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MADRID 20 mar. (EUROPA PRESS) -
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, acelerou esta semana a saída dos partidários do chavismo que apoiaram o governo de Nicolás Maduro na última década, com várias demissões adicionais, sendo a mais simbólica a do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se encarrega de elogiar sua gestão à frente do Miraflores.
A saída de Padrino era previsível após o descrédito que a operação norte-americana representou para as Forças Armadas, que resultou na prisão do presidente Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, atualmente detidos em uma prisão de Nova York enquanto enfrentam um julgamento por tráfico de drogas.
A demissão de Padrino foi a medida mais ousada de Delcy Rodríguez, que logo se apressou a se livrar de outros líderes do chavismo, como o suposto testa-de-ferro de Maduro, Alex Saab, que atuava como ministro da Indústria, ou o procurador-geral, Tarek William, que apresentou sua demissão no final de fevereiro.
Na última década, o ministro da Defesa consolidou-se como um dos homens mais próximos de Maduro, garantindo a unidade dentro das Forças Armadas, enquanto para outros representava a imagem da repressão. Com sua saída, chega ao fim um período de lealdade ao chavismo diante de não poucas tentativas de traição.
Da mesma forma, inicia-se neste momento um período de incerteza em torno de Padrino. Com a Casa Branca cada vez mais favorável à nova Venezuela de Delcy, resta saber qual será agora o alcance da recompensa de 15 milhões de dólares (13 milhões de euros) que o governo dos Estados Unidos oferece por ele desde 2025.
Desde que assumiu como presidente interina, Delcy Rodríguez já trocou uma dúzia de ministros. Paralelamente ao titular da Defesa, deixaram o cargo aqueles que, até esta quarta-feira, exerciam as funções de ministros da Educação Universitária, Cultura, Trabalho, Transportes, Energia Elétrica e Habitação.
O lugar de Padrino já é ocupado pelo major-general Gustavo González López, militar com longa experiência no serviço de Inteligência que havia sido sancionado pelos Estados Unidos em 2014, figura histórica do chavismo e agora homem de máxima confiança de Rodríguez, mas também muito próximo do ministro do Interior, Diosdado Cabello, um dos últimos do círculo de Maduro ainda em pé.
A passagem de González López pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) oferece uma nova perspectiva de direção do Ministério da Defesa, que serve a Rodríguez para neutralizar qualquer tentativa de rebelião ou de lealdade ao comando anterior, em um momento fundamental para sua sobrevivência política.
Tudo isso sob as pressões de um Donald Trump que já havia advertido, logo após ela assumir como presidente interina da Venezuela, que sua permanência no cargo dependia de como ela se comportasse em relação aos interesses norte-americanos.
O “bom trabalho” de Rodríguez passa por continuar permitindo a saída de “milhões” de barris de petróleo venezuelano, como o presidente Trump se encarregou de lembrar nesta mesma semana. “Nos damos muito bem com eles”, afirmou ele sobre as autoridades interinas.
DIOSDADO CABELLO E YVÁN GIL, OS ÚLTIMOS HOMENS DE MADURO
A reestruturação do governo venezuelano deixou de lado, por enquanto, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, também secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela; e o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil.
Embora alguns analistas considerem que Cabello, figura midiática e pertencente à primeira geração do chavismo, possa ser o próximo a sair, seu histórico de sobrevivência política — tendo saído ileso da operação para capturar Maduro, apesar de ser um dos homens mais fortes do sistema — levanta muitas questões sobre seu futuro.
Ele não apenas superou várias crises políticas, mas também, em plena remodelação do gabinete, soube manter sua esfera de influência, com sua filha Daniella Cabello à frente do Turismo, mas também com o recém-nomeado ministro da Defesa, de quem é muito próximo.
Por sua vez, Gil permanece à frente da diplomacia venezuelana, o que sugere que não haverá mudanças na política externa da Venezuela, embora com certas nuances, pois, embora continue tendo a Rússia ou a China como aliados históricos, por ordem de Trump já se deixou de fornecer petróleo a Cuba.
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