MADRID 27 ago. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores das universidades de Granada e Alicante, bem como do Museu de Villena (Alicante), publicaram nesta quarta-feira um estudo sobre o âmbar do Tesouro de Villena na revista “Trabajos de Prehistoria”, do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), sem terem conhecimento do roubo que ocorreria algumas horas depois.
De fato, o Museu de Villena (MUVI) sofreu, na madrugada desta quinta-feira, o roubo de seu acervo, o Tesouro de Villena, um conjunto de ourivesaria datado por volta do ano 1.000 a.C. e considerado uma peça singular da Idade do Bronze, conforme informaram fontes municipais.
O estudo publicado, consultado pela Europa Press, é assinado por Mercedes Navero Rosales (Universidade de Granada), Gabriel García Atiénzar (Instituto Universitário de Pesquisa em Arqueologia e Patrimônio Histórico da Universidade de Alicante), Laura Hernández Alcaraz (Museu de Villena, Alicante) e Mercedes Murillo-Barroso (Universidade de Granada). Os pesquisadores confirmam, por meio de análises arqueométricas, que a resina fóssil incrustada em uma das peças desse famoso achado arqueológico é proveniente da região do Mar Báltico. A confirmação desse tipo de dado permite estudar melhor a Idade do Bronze.
Justamente, García Atiénzar explicou em declarações à Europa Press que, nos últimos anos e em conjunto com colegas da UA, da Universidade de Granada, de Toulouse e de Amsterdã, reexaminaram “boa parte” do Tesouro, com análises que não existiam quando ele foi descoberto em 1963 e que agora permitem “esclarecer algumas questões”.
Por isso, o pesquisador afirmou que o conjunto roubado “ainda guardava inúmeras perguntas que somente o avanço das técnicas que a arqueologia conheceu nas últimas décadas permite responder e que, infelizmente, vão ficar por aí, meras perguntas”. “Nunca poderemos perguntar ao Tesouro — ou esperemos que sim”, lamentou.
O roubo no museu desta cidade da província de Alicante ocorreu por volta das 5h20 desta manhã, após os ladrões terem entrado no museu por uma entrada lateral. O Tesouro de Villena é composto, em sua maioria, por peças de ouro: onze tigelas, 28 braceletes — que constituem o conjunto mais numeroso —, três garrafas e várias peças diversas.
Também fazem parte do acervo três garrafas de prata e duas peças mistas — um botão de âmbar e ouro e um remate de ferro e ouro — e, por fim, uma pulseira de ferro. Ele foi descoberto em dezembro de 1963 pelo arqueólogo José María Soler e seus colaboradores, dentro de um vaso, escondido no leito de um riacho localizado no município de Villena.
A prefeitura deste município destacou que o Tesouro de Villena é uma peça singular, a mais importante da Europa da Idade do Bronze, ao lado das de Micenas.
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