianças geralmente se manifesta por meio de dores físicas, irritabilidade ou baixo desempenho escolar, diz Inés Santos, professora do curso de Bacharelado em Psicologia da Universidad Europea.
No entanto, a especialista adverte que isso muitas vezes passa despercebido por dois motivos "fundamentais": a imaturidade emocional das crianças, que dificulta a verbalização de seu desconforto; e a má interpretação da tristeza por parte dos pais e responsáveis, que tendem a atribuí-la à "desobediência, apatia ou falta de motivação, sem considerar um possível transtorno depressivo".
Nesse sentido, Santos explica que as crianças têm dificuldade de identificar o que sentem e de explicá-lo, tendem a demonstrar seu sofrimento indiretamente, por meio de raiva, retraimento, somatização ou baixo desempenho. Ela acrescenta que os adultos às vezes têm tanto medo de que seus filhos estejam sofrendo que podem cometer o erro de negar ou evitar pensar que eles estão tristes.
Assim, a especialista insiste que o baixo desempenho na sala de aula deve ser interpretado como algo mais do que indiferença ou rebeldia. "Na adolescência, isso pode acontecer, mas não na infância: nenhuma criança com menos de 10 anos reprova por desinteresse, sempre há outros fatores, como problemas de aprendizado e, às vezes, depressão", enfatiza.
Além disso, um diagnóstico tardio de depressão pode levar a dificuldades no desenvolvimento emocional e social das crianças, já que aquelas que "sofreram de depressão na infância correm um risco maior de sofrer novamente na idade adulta", diz Santos. Por esse motivo, é importante concentrar-se no ambiente educacional, que é onde os sintomas são mais bem detectados e tratados.
CENTROS EDUCACIONAIS, FUNDAMENTAIS PARA DETECTAR A DEPRESSÃO INFANTIL
"Os professores, que convivem diariamente com os alunos, geralmente são os que detectam mais rapidamente possíveis mudanças no comportamento deles, especialmente em escolas infantis e primárias", diz Santos. Nesse sentido, ele destaca como "solução fundamental" uma comunicação fluida entre a família e a escola. "A participação ativa das escolas pode ajudar consideravelmente por meio de protocolos de avaliação do bem-estar emocional e oficinas de treinamento para as famílias, para que elas possam reconhecer os sintomas e melhorar os aspectos da educação emocional e da comunicação", explica.
No entanto, ela ressalta que, para que essa detecção seja eficaz, "é essencial que as salas de aula não estejam superlotadas, permitindo assim uma atenção mais individualizada e um acompanhamento mais próximo de cada criança". Além disso, Santos considera necessária a implementação de programas de conscientização, oficinas educativas, protocolos de avaliação e detecção, treinamento de professores e maior apoio às famílias, não só por parte das escolas, mas também dos centros de saúde.
"Os exames sistemáticos de saúde mental devem ser incluídos nos check-ups pediátricos para permitir a detecção precoce", disse o professor de psicologia. "Há uma conscientização cada vez maior sobre a importância da saúde mental, mas ainda há um longo caminho a percorrer", conclui.
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