MADRID, 18 mar. (EUROPA PRESS) -
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o custo dos testes para a detecção da tuberculose pode ser reduzido “em 50% ou mais” com o novo plano elaborado por esse órgão, que se baseia no uso de swabs linguais e no agrupamento de amostras.
O objetivo é “diagnosticar as pessoas mais rapidamente utilizando menos testes”, afirmou ele, por ocasião da próxima comemoração, na terça-feira, 24 de março, do Dia Mundial desta doença, contexto no qual destacou essa estratégia. A mesma defende também a realização de testes moleculares no ponto de atendimento mais próximo.
Nesse sentido, Adhanom Ghebreyesus lembrou que essa patologia representa “um grande desafio global para a saúde contra o qual o mundo tem feito grandes progressos”. “Desde o ano 2000, os esforços para combater a tuberculose salvaram cerca de 83 milhões de vidas”, destacou, acrescentando, no entanto, que “os custos” e “a resistência aos medicamentos estão aumentando”.
“Todos os dias, mais de 3.300 pessoas morrem de tuberculose e mais de 29.000 pessoas contraem essa doença prevenível e curável”, continuou ele, ao mesmo tempo em que declarou que existem “milhões” de cidadãos que “não são diagnosticados ou tratados”. Diante disso, destacou “os novos testes diagnósticos, que estão ajudando a preencher essa lacuna”.
AMPLIAR O ACESSO
De qualquer forma, ele ressaltou que a implantação desses testes “tem sido lenta em muitos países, em parte devido aos altos custos”, diante do que valorizou as novas diretrizes para “reduzir os custos”. Isso está “abrindo mais opções para os países descentralizarem serviços e ampliarem o acesso”, afirmou.
Por outro lado, o representante máximo da OMS referiu-se ao novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) sobre mortalidade infantil, que mostra que a redução dessa taxa desacelerou em mais de 60% em nível mundial desde 2015, dado que se confirma com os 4,9 milhões de crianças menores de cinco anos mortas em 2024.
“A melhoria na sobrevivência das crianças nas últimas duas décadas é uma das grandes histórias de sucesso da saúde global”, destacou ele, no entanto, antes de explicar que, “em 2000, mais de 10 milhões de crianças morreram antes de completar cinco anos”. “Milhões de crianças estão vivas hoje porque países e ‘parceiros’ investiram na implementação de soluções” por meio de “vacinas” e “tratamentos para desnutrição grave”, entre outros.
A SOBREVIVÊNCIA INFANTIL COMO PRIORIDADE POLÍTICA E FINANCEIRA
“A OMS apela aos governos, doadores e ‘parceiros’ para que a sobrevivência infantil seja uma prioridade política e financeira”, instou Adhanom Ghebreyesus, que também abordou as conclusões da última reunião do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE, na sigla em inglês), que analisou a Covid-19, a febre tifóide e a poliomielite.
Este grupo de especialistas recomenda a vacinação com, no mínimo, uma dose e, de preferência, duas administradas com seis meses de intervalo, nos grupos com maior risco de desenvolver uma forma grave da Covid-19, como idosos, idosos com comorbidades significativas ou obesidade grave, idosos em lares e centros de cuidados de longa duração, e pessoas com seis meses ou mais de idade com imunossupressão moderada ou grave.
“A maior mudança diz respeito à febre tifóide”, explicou, já que se recomenda considerar a administração, em ambientes com incidência muito alta, de uma dose de reforço da vacina conjugada a crianças de cinco anos que tenham recebido a dose primária entre os nove e os 24 meses de idade, com o objetivo de manter uma proteção sólida.
ATAQUES AOS SISTEMAS DE ATENDIMENTO MÉDICO NO ORIENTE MÉDIO
Por fim, e em relação aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a saúde, ele declarou que “o acesso à saúde está se tornando cada vez mais difícil”. “Os ataques aos sistemas de assistência médica continuam sendo relatados”, ressaltou, ao mesmo tempo em que declarou que estes representam “uma violação do direito internacional”.
“A OMS liberou dois milhões de dólares do Fundo de Contingência para Emergências para apoiar a resposta no Líbano, no Iraque e na Síria”, lembrou Adhanom Ghebreyesus, que concluiu afirmando que a organização que lidera “está fazendo todo o possível para salvar vidas e prevenir o sofrimento”.
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