Publicado 19/01/2026 06:16

O Defensor do Paciente recebe quase 15.000 denúncias por negligência médica em 2025, o maior número já registrado.

Archivo - Arquivo - Sala de cirurgia.
SANTYPAN/ ISCTOK - Arquivo

Mais de 950 pessoas morreram no ano passado por esse motivo MADRID 19 jan. (EUROPA PRESS) -

A associação El Defensor del Paciente recebeu em 2025 uma média de 41 casos por dia por suspeita de negligência médica e sanitária, o número mais alto da última década, totalizando 14.986 casos (898 a mais do que em 2024), dos quais 951 resultaram em morte (153 a mais do que em 2024). Os casos mais comuns ocorreram por má prática, como intervenções mal realizadas, altas precipitadas, atendimento deficiente, infecções hospitalares e atrasos nas ambulâncias. Embora a principal razão se deva ao erro de diagnóstico e à perda de oportunidade terapêutica.

Isso é refletido no Relatório 2025 apresentado nesta segunda-feira pela associação. “Embora sejam dados embaraçosos para a Administração Sanitária, essa é a realidade”, lamenta o Defensor do Paciente no documento. Para a associação, o sistema sanitário espanhol é universal e excelente, mas não funciona como deveria porque os responsáveis políticos não estão cuidando dele. Além disso, denuncia que em 2025 houve mais encaminhamentos do que nunca na história para grupos hospitalares privados. “Existe uma estreita relação entre os encaminhamentos para grupos hospitalares privados e o milhão de cidadãos na lista de espera cirúrgica. Não há dúvida de que a privatização é uma opção política”, critica.

AUMENTAM AS NEGLIGÊNCIAS NA CIRURGIA PLÁSTICA Desagregando por especialidade e processo, foram recebidos 380 casos de pessoas que se submeteram a uma intervenção de cirurgia plástica, reparadora e estética, com resultados insatisfatórios, mais 29 casos do que no ano anterior. Além disso, foram registrados 63 casos de pessoas afetadas pela depilação a laser. “Este é um dado a ser levado em consideração, pois é uma técnica que, nos últimos anos, tem aumentado sua prática nas redes de estética. Algumas delas utilizam lasers que não são de boa qualidade, além do fato de que o pessoal que realiza esses tratamentos, em muitos casos, não é médico”, destaca o relatório.

O documento indica que 115 bebês nasceram com alguma deficiência em 2025, o que representa 7 recém-nascidos a mais em relação ao ano anterior. São casos relacionados à hipóxia durante o parto, ou seja, quando o bebê não recebe oxigênio suficiente, causando sequelas graves como paralisia cerebral, atrasos no desenvolvimento ou problemas neurológicos.

“Embora nem toda hipoxia signifique negligência médica, a negligência ocorre quando há falta de controle durante o parto, quando se ignora as alterações no registro cartográfico ou quando — por uma decisão tardia — se pratica uma cesariana de emergência”, explica o Defensor do Paciente.

Além disso, foram registrados 31 óbitos em casos em que, após ligar para o 112, não foi enviada uma ambulância ao domicílio para transportar o doente para um hospital ou a resposta foi tardia, com mais de uma hora de atraso. Da mesma forma, 30 pacientes morreram por infecção hospitalar devido ao fato de o hospital não ter cumprido as medidas de assepsia necessárias. “Este número é insignificante em relação ao real, já que na Espanha morrem mais pessoas por infecções hospitalares do que por acidentes de trânsito”, apontam desde a associação. Também foram contabilizados 155 casos de deficiência em pacientes após uma intervenção cirúrgica, ficando em estado de tetraplegia ou paraplegia. Este dado representa mais 21 casos do que em 2024. Por outro lado, foram registados 16 casos de pessoas infetadas com hepatite C (VHC). O número diminuiu consideravelmente em relação a outros relatórios e a maioria destes casos tem origem em transfusões de sangue durante intervenções cirúrgicas.

Além disso, 64 pessoas denunciaram terem recebido alta médica sem estarem em condições ideais para poderem trabalhar. “A falta de coordenação entre o sistema contratual e o sistema de proteção da Previdência Social está gerando um grave desequilíbrio em nosso sistema, com terríveis consequências para o trabalhador”, denuncia a associação.

Por ordem decrescente, as comunidades autônomas com mais denúncias por negligência são: Madri (4.005 casos), Andaluzia (2.730), Catalunha (2.059), Comunidade Valenciana (1.133), Castela e Leão (858), Castela-La Mancha (801), Galícia (704), País Basco (432), Múrcia (430), Aragão (401), Canárias (320), Extremadura (271), Cantábria (248), Astúrias (210), Baleares (196), Navarra (90), La Rioja (56), Ceuta e Melilha (12).

“BASTA DE MENTIR COM AS LISTAS DE ESPERA” As listas de espera concentram o maior número de denúncias durante 2025. De acordo com os últimos registros do Ministério da Saúde, em 30 de junho de 2025, havia 832.728 pacientes aguardando uma cirurgia com um prazo médio de 118 dias. Em comparação com o relatório de 2024, isso representa 15.582 pacientes a menos, enquanto o tempo de espera diminuiu 3 dias.

No entanto, o Defensor do Paciente considera que os resultados não são precisos: “Chega de mentir com as listas de espera”. “Os dados para se submeter a uma intervenção tornam-se crônicos, embora tenham diminuído ligeiramente (...). São deprimentes, continuamos com quase um milhão de pessoas à espera de uma operação”, denunciam desde a associação”, acrescentam.

Além disso, os demais serviços com mais denúncias são, por ordem: cirurgia geral, urgências, traumatologia, ginecologia e obstetrícia, odontologia e cirurgia maxilofacial, transporte sanitário e ambulâncias (112 e 061), oncologia, oftalmologia e cardiologia. “O caminho para acessar a saúde pública é uma corrida de obstáculos. Para conseguir uma consulta com o nosso médico de família, temos que esperar duas semanas; para fazer um exame, um mês. A atenção primária fica saturada, as pessoas vão para as urgências e é aí que ocorrem os erros. As listas de espera são outra história. Consequentemente, o colapso da saúde pública disparou a negligência médica”, alertam desde o Defensor do Paciente.

Nesse sentido, os dez hospitais que receberam mais reclamações em seus serviços de emergência por má gestão do fluxo de pacientes são o Hospital Universitário das Canárias (HUC), o Hospital Universitário La Paz (Madri), o Hospital Universitário de Toledo, o Hospital Universitário Miguel Servet (Saragoça), o Complexo Hospitalar Universitário de Santiago (CHUS), o Hospital Universitário Vall d'Hebron (Barcelona), o Hospital Clínico Universitário de Valência, o Hospital Universitário Virgen Macarena (Sevilha), o Hospital Universitário Son Espases (Palma de Maiorca) e o Hospital Universitário de Cruces (Bilbao).

RASTREIO DO CÂNCER Por outro lado, a associação criticou que a crise do rastreio revelou as “vergonhas” do sistema de saúde, pois, segundo eles, não se trata de nada mais do que casos de listas de espera por falta de especialistas e como resultado da política de privatização.

“O escândalo das falhas nos rastreios de cancro é um dos episódios mais embaraçosos da saúde pública espanhola”, denuncia a associação, que assegura que se trata de um problema que se tornou conhecido na Andaluzia, mas que ocorre em todo o país.

Por último, o Defensor do Paciente alerta que entender a assistência médica através da inteligência artificial (IA) é um “verdadeiro perigo”, já que, em sua opinião, acarreta muita dificuldade diagnóstica e pode levar a graves erros na medicação. “O distanciamento entre médico e paciente só pode levar ao erro médico. Do nosso ponto de vista, o futuro da medicina é sombrio com a IA, porque ela dissipa o lado humano”, conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado