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MADRID 27 jun. (EUROPA PRESS) -
A Federação de Associações para a Defesa da Saúde Pública (FADSP) exigiu o desenvolvimento de uma Estratégia de Estado para a Saúde Pública em face da Mudança Climática que integre medidas de mitigação e adaptação, dadas as mais de 8.000 mortes por ano que, segundo estimativas, são causadas por eventos climáticos extremos na Espanha.
A FADSP apresentou nesta sexta-feira o relatório "A mudança climática e suas consequências", do qual constam esses e outros dados sobre o impacto que as variações no clima estão tendo em nível global e nacional, com o objetivo de divulgar um "alarme sanitário, ecológico e social" que requer atenção imediata.
"Podemos afirmar inequivocamente que a mudança climática já é o principal determinante estrutural da saúde de nossas sociedades. E, como tal, exige uma resposta firme e contundente das autoridades políticas e de saúde", disse Sergio Fernández, vice-presidente da FADSP, em uma coletiva de imprensa.
O documento publicado pela federação afirma que 45% das mortes registradas no mundo desde 1970 estão ligadas à mudança climática e, no mesmo período, as perdas econômicas devido a essa causa representam 74%. Apesar disso, denuncia o fato de que a maioria dos governos, incluindo os dos países mais poluentes, como os membros da União Europeia, os Estados Unidos, a China e a Índia, estão fazendo "pouco" esforço nesse sentido.
"Perdemos a oportunidade de manter o aquecimento global abaixo da temperatura acordada para evitar milhões de mortes relacionadas à mudança climática", lamentou Carmen Sánchez, membro da FADSP, que detalhou os dados no relatório.
GASES POLUENTES
Os principais responsáveis por essa crise são os gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2), o metano e o óxido nitroso, além de material particulado e ozônio troposférico.
Na Espanha, mais de 32 milhões de pessoas, ou 68% da população, respiraram ar poluído em 2023. A poluição do ar no país aumentou 30,5%, com Múrcia, as Ilhas Canárias, a Comunidade de Madri, Astúrias e Catalunha liderando as regiões mais afetadas.
Em 2014, a poluição causou 38.600 mortes na Espanha, com problemas respiratórios, derrames, doenças cardíacas, distúrbios do desenvolvimento infantil e doenças mentais sendo os mais associados à exposição à má qualidade do ar.
"Hoje sabemos algo importante, que é o fato de que essas partículas menores, que são as que entram mais facilmente nos pulmões e produzem doenças respiratórias, também entram nos vasos sanguíneos e os afetam, de modo que essa poluição pode ser o segundo ou terceiro fator de risco para derrames. E isso é muito importante porque até agora isso não havia sido estudado", explicou Sánchez.
Em relação às ondas de calor, o relatório aponta que, em 2022, mais de 11.000 pessoas morreram por esse motivo na Espanha, que é o quinto país do mundo com mais mortes por essa causa, sendo as mulheres idosas o grupo mais afetado. Essas mortes poderiam ser reduzidas em 70% se fossem tomadas medidas urgentes para reduzir as emissões de carbono.
Sobre esse ponto, Sánchez destacou que a primeira onda de calor do verão é a mais perigosa e mortal, pois o corpo precisa de tempo para se acostumar a temperaturas extremas e, quando elas aparecem "de repente", as pessoas mais frágeis correm um risco maior.
Além disso, como destaca o documento, o aquecimento global está favorecendo a chegada e a disseminação de doenças antes ausentes na Espanha e arredores, como a dengue, a febre chikungunya e a vibriose. "A Organização Mundial da Saúde (OMS) está nos alertando sobre a perda de progresso na luta global contra a malária, infelizmente. Foi feita uma luta muito forte, mas pode haver um retrocesso porque esse aquecimento já está facilitando a disseminação da malária para áreas temperadas da Europa", acrescentou o membro da FADSP.
Em termos de impacto econômico, o relatório estima perdas globais de 3,8 bilhões de euros por ano, que podem chegar a 34 bilhões de euros até 2050. Na Espanha, as perdas por habitante aumentaram 26 vezes entre 2017 e 2022. A agricultura, a construção e os serviços estão entre os setores mais afetados. No entanto, o investimento público da Espanha continua insuficiente, com apenas 1,8% de seu PIB destinado à proteção ambiental, 20% a menos do que a média da UE.
As pessoas estão cada vez mais preocupadas: 79% temem pelo futuro de seus filhos diante das mudanças climáticas; 74% temem os efeitos do calor e do frio extremos e 71% temem o custo de manter uma temperatura adequada em casa. Mais de 80% já tomam medidas cotidianas para reduzir seu impacto, como economizar energia, reciclar e evitar o desperdício de alimentos.
O SISTEMA DE SAÚDE NÃO ESTÁ PREPARADO
O presidente da FADSP, Manuel Martín, afirmou que o Sistema Nacional de Saúde (NHS) "não está bem orientado" para enfrentar os problemas de saúde causados pelas mudanças climáticas. Segundo ele, as autoridades políticas nacionais e internacionais são "relutantes e tímidas" quando se trata de implementar medidas reais e vigorosas para enfrentar esse problema.
A federação propôs 10 medidas urgentes, incluindo o desenvolvimento de uma Estratégia de Estado para a Saúde Pública em face da Mudança Climática, para proteger o planeta e, com ele, a saúde da população.
Ela pede que se declare a mudança climática como uma emergência de saúde e a inclua em todos os planos do Sistema Nacional de Saúde, fortalecendo os sistemas de alerta precoce e a resposta a fenômenos extremos, protegendo ativamente os grupos mais vulneráveis com programas específicos e incorporando a saúde ambiental na atenção primária por meio do treinamento de profissionais.
Além dessas sugestões, as cidades devem ser redesenhadas para se tornarem mais saudáveis e resilientes, as emissões do próprio sistema de saúde devem ser reduzidas, a pesquisa sobre saúde e clima deve ser promovida, uma tributação ambiental justa deve ser aplicada àqueles que mais poluem, e a sociedade civil e o sistema de saúde devem estar envolvidos na governança climática.
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