Alberto Ortega - Europa Press - Arquivo
MADRID, 14 nov. (EUROPA PRESS) -
A Central Sindical Independente e Funcionários Públicos (CSIF) denunciou que a Atenção Primária e as emergências hospitalares do Sistema Nacional de Saúde (SNS) começaram a ficar saturadas devido à "falta de previsão" das administrações para reforçar seu pessoal antes da chegada do inverno e das infecções respiratórias associadas a esta época do ano, e da campanha de vacinação contra a gripe e a covid.
"São os cidadãos que mais uma vez estão pagando as consequências. A negligência das administrações é total porque elas estão cientes de uma situação que se repete todos os anos", criticou o presidente do setor nacional de saúde da Central Sindical Independiente y de Funcionarios (CSIF), Fernando Hontangas.
Especificamente, a CSIF denuncia que oito comunidades autônomas não contrataram reforços de hospitalização ou de atendimento primário, ou os que foram incorporados são "insuficientes" para cobrir as necessidades de atendimento à saúde. Essas regiões são Madri, Andaluzia, Catalunha, Castela e Leão, Aragão, La Rioja, Astúrias e Cantábria.
Além disso, os delegados da CSIF em Múrcia, Castilla-La Mancha, Valência e Galícia afirmam que essas comunidades ainda não relataram nenhuma medida de reforço. "Isso demonstra a situação precária e deficiente de nosso Sistema Nacional de Saúde (SNS) e a necessidade urgente de reformas estruturais profundas", acrescenta o sindicato.
Neste contexto, a CSIF alerta que o resultado é uma "sobrecarga" de trabalho que "começa a ter consequências" com consultas e horários nos cuidados primários "já saturados". Denuncia tempos de espera de 10 dias em média na atenção primária, com picos de mais de 20 dias em áreas rurais ou de baixa densidade populacional.
"A falta de reforços humanos também é evidente na atual campanha de vacinação contra a gripe e a covid-19, pois os mesmos funcionários que prestam atendimento diário em muitos centros de saúde devem combiná-lo com a vacinação, sem apoio adicional", destaca a organização.
Além disso, a organização adverte que os departamentos de emergência dos hospitais estão começando a ficar sobrecarregados em Madri, Andaluzia, Castela e Leão, La Rioja e Ceuta devido aos picos de infecções respiratórias, enquanto os serviços de diagnóstico já relatam sobrecarga crônica devido à falta de pessoal. "Em Melilla e La Rioja, já estão começando a dobrar os leitos", acrescenta.
DESTRUIÇÃO DE EMPREGOS NA ÁREA DA SAÚDE E FALTA DE PLANEJAMENTO
O sindicato enfatiza que os últimos dados do Ministério da Saúde correspondentes a 2024 confirmam a falta de recursos humanos estruturais. Especificamente, denuncia que a Espanha tem 5,9 enfermeiros por 1.000 habitantes, em comparação com a média europeia de 8,3. Acrescenta também que a proporção de médicos é de 3,9 por 1.000 habitantes, "muito abaixo" dos 4,9 de países como Alemanha e França.
"É previsível que a situação se agrave no médio prazo, pois mais de 30 mil profissionais do NHS atingirão a idade de aposentadoria nos próximos cinco anos, sem um plano adequado de substituição da força de trabalho", diz.
Nesse ponto, ele lembra que o setor de saúde já sofreu dois meses consecutivos (setembro e outubro) de perda de empregos, com uma média de 42.154 empregos a menos, de acordo com dados da Previdência Social: "Uma situação irresponsável por parte das diferentes administrações que mostra a falta de planejamento, como acontece todos os anos".
PLANOS DE REFORÇO PARA O INVERNO
Por todos esses motivos, o sindicato exige que os serviços regionais de saúde criem planos de reforço para o inverno com um orçamento específico. Além disso, o sindicato considera necessário ter um plano de Estratégia Nacional para o reforço do pessoal de saúde promovido pelo Ministério da Saúde e coordenado com as Regiões Autônomas.
Também solicita uma revisão imediata das proporções de profissionais em todos os níveis de atendimento. Além disso, defende a denúncia de situações de sobrecarga de atendimento e riscos psicossociais não avaliados à Inspetoria do Trabalho.
A CSIF enfatiza que "o fortalecimento do NHS não é uma opção, mas uma obrigação para garantir e proteger os cidadãos e seus profissionais". Por esse motivo, exige que o Ministério da Saúde e as comunidades autônomas atuem de forma coordenada, planejada e com visão de futuro, "evitando mais uma vez a improvisação de cada inverno".
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