O sindicato apresentou uma pesquisa no sexto aniversário da declaração da pandemia e do estado de alarme MADRID 11 mar. (EUROPA PRESS) -
A Central Sindical Independente e de Funcionários (CSIF) apresentou uma pesquisa que indica que 62% dos trabalhadores com covid persistente acreditam ter sido contagiados em seu local de trabalho, embora menos de um quarto seja reconhecido como acidente de trabalho ou doença profissional, o que, segundo o sindicato, significa pior proteção econômica e menor responsabilidade para a empresa.
“Apenas os profissionais de saúde foram reconhecidos como vítimas de acidente de trabalho. O fato de os demais não terem sido reconhecidos implica que eles deixam de receber indenizações por danos e sequelas e a cobertura dos tratamentos relacionados à doença, além da discriminação que sofrem cada vez que precisam pedir licença médica”, explicou nesta quarta-feira a secretária nacional de Prevenção de Riscos Laborais (PRL) da CSIF, Encarnación Abascal.
No âmbito do sexto aniversário da declaração da pandemia e do estado de alarme, o sindicato realizou uma pesquisa com a participação de mais de 1.500 pessoas afetadas, principalmente dos setores da saúde, educação e administração pública.
Nesse contexto, o CSIF denuncia que mais de dois milhões de pessoas ainda sofrem as sequelas da COVID persistente, mas não têm a proteção adequada das empresas e das autoridades sanitárias.
“Nossos funcionários públicos deram tudo de si e agora sofrem as consequências para sua saúde”, disse Abascal, acrescentando que a maioria das pessoas que responderam à pesquisa são mulheres do setor de saúde com idades entre 41 e 60 anos.
De acordo com a pesquisa, 75,3% dos trabalhadores com covid persistente estavam em licença médica; 69% solicitaram ajuda psicológica; 41,5% afirmam sofrer discriminação e pressão por parte da empresa e, em 67% dos casos, afirmam que a empresa não sabe como agir.
Além disso, o CSIF sublinha que a COVID persistente tem um peso importante no setor da saúde. No entanto, salienta que também está presente noutros âmbitos laborais, como a administração pública, a educação e a empresa privada, com baixas médicas prolongadas, dificuldades em regressar ao trabalho, processos de incapacidade temporária ou permanente e necessidade de adaptações do posto de trabalho. CARGA SINTOMÁTICA ELEVADA
A pesquisa reflete que 67,2% declaram ter um diagnóstico médico confirmado de covid persistente e que a carga sintomática é elevada, com uma média de 6,29 sintomas por pessoa. Predominam a fadiga extrema, dores musculares ou articulares e confusão mental. Apesar disso, 51,6% afirmam não estar recebendo tratamento médico específico, o que, para o sindicato, “revela as dificuldades que o diagnóstico e o tratamento da COVID persistente acarretam”. “Precisamos de mais recursos e muito mais informação. Na atenção primária, há uma grande desinformação. Quando chega uma pessoa com sintomas tão claros, é preciso entender que a COVID persistente já é reconhecida como uma doença crônica e que não é um capricho”, afirmou Pedro Sánchez, representante da Associação Madrilenha da COVID Persistente (AMACOP).
Por sua vez, Silvia Amaya, técnica em cuidados auxiliares de enfermagem (TCAE) em uma residência para idosos e afetada pela covid persistente, denunciou que as pessoas com essa doença se sentem “invisíveis”. “No meu caso, tenho tosse e dores articulares, mas não tenho um diagnóstico confirmado de covid persistente. Chega-se a uma idade em que tudo se justifica, mas as consequências estão lá, há um antes e um depois da doença”, explicou Amaya.
RECONHECIMENTO DA COVID PERSISTENTE COMO DOENÇA PROFISSIONAL Para o CSIF, os resultados da pesquisa mostram, portanto, que a covid persistente está tendo consequências significativas na saúde, na estabilidade no trabalho e na qualidade de vida de milhares de trabalhadoras. Por isso, o sindicato considera essencial o reconhecimento da covid persistente como doença profissional ou relacionada ao trabalho. Além de criar um fundo de compensação para trabalhadores afetados pela exposição no trabalho. Além disso, aposta na criação de protocolos específicos de prevenção e gestão da COVID persistente, na adaptação dos postos de trabalho e no reforço do acompanhamento médico no trabalho.
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