Publicado 24/03/2026 12:46

Dados, software e gêmeos digitais: o papel da Tata Consultancy Services nas vitórias da Jaguar e da Fórmula E

Monolugar da equipe Jaguar TCS Racing nos treinos livres durante o Grande Prêmio de Madri do Campeonato Mundial de Fórmula E.
EUROPA PRESS

MADRID 24 mar. (Portaltic/EP) -

Na Fórmula E, não é apenas o talento dos pilotos que se destaca; por trás do sucesso de equipes como a Jaguar TCS Racing, empresas como a Tata Consultancy Services (TCS) demonstram por que são o motor tecnológico, graças à sua capacidade de transformar dados em decisões, com base na nuvem e nos gêmeos digitais, com o objetivo de alcançar a verdadeira velocidade.

O circuito de Madrid Jarama-RACE sediou neste fim de semana o Grande Prêmio de Madrid do Campeonato Mundial de Fórmula E, com uma corrida em que a equipe Jaguar TCS Racing conquistou uma dupla vitória, com o piloto português António Félix da Costa liderando o pódio, seguido por seu companheiro, o neozelandês Mitch Evans.

A corrida foi transmitida para mais de 400 milhões de espectadores em 192 países e, como sexta etapa do campeonato, destacou mais uma vez a capacidade da Fórmula E de levar tecnologia de ponta para a competição.

A vitória da Jaguar TCS Racing revelou a habilidade impecável de ambos os pilotos da equipe, mas também destacou como os serviços da Tata Consultancy continuam sendo um fator diferenciador, após dez anos dessa empresa como patrocinadora principal e parceira tecnológica oficial.

Durante este fim de semana de Grande Prêmio, a Europa Press pôde entrar de cabeça na garagem da Jaguar TCS Racing e ver de perto como a tecnologia de dados e de software impulsiona a estratégia da equipe de tal forma que faz a diferença para conquistar a vitória.

A VITÓRIA PASSA PELA ANÁLISE DE DADOS E PELOS GÊMEOS DIGITAIS

A Tata Consultancy Services é uma das maiores empresas globais de serviços de TI e consultoria tecnológica e, no âmbito de sua colaboração tecnológica com a equipe da Fórmula E, presta serviços para atuar como “cérebro tecnológico” entre o circuito e a sala de operações.

A TCS oferece ferramentas que proporcionam capacidade para algo fundamental na Fórmula E, como é a adaptação rápida para lutar por “vitórias e pódios”, conforme afirmou o vice-presidente e diretor da Unidade de Negócios de Manufatura no Reino Unido e na Irlanda da TCS, Sudeep Mazumdar, em declarações a este meio.

Isso se deve, em parte, ao ambiente de computação em nuvem fornecido pela TCS, um espaço seguro e flexível para hospedar o banco de dados da equipe. Além disso, também ajuda a levar os carros ao limite no mundo virtual e, assim, melhorar seu desempenho no mundo real por meio dos gêmeos digitais.

Como explicou Mazumdar, dado que as corridas “são ganhas ou perdidas por frações de segundo”, contar com um serviço de hospedagem em nuvem permite ajustar a configuração dos carros em tempo recorde, desde questões relacionadas ao trem de força do monolugar até a gestão de energia ou a suspensão.

Para isso, a estratégia parte inicialmente dos gêmeos digitais. Ou seja, uma solução baseada em um modelo matemático chamado Virtual Vehicle Validation Model (V3M), que instrui o gêmeo digital do monolugar sobre como navegar por uma pista, com base em diversas entradas.

Ou seja, durante os treinos e corridas, a equipe coleta todo tipo de dados, desde velocidade, temperatura dos pneus, tipos de traçado, gerenciamento da bateria, potência, desempenho, decisões dos pilotos, até as possíveis condições da pista. Uma vez coletados, eles são enviados a uma equipe de oito engenheiros localizada no Reino Unido.

Essa equipe insere os dados no modelo V3M e, com isso, executa simulações contínuas sobre todos os cenários e variáveis possíveis por meio dos gêmeos digitais, sem a necessidade de um piloto no simulador testando cada opção de corrida, como ocorria no início da competição.

Com base nos resultados das simulações, a equipe prepara suas estratégias personalizadas para cada corrida, configuração do carro e piloto. Quanto mais o simulador se aproxima da realidade, maiores são as chances da equipe de prever a corrida, traçar a melhor estratégia e, finalmente, vencer.

Essa simulação é realizada até o último minuto antes de entrar na pista, já que a tecnologia de gêmeos digitais economiza tempo crítico durante a preparação e os engenheiros podem modificar o software do veículo praticamente na hora, em busca de melhorias de desempenho. O V3M permite que eles sejam continuamente adaptáveis tanto na fábrica quanto no circuito.

De fato, Mazumdar esclareceu que os engenheiros “trabalham a noite toda com os dados dos treinos livres para definir a configuração ideal do carro para a qualificação da manhã seguinte”.

É preciso levar em conta que, inspirados em um avião de combate, os modelos atuais de carros da Fórmula E, os GEN3 Evo, compartilham toda a parte dianteira, bem como as baterias, mas a diferenciação de cada equipe se destaca, além do piloto, no design da parte traseira e no nível do software.

Portanto, o TCS é uma parte fundamental para a equipe na hora de traçar a estratégia vencedora de cada corrida. “Um bom simulador é definido pela qualidade dos dados e pela forma como eles são processados para oferecer análises úteis à equipe”, afirmou o executivo, de modo que, combinados com as habilidades de pilotagem do piloto, são a chave para o sucesso.

Além disso, Mazumdar adiantou que, durante a próxima temporada, esperam surpresas, já que o V3M poderá ser integrado com inteligência artificial para oferecer ainda mais informações sobre o desempenho do gêmeo digital do carro.

“A IA ainda não está totalmente integrada porque precisa amadurecer mais, mas esperamos ter IA autônoma no futuro para que não haja intervenção manual”, detalhou.

Outro aspecto pelo qual os simuladores são especialmente importantes é que as regras da Fórmula E não permitem a análise de dados em tempo real durante a corrida. O piloto é o único que conta com telemetria no volante e transmite as informações codificadas por rádio aos engenheiros enquanto dirige em alta velocidade.

VELOCIDADE MÁXIMA: 10% DE RECARGA DA BATERIA EM 30 SEGUNDOS

O Jaguar I-TYPE 7 é o modelo de carro pilotado pela Jaguar TCS Racing e pode acelerar de 0 a 100 km/h em 1,86 segundos, o que torna esses carros os monopostos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) com a aceleração mais rápida do mundo.

A potência e a velocidade que esses carros atingem podem ser observadas quando ativam o modo de ataque durante a corrida. Ou seja, uma opção que proporciona aos pilotos 50 kW extras de potência durante seis minutos.

No entanto, a pista não é o único momento em que esses carros se destacam por sua velocidade. Durante este Grande Prêmio, também foi possível ver a tecnologia avançada de recarga rápida que sustenta suas baterias com o chamado Pit Boost, paradas de 30 segundos realizadas ao longo da corrida para recarregar 10% da bateria, ou seja, um impulso de 600 kW.

Ambos são elementos estratégicos nas corridas, com potencial para alterar o rumo da competição, conforme detalhou o diretor da equipe Jaguar TCS Racing, Ian James, que comparou o carregamento rápido atual com as primeiras corridas em que cada piloto tinha dois carros para aguentar o número de voltas.

Nesse aspecto, a TCS também aposta na inovação para liderar um futuro sustentável na mobilidade conectada. Assim, o software entra em cena mais uma vez para garantir a gestão da autonomia da bateria durante a corrida.

“Há muito software para tentar ser mais eficientes e regenerar a energia nos momentos mais oportunos”, avaliou o piloto Mitch Evans, que também destacou o quanto essa tecnologia evoluiu nos últimos dez anos e como ela abrirá caminho para os carros do futuro.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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